POLÍTICA MT
Delegados da PJC não falam à CPI e empresários são convocados para próxima etapa das investigações
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta quarta-feira (3), mais uma oitiva para apurar contratos e pagamentos realizados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) durante a pandemia da Covid-19. A reunião contou com a presença dos delegados da Polícia Judiciária Civil (PJC), José Ricardo Garcia Bruno e Henrique Trevisan, responsáveis pela condução da Operação Espelho, deflagrada em 2021 para investigar supostas irregularidades envolvendo contratos firmados pela pasta.
Os delegados foram dispensados após exercerem o direito constitucional de permanecer em silêncio, em razão do sigilo judicial que envolve o processo. Segundo o presidente da CPI, deputado Wilson Santos (PSD), a comissão respeitou a decisão e dará continuidade às investigações com novas oitivas.
“Os delegados compareceram pontualmente e exerceram um direito garantido pela Constituição. Somos obrigados a respeitar esse direito”, afirmou o parlamentar.
Como encaminhamento da reunião, os membros da CPI aprovaram, por unanimidade, a convocação de oito empresários que mantiveram relações comerciais com a Secretaria de Estado de Saúde. Eles deverão prestar esclarecimentos sobre contratos que estão sob análise da comissão. O cronograma de oitivas está em fase de definição e a expectativa é que os depoimentos ocorram entre os meses de junho e julho.
“Sobre essas empresas recaem denúncias de vendas com sobrepreço e de contratos cujos objetos foram entregues parcialmente ou sequer entregues. Agora é importante ouvi-los para avançarmos nas apurações”, destacou Wilson Santos.
De acordo com o deputado, a comissão vem seguindo uma sequência de oitivas definida pelos parlamentares. Após ouvir representantes da Controladoria Geral do Estado (CGE), da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e os delegados responsáveis pela Operação Espelho, a próxima etapa será dedicada aos empresários convocados. Na sequência, deverão ser ouvidos agentes públicos ligados à Secretaria de Estado de Saúde.
Durante a reunião, Wilson Santos também informou que a CPI pretende aprofundar as apurações sobre o ataque cibernético que atingiu a Secretaria de Estado de Saúde e resultou na perda de arquivos e documentos do órgão. Para isso, foi apresentado requerimento solicitando esclarecimentos ao Governo do Estado e à Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI), responsável pela gestão tecnológica da administração estadual.
O objetivo é obter informações detalhadas sobre a invasão, os sistemas afetados, as medidas adotadas para recuperação dos dados e a extensão dos prejuízos causados pelo incidente. Segundo o parlamentar, a comissão buscará acesso às informações necessárias para auxiliar nas investigações, observando eventuais determinações de sigilo relacionadas ao caso.
Participaram da reunião, além do presidente da comissão, os deputados Dilmar Dal Bosco (União), Chico Guarnieri (PSDB) e Eduardo Botelho (MDB).
Os trabalhos da CPI da Saúde terão continuidade na próxima quarta-feira (10), com novas oitivas e o avanço das investigações sobre a aplicação de recursos públicos na área da saúde durante o período da pandemia.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Jéssica Riva rejeita ideia de “herança” política e diz que terá de conquistar votos para chegar à ALMT
Candidata do MDB reconhece força do sobrenome Riva, mas afirma que candidatura exige trabalho próprio e destaca busca por maior representação feminina no Legislativo
A empresária Jéssica Riva (MDB), candidata a deputada estadual nas eleições de 2026, rejeita a avaliação de que esteja tentando simplesmente ocupar a cadeira deixada pela irmã, Janaína Riva (MDB), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT). Para ela, a disputa eleitoral será marcada pela necessidade de construir uma trajetória própria e conquistar diretamente os votos do eleitorado.
A declaração ocorre em meio à decisão de Janaína de não disputar a reeleição para a Assembleia e colocar seu nome na corrida por uma vaga no Senado. Com isso, Jéssica passou a ser apontada como um dos nomes que podem manter a representação do grupo político no Legislativo estadual.
“É claro que não se herda. Se não, eu estaria deitada em casa, guardando a minha herança”, afirmou Jéssica ao comentar as críticas de que estaria herdando a cadeira da irmã.
Segundo a candidata, sua entrada na política partidária aconteceu antes da definição de sua candidatura. Ela afirma que se filiou ao MDB há cerca de dez anos, juntamente com Janaína, e que a decisão de disputar uma vaga na Assembleia surgiu posteriormente, dentro de uma construção política do grupo.
“Tenho trabalhado muito para mostrar para as pessoas, para a população, que eu tenho capacidade de continuar fazendo essa representação”, declarou.
Candidatura própria
Jéssica reconhece que o sobrenome Riva proporciona visibilidade e facilita o acesso a lideranças políticas, mas sustenta que essa estrutura não representa uma transferência automática de votos.
Ao longo da campanha, prefeitos, vereadores e outras lideranças que historicamente mantiveram ligação com o grupo político da família também passaram a se posicionar em torno de diferentes candidaturas. Segundo Jéssica, essa divisão ocorre inclusive dentro do próprio MDB.
A candidata disputa sua primeira eleição para a Assembleia e terá pela frente a tarefa de transformar a visibilidade proporcionada pelo sobrenome em apoio eleitoral efetivo.
Busca por representação feminina
Outro argumento apresentado por Jéssica para justificar sua entrada na disputa é a ampliação da participação feminina na política estadual.
Janaína Riva permaneceu por 12 anos como a única mulher entre os 24 deputados estaduais da Assembleia Legislativa. A trajetória eleitoral da parlamentar também consolidou seu espaço político: ela foi eleita pela primeira vez em 2014, com 48.171 votos. Em 2018, alcançou 51.546 votos e, em 2022, chegou a 82.124 votos, tornando-se a deputada estadual mais votada de Mato Grosso.
Agora, parte dessa base política será colocada à prova na candidatura de Jéssica.
Sobrenome também traz desafios
Se o nome Riva representa uma vantagem de reconhecimento político, Jéssica também admite que o sobrenome carrega um histórico que deverá acompanhar sua campanha.
Filha do ex-deputado estadual José Riva, ela reconhece que a trajetória política do pai ainda produz reflexos sobre a família.
José Riva exerceu cinco mandatos como deputado estadual e ocupou posições de comando na Assembleia Legislativa por cerca de duas décadas, incluindo a Presidência e a Primeira-Secretaria da Casa. Sua trajetória também foi marcada por investigações, processos e condenações.
Questionada sobre o impacto desse passado em sua candidatura, Jéssica afirmou:
“A gente paga até hoje por tudo isso.”
Mesmo diante do peso do sobrenome e das comparações com a trajetória da irmã, Jéssica tenta apresentar a candidatura como um projeto que dependerá de sua própria atuação política e da capacidade de conquistar o eleitorado em 2026.
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