SAÚDE
Brasil mantém ações de resposta ao sarampo e reforça importância da vacinação
A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. Com a ocorrência de casos em São Paulo, o Ministério da Saúde reforça o chamamento para que a população mantenha a caderneta atualizada. A Campanha Nacional de Multivacinação, que segue até 1º de setembro, é uma oportunidade para crianças e adolescentes menores de 15 anos verificarem a situação vacinal e receberem as doses necessárias, incluindo a tríplice viral, disponível gratuitamente no SUS.
O Brasil confirmou 27 casos de sarampo em 2026. Desse total, 24 estão relacionados a uma cadeia de transmissão ativa iniciada em junho no estado de São Paulo, sendo 21 casos na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Os outros três casos, dois em São Paulo e um no Rio de Janeiro, sem relação entre si, foram registrados anteriormente e já são considerados encerrados após 12 semanas sem novas ocorrências associadas.
Diante do cenário, o Ministério da Saúde mantém atuação integrada com as autoridades estaduais e municipais para interromper a transmissão e evitar a disseminação da doença. As medidas incluem intensificação da investigação epidemiológica, identificação e acompanhamento de contatos, busca ativa de casos, bloqueio vacinal e ampliação das ações de vacinação, conforme a situação epidemiológica de cada localidade.
A atuação conjunta tem sido fundamental para evitar a reintrodução e a circulação sustentada do vírus no país. Em 2025, foram confirmados 38 casos importados ou relacionados à importação, todos controlados por meio das ações de vigilância e vacinação. Com isso, o Brasil segue livre da circulação endêmica do sarampo, mesmo diante do aumento de casos registrado em outros países das Américas.
Em 2026, o Ministério da Saúde já distribuiu mais de 13 milhões de doses da vacina tríplice viral para estados e municípios. Mais de 5,4 milhões de doses foram aplicadas em todo o país.
As coberturas vacinais contra o sarampo voltaram a crescer a partir de 2023, após seis anos consecutivos de queda. A cobertura da vacina tríplice viral, que estava abaixo de 80% em 2021, superou 93% em 2025. No ano passado, o país alcançou o melhor resultado dos últimos nove anos, com crescimento médio anual de 10% no número de crianças protegidas, o equivalente a cerca de 1 milhão de crianças a mais vacinadas a cada ano nos primeiros anos de vida.
Vacinação é principal forma de prevenção
Altamente contagioso, o sarampo pode ser prevenido pela vacinação. A vacina tríplice viral, que também protege contra caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e integra o Calendário Nacional de Vacinação.
Para crianças, o esquema de rotina prevê duas doses: a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de idade. Pessoas de até 29 anos que não tenham sido vacinadas ou não possuam comprovação devem receber duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses. Para adultos de 30 a 59 anos, é recomendada uma dose.
Em situações de circulação do vírus, as estratégias podem ser ampliadas de acordo com a avaliação epidemiológica. Em São Paulo, diante da cadeia de transmissão identificada, o Ministério da Saúde recomendou a ampliação da vacinação nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, incluindo crianças de 6 a 11 meses com a chamada “dose zero”.
A dose zero é uma estratégia adicional de proteção para crianças menores de 1 ano em cenários de maior risco e não substitui as doses previstas no calendário de rotina aos 12 e 15 meses. O Ministério da Saúde reforça a orientação para que a população verifique a situação vacinal e mantenha a caderneta atualizada. A vacinação é a principal medida para prevenir casos, interromper cadeias de transmissão e evitar a reintrodução do sarampo no país.
Confira a caderneta e atualize as vacinas. Conheça a campanha de multivacinação
Deborah Novais
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
SUS oferta exames de diagnóstico, tratamento e acompanhamento multidisciplinar para esclerose múltipla
Celebrado em 30 de agosto, o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla integra o movimento Agosto Laranja, que busca ampliar o conhecimento da população sobre os sintomas da doença, que é crônica e rara. No Sistema Único de Saúde (SUS), o cuidado é integral, com oferta de exames de diagnóstico, acompanhamento multiprofissional e tratamento, que inclui a oferta de nove tipos de medicamentos.
