POLÍTICA NACIONAL
CRE: assinatura de acordo Mercosul e União Europeia é esperada para dezembro
Aguardado há 25 anos, o Acordo de Parceria entre o Mercosul e a União Europeia foi debatido nesta terça-feira (21) na Comissão de Relações Exteriores (CRE). Os senadores buscaram informações sobre as perspectivas para a assinatura, ratificação e entrada em vigor do documento. Embaixadores ouvidos esperam que o documento seja assinado em dezembro deste ano.
Os dois blocos, que reúnem cerca de 700 milhões de pessoas e um produto interno bruto (PIB) de US$ 22 trilhões, deverão firmar dois textos: um primeiro de natureza econômica-comercial, que é de vigência provisória, e um acordo completo.
— A nossa reunião quer medir o pulso e a temperatura dessa negociação que perdura há muitos anos. O propósito do Brasil não mudou, o propósito da União Europeia é que se espera que convirja, que venha ao encontro da nossa aspiração — disse o senador Esperidião Amin (PP-SC) ao abrir os trabalhos.
Embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf salientou que tanto no Mercosul, como na União Europeia, os Parlamentos têm papel fundamental na aprovação do acordo, que está se aproximando da sua conclusão.
— Agora que a Comissão Europeia transmitiu o texto ao Conselho. A proposta da comissão para conclusão e assinatura inclui dois instrumentos paralelos. [O primeiro, um] acordo de parceria completo, sujeito à ratificação por todos os estados-membros da União Europeia e os respectivos parlamentos nacionais e em alguns casos como a da Bélgica, parlamentos subnacionais. E o outro instrumento seria o acordo comercial provisório, abrangendo apenas os assuntos de competência exclusiva da União Europeia, a ser adotado pelo Conselho Europeu com votação por maioria qualificada — disse a embaixadora.
Pelo menos 15 dos 27 países precisam aprovar, representando pelo menos 65% da população total da União Europeia. Além disso, o Parlamento Europeu também tem que aprovar o acordo com votos favoráveis de 50% dos deputados mais um. Quando o acordo de parceria completo entrar em vigor, ele substituirá o acordo comercial provisório.
Segundo Marian Schuegraf, o processo é complexo, diante da união de 27 países com 24 línguas oficiais e vários níveis de governança.
— Este acordo vantajoso para ambas as partes abrirá oportunidade de crescimento sustentável e reforçará a nossa amizade de longa data e os nossos valores comuns. Tempos voláteis e imprevisíveis para o comercio internacional valorizam parceiros fiáveis e com ideias semelhantes, como a União Europeia e o Mercosul. E por isso, que o nosso acordo, com seus aspectos políticos e comerciais estabelece um quadro de importância estratégica. Perder essa oportunidade seria um erro colossal, que afetaria gerações futuras — enfatizou a embaixadora.
“Mercosul pronto“
Por videoconferência de Bruxelas, o embaixador do Brasil junto à União Europeia Pedro Miguel da Costa e Silva afirmou que o Mercosul “está pronto há um bocado de tempo”. Neste momento, está sendo terminado trabalho de tradução, a revisão legal. São 24 idiomas, em um trabalho complexo, em que a tradução é feita pela comissão e depois verificada pelo conselho, segundo explicou. As negociações para o acordo findaram em dezembro do ano passado.
— Se der tudo certo e o Conselho Europeu aprovar esses dois acordos, esperamos, em meados de dezembro, nós então podemos proceder à assinatura de ambos os textos no Brasil, antes do fim do ano, e posteriormente a essa assinatura, os textos irão ao Parlamento Europeu e, sendo aprovado, o acordo econômico-comercial pode entrar em vigor pouco tempo depois. Já a parte completa, que envolve a competência dos 27 países membros pode demorar vários anos, por isso é importante essa divisão do acordo.
No caso do Mercosul, o acordo entrará em vigor individualmente, após a aprovação dos respectivos parlamentos nacionais, ou seja, não é preciso esperar a aprovação dos quatro parlamentos. E o tempo e o ritmo em que isso entrará em vigor no Brasil dependerá de decisões políticas do Executivo e do Legislativo, segundo o embaixador.
Para Costa e Silva, há boas chances de aprovação no Conselho Europeu, mas ainda se trabalha na formação de consenso. Alguns países já declaram abertamente seu voto, outros reservam posição e outros têm posições nacionais ainda divididas.
