POLÍTICA NACIONAL

Governo aprimorou alerta contra desastres, disse ministro na CDR

A Comissão de Desenvolvimento Regional (CDR) recebeu, na terça-feira (8), o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, e seus secretários. A audiência pública expôs os desafios para contornar os danos causados pelas chuvas e os resultados alcançados pelo ministério, inclusive com o aumento de alertas de desastres.

Os alertas emitidos pelo governo federal aumentaram quase 14 vezes entre 2022 e 2024, segundo o ministro. Em 2025, os alertas já se aproximam do total emitido em 2024. Trata-se da ferramenta Defesa Civil Alerta, que usa o celular para avisar pessoas sobre risco de alagamentos, enxurradas e outros desastres naturais. O ministro afirmou que a sua pasta expandiu o projeto, que depende da integração com os municípios e os estados.

— Nesse segundo semestre, o Brasil terá 100% de cobertura dessa política. Já disponibilizamos esse sistema para todo o Sul e Sudeste […] A gente não pode alertar uma comunidade de um risco e aquela prefeitura não ter um plano de contingência. Se as pessoas ali não tiverem sinalização da área, não souberem por onde devem sair e onde devem se proteger, você vai criar um desastre dentro do desastre — afirmou.

Segundo Goés, a ferramenta é uma parceria de sua pasta com as operadoras de telefonia, Ministério das Comunicações, Defesa Civil Nacional e Agência Nacional de Telecomunicações.

A audiência pública atendeu a requerimento da senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), presidente do colegiado (REQ 2/2025 – CDR).

Estradas de terra

Alguns ministérios não aceitam receber dinheiro de emendas parlamentares para cuidar de estradas de terra no interior, segundo a senadora Dorinha. As chuvas reduzem a durabilidade dos cascalhos comumente utilizados para melhorar a estrada, o que prejudica a avaliação diante dos órgãos de controle.

— É como secar gelo. Tem ministério que nem aceita emenda parlamentar porque, na hora da fiscalização, às vezes o dinheiro que foi colocado naquele investimento já “derreteu”. A chuva leva todo o investimento… A estrada tem que ser boa. No Jalapão, [tem que ser boa] para o turista e para quem mora lá, que é quem morre por mordida por cobra. É a mulher que morre de parto porque não teve condição de sair e chegar em tempo — disse.

O ministério já não realiza obras de cascalhamento com amparo em manifestação do Tribunal de Contas da União (TCU), segundo o ministro. A solução encontrada é uma pavimentação mais barata que o asfalto comum, mas que usa revestimento com impermeabilização.

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— É meio imprevisível a quantidade de chuva que cai e o estrago que faz, aí você perde todo aquele trabalho… A alternativa que estamos oferecendo, acho que ainda agora neste segundo semestre, é que a gente vai poder oferecer essa solução de pavimentação de baixo custo — informou Goés.

Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul recebeu, no ano passado, cerca de R$ 3,6 bilhões da pasta em razão das enchentes que ocorreram a partir de abril de 2024. O valor corresponde a cerca de 10% de todo o valor enviado pelo governo federal, considerando os gastos correntes, que não precisam ser devolvidos pelo beneficiado.

Goés afirmou que o governo previa inicialmente 250 mil famílias a serem beneficiadas, mas foram mais de 700 mil. Só em auxílio-reconstrução, por exemplo, foram gastos R$ 2,2 bilhões.

Seca

O senador Alan Rick (União-AC) apontou que o Acre também sofreu com o desabamento da estação de tratamento de água na capital Rio Branco em 2024. O senador elogiou a atenção que Goés deu ao estado mesmo com a tragédia no Rio Grande do Sul. Rick ainda afirmou que a falta de chuva é um problema para o Acre.

— O Acre enfrenta uma enchente grave e três meses depois uma seca grave. O Rio Acre, por exemplo, que já chegou a 19 metros, está com 1,90 metro. 

O governo acreano chegou a decretar estado de emergência em julho de 2024 em razão da estiagem do período, que elevou o risco de desabastecimento de água. Entre 2023 e 2025, foram 8.179 normas federais de reconhecimento de calamidade com estiagem e inundação, envolvendo mais de três mil municípios.

No âmbito do novo Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), o governo concluiu oito obras de infraestrutura hídrica. Ainda está construindo 35 e não iniciou 28 dos projetos previstos.

Saneamento básico

Rick e Dorinha questionaram os avanços no tratamento de água e esgoto em seus estados, uma das responsabilidades do ministério. A terceirização dos serviços de saneamento não supriu a necessidade em alguns municípios menores, segundo Dorinha.

