OPERAÇÃO SEPULCRO CAIADO
TJMT retira tornozeleira de ex-vereador investigado em esquema de desvio da Conta Única
Luís Cláudio de Castro Sodré continuará submetido às demais medidas cautelares; investigação apura supostas fraudes contra o Judiciário de Mato Grosso

A Terceira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) determinou a retirada da tornozeleira eletrônica de Luís Cláudio de Castro Sodré, ex-vereador de Cuiabá e servidor de carreira do Judiciário estadual, investigado no âmbito da Operação Sepulcro Caiado.
A decisão foi tomada em habeas corpus apresentado pela defesa. Os desembargadores entenderam que, apesar da gravidade dos fatos investigados, não foram demonstrados elementos atuais e individualizados que justificassem a continuidade do monitoramento eletrônico.
O colegiado também considerou que Luís Cláudio vinha cumprindo as medidas cautelares impostas e que não havia registro de descumprimento durante o período de vigência. As demais restrições determinadas pela Justiça foram mantidas.
A Operação Sepulcro Caiado apura um suposto esquema de fraudes envolvendo recursos da Conta Única do Poder Judiciário de Mato Grosso. A investigação inicialmente apontou desvios na ordem de R$ 21 milhões. Em outros desdobramentos do caso, o valor atribuído ao prejuízo investigado chegou a cerca de R$ 40 milhões.
Luís Cláudio é servidor de carreira do TJMT e atuou no setor responsável por depósitos judiciais. Registros funcionais do próprio Tribunal confirmam que ele esteve lotado no Departamento da Conta Única e, posteriormente, no Departamento de Depósitos Judiciais.
Medidas continuam em vigor
Em novembro de 2025, a Justiça havia determinado o monitoramento eletrônico e outras restrições ao ex-vereador em razão das suspeitas investigadas na operação. Entre as medidas estavam o comparecimento periódico em juízo, restrições para deixar Cuiabá e proibição de contato com outros investigados ou testemunhas.
Luís Cláudio também foi afastado administrativamente, teve bloqueado o acesso aos sistemas internos do Judiciário e passou a responder a uma sindicância.
A investigação aponta que empresas vinculadas aos investigados teriam sido utilizadas para ajuizar cobranças com valores supostamente superfaturados. A apuração também menciona uso de procurações e comprovantes de pagamento que teriam sido adulterados para possibilitar a expedição de alvarás e o levantamento de recursos.
As acusações ainda estão em apuração, e a retirada da tornozeleira não representa julgamento sobre a responsabilidade de Luís Cláudio pelos fatos investigados.
Defesa questionou necessidade da tornozeleira
No habeas corpus, a defesa sustentou que os fatos atribuídos ao ex-vereador remontam ao período entre 2014 e 2016 e argumentou que não existiriam elementos contemporâneos que demonstrassem risco atual à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal.
Documentos do TJMT mostram que Luís Cláudio já estava lotado no Departamento da Conta Única em 2014 e continuou vinculado ao setor de depósitos judiciais nos anos seguintes.
Ao analisar o pedido, a Terceira Câmara Criminal concluiu que a manutenção das outras cautelares seria suficiente neste momento e revogou exclusivamente o monitoramento eletrônico, em entendimento contrário ao parecer da Procuradoria-Geral de Justiça.
Com isso, Luís Cláudio deixa de utilizar a tornozeleira, mas permanece obrigado a cumprir as demais restrições determinadas no processo.
POLÍTICA MT
Internauta questiona se Medeiros tentou obter informação privilegiada ao procurar ministro do STF sobre suposta operação – veja o post
Publicação levanta dúvidas sobre eventual acesso antecipado a informações sigilosas; candidato confirmou que procurou Gilmar Mendes após ouvir rumores de que poderia ser alvo de uma operação, mas não há evidência pública de que o ministro tenha revelado dados protegidos
A revelação do deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) de que procurou pessoalmente o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), depois de tomar conhecimento de rumores sobre uma possível operação contra ele passou a provocar questionamentos também nas redes sociais.
Em mensagem encaminhada à reportagem, um internauta questiona se a iniciativa do parlamentar poderia representar uma tentativa de obter antecipadamente informações sobre eventual investigação ou operação.
“E isso não é tentar obter informações privilegiadas e ilegais acerca de eventual investigação ou operação?”, questiona o internauta na mensagem.
A indagação surgiu depois de o próprio Medeiros confirmar publicamente que procurou Gilmar Mendes. Segundo o candidato, ele recebeu informações de que poderia ser alvo de uma operação e decidiu buscar pessoalmente o ministro em Brasília para esclarecer a situação. O encontro foi confirmado pelo parlamentar à imprensa.
O ponto levantado pelo internauta é justamente sobre qual informação Medeiros pretendia obter ao procurar um integrante da mais alta Corte do país para tratar de uma eventual operação que, caso existisse e estivesse sob sigilo, não seria de conhecimento público.
O questionamento, contudo, não permite concluir que Medeiros tenha cometido crime. Também não há, nas informações públicas consultadas pela reportagem, demonstração de que Gilmar Mendes tenha repassado ao deputado informação sigilosa ou privilegiada.
Segundo reportagem do Isso É Notícia, fontes ligadas ao ministro confirmaram a tentativa de audiência, mas sustentaram que não houve vazamento nem fornecimento de informação privilegiada ao parlamentar.
MEDEIROS DIZ QUE QUERIA ESCLARECIMENTOS
Medeiros apresenta outra versão para o episódio. O parlamentar afirma que não procurou o ministro para pedir favor ou assumir compromisso, mas para esclarecer pessoalmente o rumor de que haveria uma operação envolvendo seu nome.
O candidato também afirmou posteriormente ter recebido a informação de que não existiria investigação em andamento envolvendo seu nome. Até agora, porém, Medeiros não apresentou publicamente documentos que comprovem a alegada articulação para realização de uma operação contra ele.
O episódio ganhou dimensão após o vazamento de conversas atribuídas a Medeiros com Chico Mendes, prefeito de Diamantino e irmão de Gilmar Mendes. Em uma delas, divulgada pelo Metrópoles, Medeiros afirma que evita atacar o STF e relata ter determinado à sua equipe de marketing que retirasse referências à Corte de seus conteúdos.
O que permanece no centro do questionamento feito pelo internauta é a razão pela qual um parlamentar, diante do rumor de uma eventual operação contra si, buscou diretamente um ministro do STF para saber o que estava acontecendo.
A discussão precisa, entretanto, separar questionamento político de imputação criminal: até o momento, as informações públicas encontradas não demonstram que Medeiros tenha obtido ilegalmente informação sigilosa, nem que Gilmar Mendes tenha violado sigilo funcional ou praticado obstrução de Justiça.
O caso também já produziu desdobramento eleitoral. Nesta quinta-feira (24), uma coligação adversária acionou o TRE-MT contra Medeiros por publicação na qual o candidato afirmou que estaria sendo articulada uma operação policial para prejudicá-lo. A representação ainda será analisada e, por si só, não comprova a acusação formulada contra o candidato.
A manifestação do internauta acrescenta, portanto, um novo questionamento ao episódio: não afirma a existência de crime comprovado, mas cobra esclarecimentos sobre o objetivo e o conteúdo da conversa mantida entre Medeiros e o ministro do Supremo após o candidato tomar conhecimento da suposta operação.
Veja o post

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