— Já o Parlamento europeu está bastante dividido. As informações que eu recebo é que haverá votos suficientes para aprovar, mas será uma votação apertada, porque há grupos políticos que dão seu apoio firme e há outros que estão divididos. Acho que a posição nacional adotada pelos governos nacionais também terá um impacto sobre o padrão de voto dos parlamentares — expôs Costa e Silva.
Agricultura
Segundo o embaixador, há uma visão distorcida, falaciosa, do que é o acordo em termos de agricultura, o que foram as concessões para os países do Mercosul e qual será o impacto desse acordo para a agricultura europeia. Para o embaixador, o acordo se transformou num tema de política interna, não mais política externa.
— E é difícil ter um debate baseado em fatos objetivos, para explicar o acordo, mas é isso o que nós estamos tentando fazer aqui. […] Para explicar o acordo e garantir a eles que nós já cumprimos com todos os requisitos de qualidade e que já somos o principal fornecedor para o mercado europeu. Então, não deveria ter nenhuma dúvida. Mas é uma discussão complexa porque é de natureza política — diz o embaixador brasileiro.
Vice-presidente da CRE, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) reconheceu que há “pontos irritantes entre os blocos” e com certeza a agricultura é um deles, segundo ela.
— Esse acordo será fundamental, muito bom, para os dois blocos. Todo mundo terá ganhos: uns mais imediatos e outros a longo prazo. Mas será a o maior acordo comercial já assinado entre blocos — expôs Tereza Cristina.
Para a senadora, é precisa haver, na esfera política, mais confiança entre os dois blocos. Ela reforçou ainda que o Brasil é um porto seguro de fornecimento de alimentos para a Europa, diante de uma agricultura moderna, avançada, tecnológica, sustentável e com as melhores práticas de produção.
Para o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), é importante que se compreenda que cada bloco tem o seu potencial e o que procura é o benefício-mútuo.
— Não é necessariamente uma relação ganha-ganha em termos monetários-financeiros. É uma relação ganha-ganha em termos de tudo aquilo que é gerado para ambos os grupos. Óbvio, há uma heterogeneidade entre os dois grupos. Essa heterogeneidade pode levar a uma complementaridade: a pujança industrial que a EU possui, a capacidade de investimento, de inovação, mas aqui do lado de cá temos uma grande capacidade de produção e inovação na produção de alimentos, que é algo fundamental no mundo de hoje.
Facilitadora
Na presidência rotativa do Conselho da União Europeia, a Dinamarca tem como papel facilitar o processo de decisão interna, no Conselho de Ministros e nos seus órgãos de apoio, segundo a embaixadora do país escandinavo no Brasil, Eva Bisgaard Pedersen. Ela também afirmou que esperam para dezembro a assinatura do acordo entre os blocos.
Segundo a embaixadora, o sucesso econômico da Dinamarca se deve à exposição a concorrência externa, através da abertura comercial a outros mercados e uma politica que estimula a inovação. Ela disse que gostariam de ver “ainda mais tecnologia vindo do Mercosul para a Europa, como uma forma de diversificar as nossas cadeias de valor e de ficarmos ainda mais competitivos nos dois lados do Atlântico”.
A pauta da competitividade e o acordo comercial com o Mercosul são prioridades máximas para a presidência dinamarquesa, disse a embaixadora, ao destacar que a UE é o maior investidor estrangeiro no Brasil, com 39% dos investimentos diretos. Em 2023, os investimentos ultrapassaram R$ 3 trilhões. Desde 2020, eles vêm crescendo a uma taxa média de 11% ao ano.
— Não acreditamos nos ‘tarifaços’ ou no protecionismo. Não só porque vão contra o multilateralismo, mas também porque não faz sentido econômico. Acreditamos que o acordo entre os dois blocos pode ser um catalisador de crescimento e prosperidade para todas as sociedades que comporão esta nova aliança — disse Eva Pedersen.
