POLÍTICA NACIONAL

Proteção às mulheres e aos idosos marca votações do Senado no semestre

A lei que aumenta a pena por crime de abandono de idoso (Lei 15.163) e a lei que garante atendimento gratuito e especializado para mulheres que tiveram a saúde bucal afetada por violência doméstica (Lei 15.116) estão entre as principais aprovações do Senado no primeiro semestre de 2025.

No total, 140 matérias foram aprovadas pelo Plenário, entre os dias 19 de fevereiro e 16 de julho: 52 projetos de lei (PL); 25 projetos de decreto legislativo (PDL); 21 mensagens presidenciais com indicações de autoridades (MSF); 18 projetos de resolução (PRS); 10 medidas provisórias (MP); 8 projetos de lei complementar (PLP); cinco propostas de emenda à Constituição (PEC) e um projeto de lei da Câmara (PLC).

Aumento de pena

Sancionada em julho, a Lei 15.163 aumentou a penalidade para quem for condenado pelo crime de abandono de idoso ou pessoa com deficiência, que passará a cumprir de 2 a até 5 anos de prisão, mais pagamento de multa. Se esse abandono resultar na morte da pessoa, a pena será de 14 anos de reclusão. Se resultar em lesão grave, a reclusão poderá ser de 3 a 7 anos, além de multa. Antes da nova legislação, a pena geral era de 6 meses a 3 anos, mais multa.

A norma é originada do Projeto de Lei (PL) 4.626/2020, apresentado pelo deputado Helio Lopes (PL-RJ) e aprovado pela Câmara em junho. Os deputados acataram alterações dos senadores, que endureceram a punição.

Reconstrução dentária

Em vigor desde abril, a Lei 15.116 criou o Programa de Reconstrução Dentária para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica. O objetivo é garantir o acesso a tratamentos odontológicos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS) para a recuperação da saúde bucal dessas brasileiras.

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A nova legislação teve origem no Projeto de Lei (PL) 4.440/2024, apresentado pela deputada Simone Marquetto (MDB-SP). No Senado, a relatora em Plenário foi a senadora Dra. Eudócia (PL-AL), que destacou a importância da medida para a saúde física e emocional das vítimas de violência doméstica.

Atenção humanizada

Entre as aprovações do Senado que já estão em vigor destacam-se também a inclusão oficial da atenção humanizada entre os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) (Lei 15.126); a criação da campanha nacional de incentivo à doação de cabelo para pessoas com câncer e vítimas de escalpelamento (Lei 15.127) e a isenção de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) dos cosméticos, perfumes e itens de higiene pessoal produzidos de forma artesanal (Lei 15.154).

Guardas municipais

Com votação concluída pelo Plenário em maio, a PEC 37/2022 inclui as guardas municipais e os agentes de trânsito entre os órgãos de segurança pública previstos na Constituição Federal. De autoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), o texto recebeu voto favorável do senador Efraim Filho (União-PB) e seguiu para a Câmara dos Deputados.

Também aprovado pelo Plenário, o PL 4.558/2019 garante tratamento integral no SUS a vítimas de queimaduras. Serão assegurados às vítimas de queimaduras todos os meios necessários para a reabilitação física, estética, psíquica, educacional e profissional, com o propósito de inclusão na sociedade.

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De iniciativa do deputado Marreca Filho (PRD-MA), o projeto foi votado na forma de um texto alternativo do senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Como foi modificada no Senado, a matéria retornou para nova análise da Câmara dos Deputados.

Um balanço das propostas voltadas à proteção e cuidado com as crianças e adolescentes, aprovadas pelos senadores no primeiro semestre, é assunto de uma matéria especial da Agência Senado

O novo marco do licenciamento ambiental integra outra reportagem especial da Agência sobre a lista de projetos voltados ao meio ambiente aprovados pelo Plenário no semestre. Com a votação finalizada pelo Senado e pela Câmara em julho, o PL 2.159/2021 aguarda sanção presidencial.

Mais aprovações dos senadores no semestre sobre diferentes temas: 

Saneamento: Senado insere na Constituição o direito ao saneamento básico 

Saúde: Lei obriga emissoras públicas a divulgar campanhas de saúde 

Ambiente: Aprovada proposta que eleva o Pantanal-Sul-Matogrossense a patrimônio nacional

Social: Lei destina R$ 118 milhões para apoio ao Rio Grande do Sul

Educação: Aprovado acordo educacional entre Brasil e Mongólia

Saúde: Sancionada política para doenças inflamatórias intestinais

Economia: Senado aprova atualização de acordo com a Suécia para evitar dupla tributação

Direito do consumidor: Projeto que regula percentual de cacau em chocolates segue para a Câmara 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova proposta para regularização de terras ocupadas antes da criação de áreas protegidas

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2548/25, que garante o direito de propriedade para moradores que já ocupavam locais antes de serem transformados em áreas de proteção ambiental (APAs). A proposta assegura a posse da terra para quem ocupava esses locais de boa-fé antes da mudança no regime jurídico da área.

De autoria da deputada Julia Zanatta (PL-SC), o texto altera a Lei 13.465/17, que trata de regularização fundiária. Para ter o direito garantido, as atividades desenvolvidas pelos moradores deverão ser compatíveis com as regras de conservação da unidade. O projeto deixa claro que a medida não se aplicará a unidades de proteção integral, onde a moradia humana é restrita.

O relator, deputado Pezenti (MDB-SC), recomendou a aprovação da medida. “A proposição atende à necessidade de preservação ambiental e ao direito constitucional à propriedade e à moradia, promovendo justiça social e segurança jurídica para milhares de famílias brasileiras”, disse.

Critérios
A regularização dependerá de alguns requisitos:

  • comprovação de ocupação legítima e contínua antes da criação da APA;
  • exercício de posse direta e sem oposição, com destinação residencial, comercial ou produtiva compatível com a legislação ambiental; e
  • inexistência de sentença judicial definitiva determinando a desocupação da área.
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APA da Baleia Franca
O projeto também determina a revisão do plano de manejo da APA da Baleia Franca, em Santa Catarina, criada para proteger a baleia-franca-austral.

Com a revisão, Julia Zanatta pretende estabelecer medidas de compensação ambiental para garantir a sustentabilidade da APA e ainda promover a integração das comunidades locais em sua gestão. O texto também prevê o redesenho do polígono da área.

Próximos passos
Antes da Comissão de Agricultura, o projeto foi rejeitado pela Comissão de Desenvolvimento Urbano. Agora seguirá para análise das comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário da Câmara.

Para virar lei, o texto precisa ser aprovado pelos deputados e pelos senadores.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Noéli Nobre
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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