POLÍTICA NACIONAL

Brasil precisa ter plano para redefinir posição no mundo, aponta debate na CRE

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A redefinição da ordem global — com o enfraquecimento do multilateralismo, tensões entre grandes potências e uso político de sanções econômicas contra países — foi o ponto de partida da audiência pública promovida nesta terça-feira (23) pela Comissão de Relações Exteriores (CRE).

Na avaliação de participantes do debate, o Brasil deve definir um plano estratégico para se reposicionar nesse cenário global em ebulição.

Convidado a falar aos senadores, o presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), Rubens Barbosa, defendeu que o país elabore um documento nacional de referência para orientar sua posição no mundo, com visão de médio e longo prazos. 

O debate foi convocado a partir de requerimento (REQ 15/2025 – CRE) do presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que ressaltou a urgência do reposicionamento do país no contexto internacional.

— Vivemos um momento singular de transição na ordem global. Os objetivos nacionais definidos na Constituição (soberania, desenvolvimento e segurança)  devem ser perseguidos com os meios e recursos disponíveis da forma mais eficaz possível — disse Trad.

Documento estratégico

Rubens Barbosa, que foi embaixador do Brasil em Londres e Washington, explicou que a ausência de reflexão estruturada sobre o Brasil como ator internacional motivou a elaboração, pelo Irice, do texto Uma Estratégia para o Brasil – o lugar do Brasil no mundo.

O documento parte da constatação de que outros países — como Estados Unidos, França, Reino Unido, Japão, China e Índia — possuem relatórios oficiais com definições estratégicas, enquanto o Brasil se limita a diretrizes setoriais de defesa.

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— Vivemos um momento muito delicado, tanto na economia quanto na ordem política. A globalização sofreu ajustes, a pandemia e as guerras mostraram vulnerabilidades, e hoje prevalece uma verdadeira lei da selva. O Brasil não tem um documento que reflita as prioridades e anseios internos e externos. Por isso, elaboramos esse estudo como provocação, para estimular o debate de forma realista, sem ideologias — afirmou o ex-embaixador.

O texto está estruturado em quatro capítulos: as transformações geopolíticas globais e o lugar dos países em desenvolvimento; os objetivos nacionais e as vulnerabilidades brasileiras; a inserção internacional desejada; e uma estratégia por regiões (América do Sul, Ásia, Europa e África).

Ciência, tecnologia e educação

O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) destacou a convergência entre a proposta de Barbosa e a necessidade de o Brasil investir em ciência e tecnologia como eixo de desenvolvimento.

— Todos os países desenvolvidos tiveram uma receita comum: educação de qualidade voltada para inovação, ciência e tecnologia. O Brasil precisa ter metas de longo prazo. Não é uma questão de governo, é uma questão de Estado — enfatizou.

Segurança alimentar e agronegócio

Para o senador Chico Rodrigues (PSB-RR), a posição estratégica do Brasil também está diretamente vinculada ao papel de provedor global de alimentos.

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— Alimentamos quase 800 milhões de pessoas por dia a partir dos derivados da soja e temos o maior rebanho bovino do mundo. Isso é proteína pura e de que o mundo precisa. Mesmo cultivando um terço da área de países como China, Rússia, Índia e Estados Unidos, temos desempenho superior — pontuou.

Relação com grandes potências

O senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) enfatizou que o Brasil precisa equilibrar sua inserção em um cenário de rivalidade entre Estados Unidos e China.

— Hoje vejo que estamos metidos no meio desse conflito. A China começa a se desfazer de papéis da dívida pública americana, e isso terá reflexos inclusive no nosso agronegócio. O desafio é retomar um relacionamento coerente, com a preservação da amizade de mais de 200 anos com os norte-americanos — observou.

Projetos de Estado

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) reforçou a avaliação de que o Brasil perde oportunidades no cenário internacional por falta de continuidade estratégica.

— Não podemos viver apagando incêndios. A polarização política deixa na sombra temas fundamentais. O Brasil hoje sequer consegue liderar a América do Sul. Tivemos no passado uma política ativa com a África, que foi abandonada, e perdemos espaço. Precisamos de projetos de Estado, não de governo — disse.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Conheça os 54 senadores eleitos neste domingo

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Neste domingo (4), os eleitores do país escolheram 54 senadores. Eles terão mandato de oito anos, entre 1º de fevereiro de 2027 e 31 de janeiro de 2035. Para saber mais sobre os eleitos, clique nos links de cada estado na tabela abaixo.

Senadores eleitos por estado

Acre Marcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos)
Alagoas Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB)
Amapá Rayssa Furlan (Podemos) e Lucas Barreto (PSD)
Amazonas Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB)
Bahia Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT)
Ceará Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins (Rede)
Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL)
Espírito Santo Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos)
Goiás Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União) 
Maranhão André Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo)
Mato Grosso Mauro Mendes (União) e Zé Medeiros (PL) 
Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL)
Minas Gerais Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT) 
Pará Helder Barbalho (MDB) e Chicão (União)
Paraíba João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB)
Paraná Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) 
Pernambuco Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT)  
Piauí Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD)
Rio de Janeiro  Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL)
Rio Grande do Norte Styvenson Valentim (Podemos) e Samanda de Lula (PT)
Rio Grande do Sul Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo)
Rondônia Dr. Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL)
Roraima Nicoletti (PL) e Teresa Surita (MDB) 
Santa Catarina Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL)
São Paulo Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL)
Sergipe  Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB)
Tocantins Eduardo Gomes (PL) e Alexandre Guimarães (MDB)
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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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