Portugal
A CRE aprovou requerimento (REQ 31/2025 – CRE) do senador Esperidião Amin (PP-SC) para uma audiência pública sobre as consequências à comunidade de cidadãos brasileiros residentes em Portugal da promulgação da nova Lei dos Estrangeiros, em 16 de outubro.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Promulgada lei que possibilita redução de penas pelo 8 de janeiro
O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, promulgou nesta sexta-feira (8) a Lei da Dosimetria (Lei 15.402, de 2026), que permite a redução de penas relacionadas aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
O chamado PL da Dosimetria (PL 2.162/2023) havia sido vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 8 de janeiro deste ano. O veto foi derrubado em sessão do Congresso Nacional no dia 30 de abril. Alguns pontos do projeto, no entanto, permaneceram vetados para evitar a extensão da progressão de pena a outros crimes, como aqueles previstos na Lei Antifacção, sancionada em março passado.
Entenda, a seguir, os efeitos da nova lei:
Quem será beneficiado
Beneficiados, em tese, pela lei, os réus do 8 de janeiro foram condenados em sua maioria pelos seguintes crimes: tentativa de abolição violenta do Estado democrático de direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
De acordo com balanço divulgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), até abril de 2026 1.402 pessoas haviam sido condenadas pelos atos de 8 de janeiro. Desse total, 431 foram condenados a penas de prisão, que poderão ser reduzidas coma nova lei. Outras 419 cumprem penas alternativas e 552 firmaram acordos de não persecução penal, possíveis no caso de crimes mais leves.
No chamado “Núcleo 1” de condenados, considerado o “núcleo crucial” de tentativa de golpe de Estado, figuram o ex-presidente Jair Bolsonaro (27 anos e 3 meses de prisão); os ex-ministros Walter Braga Netto (26 anos de prisão), Anderson Torres (24 anos de prisão), Augusto Heleno (21 anos de prisão) e Paulo Sérgio Nogueira (19 anos de prisão); o ex-comandante da Marinha Almir Garnier (24 anos de prisão); o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do presidente (2 anos de reclusão); e o deputado federal e ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem (16 anos de prisão). Este último se encontra nos Estados Unidos e é considerado foragido.
Como funciona a redução de penas
Pela nova lei, em situações nas quais vários crimes contra o Estado são cometidos em um mesmo contexto, como no 8 de janeiro, em vez de somar todas as penas acumuladas, o juiz deve aplicar apenas a punição mais grave. Com isso, o tempo de condenação pode ser muito menor.
Como exemplo, uma pessoa condenada às penas máximas pelos dois crimes teria uma pena total de 20 anos (8 anos pela abolição violenta do Estado democrático de direito, mais 12 anos pelo crime de golpe de Estado). Com a nova regra, a pena total será de 12 anos, pena máxima do crime mais grave.
Além disso, a lei promulgada ainda traz mais um benefício para condenados por esses crimes, quando forem cometidos em “contexto de multidão” — como o dos atos de 8 de janeiro, em que as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas —, a pena será reduzida em um terço a dois terços, desde que o condenado não tenha financiado ou exercido papel de liderança. Como o ex-presidente Bolsonaro foi apontado como líder da trama golpista durante o julgamento pelo STF, ele pode não ser beneficiado por essa regra específica.
A redução das penas não é automática. A definição dos novos tempos de condenação deve ocorrer quando a defesa de cada um dos condenados ingressar com o pedido para que o STF revise o cálculo da sentença com base na nova legislação.
Lei Antifacção
O presidente Davi Alcolumbre excluiu do veto ao PL da Dosimetria alguns dispositivos que tratavam da progressão de regime prevista na Lei de Execução Penal. Ao retirar os trechos da votação, o presidente do Senado explicou que a medida evitaria conflito com a Lei Antifacção, sancionada em março, que endureceu as regras para crimes como milícia privada, feminicídio e crimes hediondos.
Com a exclusão desses trechos, não há alterações nos percentuais para a progressão de pena, ou seja: a mudança do preso para um regime menos rigoroso, que poderá ser determinada pelo juiz.
Embora os percentuais de progressão permaneçam os mesmos para a maior parte dos presos, a Lei da Dosimetria concedeu mais um benefício para os envolvidos em crimes contra o Estado democrático de direito: mesmo que sejam reincidentes e que os crimes tenham sido cometidos com violência ou grave ameaça, eles terão a progressão com o cumprimento de apenas um sexto da pena.
Veja como ficam os tempos de progressão para os demais apenados:
Progressão de pena: percentuais da nova Lei da Dosimetria |
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Regra geral: cumprimento de 1/6 da pena |
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Reincidente não violento: cumprimento de 20% da pena |
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Primário violento: cumprimento de 25% da pena |
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Reincidente violento: cumprimento de 30% da pena |
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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