POLÍTICA NACIONAL
Relator defende que a Câmara decida sobre possível proibição de tarifa por tráfego de dados
O relator do projeto de lei (PL 469/24) que proíbe a tarifação pelo uso intensivo da rede por provedores de conteúdo, deputado Fausto Pinato (PP-SP), disse que seu parecer levará em conta a opinião dos especialistas ouvidos nesta quarta-feira (28) na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados.
Ele adiantou, porém, que não vai deixar para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) decidir se provedores de conexão de internet (operadoras de telecomunicações) poderão ou não cobrar tarifa dos provedores de conteúdo, como plataformas de streaming e redes sociais, para custear a infraestrutura das redes.
“É injusto para um lado a cobrança. Mas também, se não tiver alguma coisa, pode deteriorar [o sistema], mas desde que seja algo justo e equilibrado. Não vou deixar, no meu relatório, a Anatel dar as cartas”, avisou Pinato.
Uma parte dos especialistas ouvidos nesta quarta condenou a criação de uma taxa de tráfego com o argumento de que o consumidor acabará pagando a conta. Alguns convidados, no entanto, ponderaram que seria melhor buscar um meio termo que garanta a sustentabilidade do sistema que envolve operadoras de telecomunicações, grandes empresas de conteúdo e consumidores.
Dupla cobrança
O presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Flávio Lara Resende, foi um dos que se manifestaram contrariamente à taxa de uso de rede, que a seu ver não é a solução para atacar o problema da conectividade no Brasil. “Qualquer taxa aplicada seria depois transferida para o consumidor e levaria à desaceleração do investimento.”
Também na avaliação do diretor-executivo da Aliança pela Internet Aberta (AIA), Alessandro Molon, a taxa representaria uma dupla cobrança e beneficiaria operadoras de telecomunicações que já ganham com o modelo atual.
Ele disse ainda que já não há expectativa de explosão do crescimento do tráfego, como havia há alguns anos. Segundo o diretor, o que vem caindo na fatura das operadoras de telecomunicações são setores que não têm nada a ver com internet, como a telefonia fixa e a TV a cabo.
“Se a taxa for criada, quem vai perder acesso é o consumidor de baixa renda. O streaming, se ele tiver que pagar para ser assistido também para uma operadora, isso vai entrar na fatura dele”, afirmou Molon. “Eu vou pagar a minha conexão fixa para ter banda larga e vou ter que pagar de novo pelo mesmo serviço: na minha mensalidade do streaming, vai ter um pedacinho que vai para as operadoras”, explicou.
Os pequenos provedores de conexão, responsáveis por 95% das conexões nas cidades com até 30 mil habitantes e 64% das conexões de banda larga fixas no Brasil, também se posicionaram contra a cobrança de taxa, que prejudicaria as regiões mais afastadas.
“As pessoas contratam internet para acessar conteúdos diversos e esses conteúdos estimulam a contratação de serviços mais robustos”, argumentou o diretor administrativo da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), Mauricélio Oliveira. “O usuário paga a empresa de telecomunicações e as empresas de conteúdo também pagam para se conectar à internet e disponibilizar seus conteúdos.”
Os convidados contrários à taxa mencionaram ainda o exemplo da Coreia do Sul, onde a tarifação levou ao aumento dos preços da conexão, à piora na qualidade da internet e ao fechamento de postos de trabalho.
Negociação
Do outro lado, o diretor de Regulação e Inovação da Conexis Brasil Digital, Fernando Soares, argumentou justamente o contrário. Ele disse que o tráfego de dados tem base imensa e continua crescendo, o que requer investimentos que garantam qualidade e conectividade.
Ele destacou que apenas quatro empresas – Meta, Alphabet, Netflix e TikTok – são responsáveis por 72% do tráfego de dados na rede móvel e 52% na banda larga fixa.
Para Soares, é dever de todos os agentes do ecossistema digital investir em infraestrutura, e o projeto de lei limita ou mesmo impede a negociação entre operadoras de telecomunicações e bigtechs. Ele também sugeriu que o Congresso Nacional determine à Anatel mediar a relação entre as partes do sistema.
“O que a gente quer é que a Câmara estabeleça claramente os contornos de uma negociação e que essa negociação permita o financiamento dos investimentos necessários para o provimento de infraestrutura”, disse Fernando Soares.
Alternativas
Também convidado, o ex-deputado federal Paulo Henrique Lustosa chamou a atenção para a necessidade de pensar a sustentabilidade de um ecossistema que tem grandes operadoras de telecom, mas também médios e pequenos provedores que fazem chegar o serviço a quem usa o conteúdo.
A solução, segundo Lustosa, não é proibir simplesmente a criação de uma tarifa ou impor sua cobrança. “A gente pode aproveitar a oportunidade para construir um modelo para que o serviço chegue para todos com qualidade, preço módico e de forma universal.”
Para o deputado Vitor Lippi (PSDB-SP), proibir que haja um entendimento entre o uso dessas redes também não seria o mais prudente. “Gostaria que se buscasse uma alternativa que não engesse o tema. A infraestrutura precisa de recursos, mas precisamos fazer o possível para não onerar o consumidor, principalmente o mais humilde”, defendeu.
Ambiente saudável
Autor do Projeto de Lei 469/24, o deputado David Soares (União-SP), explicou que apresentou a proposta por temer o repasse de uma possível tarifa para o consumidor, com prejuízos para os pequenos provedores de internet. “Não queremos quebrar ninguém, queremos colocar um ambiente de negócios saudável”, destacou.
A expectativa do presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação, deputado Ricardo Barros (PP-PR), é votar o relatório de Fausto Pinato ainda em junho.
Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Natalia Doederlein
Fonte: Câmara dos Deputados
POLÍTICA NACIONAL
Comissão do Esporte aprova prioridade no recebimento de recursos públicos para clubes formadores de atletas
A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1930/25, que prioriza as organizações esportivas certificadas como formadoras de atletas no recebimento de recursos públicos federais.
A proposta altera a Lei Geral do Esporte e foi apresentada pelos deputados Bandeira de Mello (PV-RJ) e Renildo Calheiros (PCdoB-PE) e pelo suplente de deputado Douglas Viegas (SP).
O objetivo da proposta é incentivar que mais clubes busquem a certificação oficial, o que exige o cumprimento de diversas normas de proteção aos jovens. Atualmente, para ser considerada uma entidade formadora, a organização deve oferecer assistência educacional, médica, psicológica, fisioterapêutica e odontológica, além de garantir alimentação, transporte e alojamentos seguros e salubres.
Dos cerca de 700 clubes de futebol existentes no Brasil, 81 possuem o certificado de entidade formadora homologado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Compensação
O relator, deputado Dr. Luiz Ovando (PP-MS), recomendou a aprovação do projeto. Ele afirmou que a prioridade no recebimento de recursos públicos será um incentivo para que as instituições cumpram todas as exigências.
“O novo benefício certamente incentivará que mais clubes esportivos observem as condições que garantem a segurança e a assistência aos jovens atletas em formação. A contrapartida para os clubes será a prioridade no recebimento de recursos públicos”, disse Ovando.
Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, será analisado agora pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovado pelos deputados e pelos senadores e, depois, ser sancionado pela presidência da República.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
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