SAÚDE
Ministério da Saúde anuncia primeiras adesões de hospitais privados e filantrópicos ao programa Agora Tem Especialistas
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou, nesta sexta-feira (29/8), a adesão dos primeiros hospitais privados e filantrópicos ao programa Agora Tem Especialistas. Três unidades de saúde localizadas nos estados do Rio de Janeiro, Ceará e Pernambuco atenderão os pacientes do SUS, a fim de reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias. Em troca, receberão créditos financeiros para abatimentos de dívidas federais.
A medida possibilita a conversão de dívidas de até R$ 1,3 bilhão/ano pela prestação de serviços especializados para o SUS com a concessão de créditos financeiros. Para adesão a essa modalidade, o Ministério da Saúde atualmente analisa manifestações de interesse de mais de 130 hospitais privados e filantrópicos.
As instituições que, neste primeiro momento, vão reforçar a oferta de serviços de alta e média complexidade para a rede pública são: a Maternidade São Francisco (RJ), a Santa Casa de Misericórdia do Recife (PE) e a Santa Casa de Misericórdia de Sobral (CE).
“Todo esse esforço é para fortalecer a rede pública, apoiar hospitais que já atendem o SUS e mobilizar também a iniciativa privada, garantindo redução no tempo de espera por consultas, exames e cirurgias especializadas”, afirmou o ministro da Saúde, em São Paulo (SP).
Para participação no programa, o Ministério da Saúde avalia se oferta de serviços disponibilizada pelos hospitais privados e filantrópicos atende às necessidades locais e regionais do SUS. Além disso, checa se possuem capacidade técnica e operacional. Com a adesão aprovada, essas instituições farão parte de uma rede credenciada, destinada aos estados e municípios. Os atendimentos começam a partir do fechamento dos contratos.
A expansão da oferta de serviços de saúde pelo Agora Tem Especialistas é realizada em parceria com os estados e municípios, atendendo às demandas apresentadas pelos gestores locais. Assim, a regulação do SUS continua a mesma, ou seja, os pacientes serão encaminhados pelas Centrais de Regulação das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, que são responsáveis por organizar as filas de espera e direcionar os usuários para os serviços disponíveis no setor público ou privado.
Novos equipamentos vão fortalecer e ampliar o tratamento oncológico no SUS
O ministro da Saúde também anunciou o investimento de R$ 142,3 milhões para aquisição de novos equipamentos que visam ampliar e fortalecer o tratamento do câncer no SUS, uma das áreas prioritárias do Agora Tem Especialistas.
“Estamos falando em investimentos em radioterapia, por meio do Pronon – um programa do Ministério da Saúde que autoriza instituições a captar doações com incentivo fiscal. Esse programa havia sido interrompido no governo anterior e agora foi retomado, prorrogado e tornado definitivo pelo governo do presidente Lula”, explicou o ministro.
A iniciativa possibilitará que estados do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, regiões historicamente carentes em serviços oncológicos, passem a contar com equipamentos modernos e especializados. São 16 equipamentos, entre aceleradores lineares e tomógrafos, beneficiando nove estados.
A partir da seleção feita pelo Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON), treze aceleradores lineares serão destinados aos estados de Pernambuco (2), Goiás (1), Paraíba (1), Ceará (1), São Paulo (5), Minas Gerais (1), Rio Grande do Sul (1) e Paraná (1); e três tomógrafos para Rio de Janeiro (1), Ceará (1) e São Paulo (1). Esses equipamentos começarão a funcionar a partir do ano que vem.
Até o final de 2026, o Agora Tem Especialistas vai destinar 121 aceleradores lineares para todo o Brasil, ampliando o acesso a radioterapia para 84,7 mil novos pacientes por ano. Desse total, 12 já foram entregues em cinco estados: CE, RS, SP, RJ e PI.
“Também estamos ampliando o Super Centro Brasil de Diagnóstico do Câncer, em parceria com o A.C. Camargo. Esse centro terá capacidade para realizar até 400 mil exames de anatomia patológica por ano, mais da metade da demanda nacional de exames de biópsia em oncologia”, finalizou Alexandre Padilha.
Agora Tem Especialistas mobiliza rede pública e privada para ampliar atendimento
Para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, o Agora Tem Especialistas mobiliza toda a estrutura de saúde do Brasil, tanto pública quanto privada. Além das medidas para fortalecer o tratamento oncológico – uma das áreas prioritárias do programa –, há uma série de outras iniciativas.
Já estão em andamento, por exemplo, o início de atendimentos por um hospital de plano de saúde em Recife (PE); a realização de mutirões em hospitais públicos e locais remotos; a ampliação de turnos de atendimento; o credenciamento de carretas para levar atendimento especializado em áreas de difícil acesso, e de prestadoras privadas de saúde volantes para atender os pacientes do SUS dentro dos hospitais públicos; além da distribuição de 3 mil kits de telessaúde para equipar as Unidades Básicas de Saúde.