A esclerose múltipla é uma doença neurológica autoimune e crônica em que o sistema imunológico ataca estruturas do sistema nervoso central, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. Embora não tenha cura, o diagnóstico oportuno e o tratamento adequado podem reduzir a frequência das crises, retardar a progressão da incapacidade e contribuir para a manutenção da qualidade de vida.
No Brasil, a estimativa é de 8,6 casos por 100 mil habitantes, com maior concentração na Região Sul. A doença acomete principalmente adultos entre 20 e 50 anos e é mais frequente em mulheres.
“Receber o diagnóstico de esclerose múltipla pode gerar muitas dúvidas e inseguranças. O Agosto Laranja é uma oportunidade para ampliar o conhecimento da população sobre essa condição, os sinais e sintomas, assim como desmistificar crenças. No SUS, trabalhamos para que esse cuidado aconteça de forma integral, desde a avaliação inicial até o tratamento e acompanhamento multiprofissional”, destaca o diretor do Departamento de Atenção Especializada e Temática do Ministério da Saúde, Arthur Mello.
Jornada do paciente no SUS
O diagnóstico é feito a partir da avaliação clínica, especialmente neurológica, associada a exames complementares, como ressonância magnética e análise do líquido cefalorraquidiano (líquor). Como não existe um exame isolado capaz de confirmar a doença, é necessário considerar os critérios diagnósticos e excluir outras condições que possam apresentar sintomas semelhantes.
O acompanhamento da pessoa com esclerose múltipla deve considerar a evolução clínica, as incapacidades e as necessidades individuais. No SUS, o cuidado é orientado pelo Protocolo
Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença, com o objetivo de controlar a atividade da doença, reduzir a ocorrência de surtos e a progressão das incapacidades, preservar a funcionalidade e promover a qualidade de vida.
A assistência é multiprofissional e pode envolver neurologistas e outros profissionais de saúde, além de serviços especializados em doenças raras, apoio psicológico, fisioterapia e reabilitação.
O SUS também oferece nove medicamentos para o tratamento de manutenção da esclerose múltipla, os chamados “medicamentos modificadores do curso da doença”. Eles são prescritos conforme as necessidades de cada paciente:
- Acetato de glatirâmer
- Alentuzumabe
- Betainterferona 1A
- Betainterferona 1B
- Cladribina oral
- Fingolimode
- Fumarato de dimetila
- Natalizumabe
- Teriflunomida
- Sintomas
Os sinais e sintomas podem surgir em episódios chamados surtos inflamatórios. Entre os sinais e sintomas mais comuns estão perda ou alteração da visão, visão dupla, cansaço intenso, fraqueza muscular, dormência e formigamento, perda de equilíbrio, dificuldade para falar ou coordenar movimentos. Os episódios ou surtos duram até dois dias (48 horas). A doença também pode provocar manifestações cognitivas, urinárias e intestinais, além de dor. Em alguns casos, a incapacidade neurológica pode evoluir de forma gradual.
Moradora do Distrito Federal, a servidora pública Camila Rocha Coelho, 37 anos, convive com a esclerose múltipla há quatro anos. Após dois episódios de surto, ela iniciou a investigação dos sintomas até receber o diagnóstico da doença.
“O primeiro sintoma foi uma inflamação do nervo óptico no olho esquerdo. Foi o primeiro surto e eu perdi completamente a visão, situação que foi revertida com o uso de corticóide. Cerca de seis meses depois, eu tive outra crise, que foi uma perda de equilíbrio e uma tontura bem forte. Aí comecei a investigar. Fiz ressonâncias, exames de sangue, exame de líquor da coluna e um exame de neurofilamento”, conta.
Após iniciar o tratamento com cladribina, Camila afirma que conseguiu manter a doença controlada e preservar a qualidade de vida. “Agora os meus exames estão normais. O tratamento deu super certo. Antes não tinha tanta pesquisa, tanta inovação tecnológica de medicamento e de tratamento como tem hoje. O diagnóstico de esclerose múltipla era assustador. Com esses avanços, hoje eu consigo ter qualidade de vida e manter a doença controlada sem surtos durante muito tempo”, relata.
Alessandra Galvão
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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