POLÍTICA NACIONAL

Projetos de créditos de R$ 320 milhões para Judiciário e TCU vão a sanção

O Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira (18) R$ 320 milhões para o Poder Judiciário federal, Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério Público da União (MPU). Um dos principais objetivos será a compra ou a construção de edifícios para a sede dos órgãos.

Para isso, ainda precisam ser sancionados pelo presidente da República os projetos de lei do Congresso Nacional (PLN) 17, 18, 20, 32, 33 e 34, todos referentes à abertura de créditos adicionais (especiais ou suplementares). Os recursos serão obtidos da anulação de outras despesas previstas no Orçamento.

O maior valor (R$ 224,4 milhões) será para o Conselho Nacional de Justiça (CJ) comprar o edifício-sede, com a previsão de abranger a infraestrutura completa e necessária às suas atividades. O CNJ é o órgão central de planejamento e gestão do Poder Judiciário, com a missão de tornar efetiva a atuação da justiça em âmbito nacional.

Judiciário

A Justiça Federal terá R$ 78 milhões de créditos adicionais, que poderão ser utilizados nas seguintes ações:

  • R$ 35,8 milhões na aquisição de edifícios-sede em Teresópolis (RJ), Itapeva (SP), Osasco (SP) e Mafra (SC) e para a aquisição de um imóvel para estacionamento em São João da Boa Vista (SP);
  • R$ 31 milhões para a aquisição de solução de “backup” — armazenamento de dados — para as sedes em todo o Brasil;
  • R$ 9,7 milhões para reformas em prédios da Justiça Federal em Salvador (BA), Porto Alegre (RS) e Goiânia (GO);
  • R$ 1 milhão para despesas diversas do Tribunal Regional Federal da 6ª Região, sediado em Belo Horizonte (MG);
  • R$ 500 mil para estudos técnicos da construção futura da nova sede da Justiça Federal em Joinville (SC).
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Já a Justiça do Trabalho terá R$ 12,6 milhões para construção e projetos de construção dos edifícios-sede do Fórum Trabalhista de Passo Fundo (RS) e de Mirassol D’Oeste (MT).

A Justiça Eleitoral disporá de R$ 5,1 milhões para reformas, compras de veículos elétricos e notebooks nos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Bahia.

Outros órgãos

O TCU terá R$ 835 mil para arcar com a ajuda de custo para moradia de agentes públicos, em todo território nacional. O valor também servirá para a indenização de representação no exterior aos servidores do órgão que atuam em Nova York (EUA), no Comitê de Operações de Auditoria do Conselho de Auditores da Organização das Nações Unidas (ONU).

Já o MPU também será beneficiado com R$ 25,5 milhões para o pagamento de pessoal ativo e de aposentadorias, além de pensões no âmbito dos Ministérios Públicos Federal, do Trabalho, do Distrito Federal e dos Territórios.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Em relatório, IFI aponta que despesas do governo continuam crescendo

O principal desafio atual do Brasil é fazer avançarem as políticas públicas de setores essenciais, como educação, saúde e segurança pública, e ao mesmo tempo ampliar os investimentos em infraestrutura e ciência e tecnologia, em um quadro de “extremo engessamento orçamentário”. A observação consta do Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de agosto, publicado pela Instituição Fiscal Independente (IFI) nesta quinta-feira (20).

O documento aponta que continuam crescendo “contínua e velozmente” as despesas do governo, tanto as obrigatórias quanto as “discricionárias rígidas”, aquelas que não são obrigatórias, mas que na prática o governo não pode cortar.

Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (20), o diretor da IFI, Alexandre Andrade, disse que o relatório aponta uma piora do déficit primário estrutural ao longo dos dois primeiros trimestres de 2026, basicamente por causa de uma pressão maior de despesas, apesar do crescimento da receita.

— Os números mostram que o cumprimento da meta fiscal de 2026 ficou um pouco mais folgado. Os números das avaliações bimestrais anteriores já mostravam que o governo conseguiria cumprir a meta fiscal. Isso ficou um pouco facilitado depois do choque do preço do petróleo, em razão do conflito no Irã, porque as receitas do governo aumentaram muito, principalmente em maio, junho e julho. Então, devem garantir um cumprimento com relativa folga — afirmou.

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Andrade avaliou que, com um cenário de petróleo mais caro e receitas mais favoráveis, o governo deverá cumprir a meta do ano.  

— A questão maior que se coloca é para o ano que vem. Isso tende a se esgotar ao longo do tempo. As receitas não vão conseguir crescer indefinidamente nos próximos anos — previu.

“Horizonte desejável” 

A IFI, órgão vinculado ao Senado, estima um déficit estrutural de 1,4% do PIB até o segundo trimestre de 2026. A instituição reconhece no relatório que a equipe econômica vem se empenhando na gestão do cotidiano da execução orçamentária para melhorar os resultados fiscais. Destaca, no entanto, que o horizonte desejável para o futuro do país impõe um ajuste estrutural mais profundo e sustentável.

O estudo da IFI concentra a análise nos dados e informações do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias (RARDP) relativo ao terceiro bimestre de 2026. Esse documento embasa as projeções constantes do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA 2027), a ser enviado à Comissão Mista de Orçamento (CMO) até o próximo dia 31.

De acordo com a IFI, o quadro geral permanece inalterado, apesar de afetado por fatores específicos – aceleração do pagamento de emendas parlamentares em função da legislação eleitoral; queda das despesas com o Bolsa Família; e o aumento das receitas derivadas da alta dos preços do petróleo, a partir de maio, consequência do conflito no Oriente Médio.

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O governo central produziu um déficit primário efetivo, nos sete primeiros meses do ano, de R$ 81,2 bilhões. Se, por um lado, a receita líquida registrou aumento significativo de 6,0%, acima da inflação, por outro as despesas subiram 6,3%, em termos reais, aponta o relatório. Tanto a IFI quanto o governo projetam um déficit primário efetivo em torno de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.

O cumprimento formal da meta fixada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 será alcançado após as deduções legais de despesas, que somam entre R$ 62,8 bilhões (governo) e R$ 69,8 bilhões (IFI), além do uso do intervalo de tolerância legalmente previsto. O centro da meta deste ano corresponde a um superávit primário de 0,25% do PIB, ou R$ 34,3 bilhões.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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