— A população, em muitos casos, tem pago uma taxa muito alta de água, com atendimento muito ruim, e muitos lugares sem [serviço]. Muitas empresas têm interesse na parte lucrativa, o “filé”, mas a parte que tem ficado para o atendimento dos pequenos municípios está com muito problema. Dou o exemplo da Agência Tocantinense de Saneamento, empresa local do estado: ela nunca tem recurso. Nós colocamos equipamento, mas ela nunca tem recurso.

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O diretor da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, Marcelo Medeiros, afirmou que o órgão ainda está elaborando normas para padronizar o saneamento básico no país. A agência produziu 14 normas desde 2020 quando passou a ter a atribuição, segundo o novo Marco Legal do Saneamento Básico. O órgão agora colhe informações da sociedade para criar regras sobre tarifas mais baratas para pessoas de baixa renda.

Crédito

Os fundos constitucionais que emprestam dinheiro para o desenvolvimento do Norte, Nordeste e Centro-Oeste devem crescer cerca de 35% desde 2022. A estimativa é do secretário nacional de Fundos, Eduardo Corrêa Tavares. São R$ 73 bilhões previstos para 2025.

— Os fundos constitucionais são o principal instrumento da redução de desigualdades nas três regiões hoje — disse.

Pequenos negócios

A maior parte dos empréstimos são para micro e pequenos empresários, conforme informou Tavares. A chefe da Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste, Luciana Barros, afirmou que o órgão aumentou em seis vezes a procura de financiamento feita por mulheres no âmbito do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste.

— [Os financiamentos auxiliam] o empreendedorismo feminino, para que as mulheres possam sair da informalidade. Elas, às vezes, estão trabalhando com um salão dentro de casa, trabalham com doces, bolos, fabricações caseiras, e começam a se industrializar. Nós saímos de R$ 500 milhões para R$ 2,8 bilhões implementados.

Já o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte dedicará 40% de seus recursos para pequenos e médios empreendedores, disse o superintendente do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e ex-senador Paulo Rocha. 

A senadora Dorinha criticou a dificuldade que parlamentares do Tocantins tiveram ao destinar emendas parlamentares à Sudam.

— Alguns anos atrás, nós, parlamentares, colocamos recursos para a Sudam. Foi um caos, porque nós colocamos recurso, mas não saía, muitos municípios perderam esses recursos… Nunca mais colocamos.

Os fundos de financiamento e as superintendências para o desenvolvimento regional compõem duas das quatro secretarias do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, além da secretaria-executiva, da defesa civil e da segurança hídrica.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Davi: Congresso vai analisar em breve vetos que impedem transferências a municípios

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, afirmou nesta terça (19) que podem ser derrubados em breve os vetos presidenciais que impedem os municípios inadimplentes de até 65 mil habitantes de celebrar convênios para receber recursos federais (VET 51/2025). 

Com esse objetivo, ele informou que deverá convocar logo uma sessão conjunta do Congresso para analisar esses vetos.

— Eu e o presidente da Câmara, Hugo Motta, vamos ainda hoje, juntamente com os líderes do Congresso e do governo, organizar uma sessão do Congresso Nacional para que possamos analisar e derrubar esses vetos, e assim entregar para mais de três mil municípios a possibilidade de acessarem mais recursos do Estado brasileiro — declarou.

Davi fez o anúncio durante a 27ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, evento promovido pela Confederação Nacional de Municípios que reúne  milhares de prefeitos e outros gestores municipais.

— São mais de cinco mil municípios que têm menos de 65 mil habitantes. Desses, mais de 3,1 mil estão hoje inadimplentes, sem poder acessar os convênios de recursos apresentados pelo governo federal, por programas do governo e de recursos de transferências de emendas parlamentares — disse.

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O senador também defendeu maior autonomia para as administrações locais.

— Se queremos mais eficiência nas políticas públicas, precisamos imediatamente dar mais autonomia aos municípios brasileiros — argumentou.

Estavam presentes no evento o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; vários ministros, como José Guimarães (da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República); o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta; vários governadores; e o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski.

Veto orçamentário

O VET 51/2025 contém vetos parciais da Presidência da República à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026 — que havia sido aprovada pelo Congresso no final do ano passado.

O Executivo rejeitou os dispositivos que autorizavam os municípios inadimplentes de até 65 mil habitantes a celebrar convênios para receber recursos federais (mas, mesmo com os vetos, ainda há exceções que permitem que tais municípios recebam determinadas verbas da União).

Ao todo, 44 dispositivos da LDO foram vetados sob as justificativas de inconstitucionalidade, contrariedade ao interesse público, contrariedade à Lei de Responsabilidade Fiscal e invasão de matéria reservada a lei complementar.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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