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Nova vacina pneumocócica 20 começa a ser disponibilizada no SUS para crianças
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quarta-feira (3) o início da vacinação com a pneumo 20 para crianças de até 5 anos. O imunizante, novidade no SUS, protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causadora de doenças graves, como pneumonia e meningite, responsáveis por hospitalizações, sequelas e óbitos. Esse é o quarto imunobiológico incorporado para crianças durante a gestão — na rede privada, o custo chega a mais de R$ 500.
“Já tomamos todos os passos necessários, inclusive com a publicação da nota técnica e o início da distribuição para estados e municípios. A expectativa é que, a partir da segunda quinzena de junho, as crianças possam receber a vacina nas unidades básicas de saúde”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O ministro também afirmou que o país seguirá fortalecendo a vacinação e a confiança da população no Programa Nacional de Imunizações, além de combater o negacionismo e os movimentos antivacina.
A distribuição das primeiras 514 mil doses já começou. A vacinação será iniciada à medida que os estados receberem os imunizantes e concluírem o envio aos municípios. A previsão do Ministério da Saúde é disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ainda este ano.
O diferencial da nova vacina é a ampliação da proteção imunológica, relacionadas aos sorotipos que mais causam pneumonia invasiva, especialmente os tipos 3, 6A e 19A, sendo mais abrangente do que as formulações anteriores. A vacina também atua contra a otite média, condição que pode levar à perda auditiva e infecção generalizada quer pode levar à morte.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica é a maior causa de mortalidade infantil por doença prevenível. No Brasil, entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos no Brasil, o que representa uma taxa de letalidade superior a 30%. Entre crianças menores de 5 anos, foram 616 casos e 188 mortes no mesmo período.
Além de reduzir a incidência e a mortalidade pela doença pneumocócica, a vacinação em larga escala deve aliviar significativamente os custos do SUS com internações, tratamentos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), manejo de sequelas e processos de reabilitação. Entre 2024 e outubro de 2025, o SUS registrou mais de 34 mil atendimentos relacionados a doenças causadas pela bactéria responsável por infecções graves, como pneumonia e meningite. Somente em 2025, as internações de crianças de até cinco anos chegaram a 365 casos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da vacina em dezembro de 2023. As primeiras doses começaram a ser aplicadas na rede privada em 2025, mas com acesso restrito devido ao alto custo. Com a incorporação ao SUS, a vacina passa a ser ofertada gratuitamente à população, ampliando o acesso a uma tecnologia avançada, reduzindo desigualdades no acesso à proteção contra doenças graves. A medida reforça o compromisso do Ministério da Saúde com o fortalecimento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e a ampliação da cobertura vacinal no país.
Novo esquema vacinal e substituição das vacinas anteriores
O SUS oferece as vacinas conjugadas pneumo10 e pneumo13 (com proteção mais robusta e duradoura), e também a polissacarídica 23 (que amplia a cobertura contra mais tipos da bactéria). As formulações atualmente utilizadas estão alinhadas às diretrizes internacionais e apresentam uma relação custo-benefício comprovada para as políticas de saúde pública.
Com a incorporação da pneumo 20, o Ministério da Saúde iniciará uma transição gradual para substituir esses imunizantes, já que a nova vacina amplia a proteção contra um número maior de sorotipos da bactéria pneumococo, aumenta o potencial de prevenção de casos graves.
A pneumo 20 será ofertada aos seguintes grupos prioritários:
- Crianças menores de 5 anos;
- Povos indígenas maiores de 5 anos de idade (sem histórico vacinal com pneumo conjugada);
- Idosos com 60 anos ou mais acamados e/ou institucionalizados;
- Pessoas com condições clínicas especiais, atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
Durante o período de transição, o esquema vacinal básico para a criança seguirá o seguinte modelo: uma dose da pneumo 20 aos 2 meses de idade; uma dose da pneumo 10 aos 4 meses, e uma dose de reforço da pneumo 20 aos 12 meses, respeitando o intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço. As vacinas VPC13 e VPP23 serão utilizadas em estratégias diferenciadas até a finalização dos estoques.
Essa estratégia será mantida até o término dos estoques da Pneumo 10. Após o esgotamento dessas doses, o esquema vacinal passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20. Por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital, pais, mães e responsáveis podem acompanhar, em tempo real, o histórico de vacinação.
Histórico de resultados
Desde a introdução da pneumo 10 no Programa Nacional de Imunizações (PNI), em 2010, o Brasil registrou reduções expressivas na incidência da doença pneumocócica invasiva causada por sorotipos vacinais: entre 55% e 60% em crianças menores de 2 anos e queda superior a 65% nos casos de meningite pneumocócica nessa mesma faixa etária. Entre adultos com 60 anos ou mais, a redução variou de 20% a 30%.
Nos últimos três anos, o Ministério da Saúde recuperou todas as coberturas vacinais infantis, revertendo a tendência de queda observada até 2022. A vacinação contra doenças pneumocócicas acompanhou esse avanço, com a cobertura do esquema básico passando de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Em 2026, a cobertura parcial acumulada até o momento já alcança 86,33%, mantendo a trajetória de proteção da população infantil.
A vacinação permanece a estratégia mais eficaz para reduzir a ocorrência das formas graves das doenças pneumocócicas invasivas e suas consequências mais severas, como hospitalização, sequelas e óbito.
João Vitor Moura
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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