CORRUPÇÃO

TJ-MT reduz pena de ex-tesoureira condenada por desvio de pagamentos de licença-prêmio

Tânia Maria Martins do Prado teve a pena redimensionada para 2 anos e 8 meses de reclusão, em regime aberto; tribunal manteve a condenação e negou a substituição da prisão por penas restritivas de direitos.

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A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reduziu a pena da ex-tesoureira da Câmara Municipal de Barra do Garças, Tânia Maria Martins do Prado, condenada por peculato em um esquema envolvendo pagamentos de licença-prêmio. Os desembargadores identificaram erros no cálculo da pena aplicada em primeira instância e redimensionaram a condenação para 2 anos e 8 meses de reclusão, em regime aberto.

O recurso foi apresentado pela defesa, que questionou a sentença de 3 anos, 6 meses e 15 dias de prisão imposta pela Segunda Vara Criminal de Barra do Garças. Apesar da redução, o colegiado manteve a condenação e a proibição de substituir a pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos.

ESQUEMA ENVOLVIA REPASSES DE VALORES

De acordo com a denúncia, Tânia teria participado, entre 2001 e 2021, de um esquema com outros três envolvidos: Divino Ferreira Leal, José Roosevelt dos Santos e Luiz Alberto de Oliveira.

A ex-servidora trabalhava como tesoureira do Legislativo municipal e, conforme os autos, se apropriava de valores relacionados ao pagamento de licenças-prêmio. Durante o processo, ela confirmou que recebia os recursos, mas alegou que fazia os repasses por determinação de superiores.

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Depoimentos reunidos na ação indicaram que servidores eram orientados a assinar o verso de cheques e devolver os valores, que posteriormente seriam destinados a terceiros.

Uma das testemunhas afirmou que Tânia exigia o endosso dos cheques e ameaçava alterar gratificações de funcionários que se recusassem a cumprir as determinações. Segundo o relato, os servidores temiam represálias em razão da posição ocupada pela então chefe da tesouraria.

DEFESA QUESTIONOU A SENTENÇA

Na apelação, a defesa pediu a anulação da sentença por suposta fundamentação inadequada. Também contestou aspectos relacionados à caracterização do crime, alegando ausência de subtração de valores, questionando a condição funcional da acusada nos períodos considerados e sustentando ausência de dolo.

Os desembargadores, entretanto, entenderam que Tânia teria utilizado sua posição de chefia e a confiança depositada nela no setor financeiro para cometer as irregularidades.

Outro ponto considerado foi a utilização do computador do setor financeiro. Conforme os depoimentos, a operação teria ocorrido a pedido da ex-tesoureira, que também teria solicitado a exclusão de arquivos. Para os magistrados, a conduta indicou possível tentativa de ocultar provas e enfraqueceu a alegação de desconhecimento das irregularidades.

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PENA FOI REDUZIDA, MAS CONDENAÇÃO MANTIDA

Ao analisar o recurso, o tribunal deu provimento parcial à apelação para corrigir a dosimetria da pena e afastar a condenação à reparação de danos materiais, por ausência de pedido expresso na denúncia.

A pena definitiva foi estabelecida em 2 anos e 8 meses de reclusão, em regime aberto, além de 13 dias de reclusão, conforme o trecho da decisão reproduzido na reportagem.

Apesar do redimensionamento, os desembargadores mantiveram a vedação à substituição da pena privativa de liberdade por medidas restritivas de direitos, considerando desfavorável a culpabilidade atribuída à ré.

A decisão mantém a responsabilização criminal da ex-tesoureira, embora com redução da pena inicialmente imposta.

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POLÍTICA MT

Fazendeiro de MT suspeito de comprar sentenças desaparece, e STF autoriza citação por edital

Ministro Cristiano Zanin autorizou medida contra Bernardo Mazzutti, investigado na Operação Sisamnes; produtor rural é suspeito de pagar R$ 7,4 milhões por decisões judiciais favoráveis em disputa por terras.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, autorizou a citação por edital do produtor rural Bernardo Mazzutti, de Barra do Garças, a 501 quilômetros de Cuiabá, investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de venda de sentenças judiciais. A decisão foi tomada após tentativas de localização do investigado, que ainda não havia sido encontrado para receber a notificação formal do processo.

Conforme o despacho, proferido no dia 1º de outubro, o magistrado determinou uma última tentativa de localização por oficial de Justiça antes de efetivar a citação por edital. A medida permite que o investigado tome conhecimento formal da ação judicial quando não é localizado pelos meios convencionais, observados os requisitos legais.

SUSPEITA DE PAGAMENTO MILIONÁRIO

Bernardo Mazzutti é apontado como um possível cliente do esquema investigado pela Operação Sisamnes, da Polícia Federal. Segundo as suspeitas descritas na reportagem, ele teria pago R$ 7,4 milhões para obter decisões judiciais favoráveis em uma disputa envolvendo uma propriedade rural, o que teria permitido sua permanência na posse do imóvel.

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As investigações ganharam força após a análise de dados extraídos do celular do advogado Roberto Zampieri, assassinado em Cuiabá em dezembro de 2023. O caso revelou indícios de irregularidades relacionadas a processos judiciais envolvendo disputas por terras em Mato Grosso.

CONDENAÇÕES PELO ASSASSINATO

Na mesma semana, a Justiça de Mato Grosso condenou três pessoas apontadas como envolvidas no assassinato de Zampieri.

Antônio Gomes da Silva, identificado como autor dos disparos, recebeu pena de 21 anos e 10 meses de prisão. Hedilerson Fialho Martins Barbosa, apontado como intermediário da execução, foi condenado a 25 anos. Já o coronel reformado do Exército Etevaldo Caçadini, acusado de organizar a logística do crime, recebeu pena de 21 anos e 10 meses.

INVESTIGAÇÃO DE GRUPO PARAMILITAR

Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi a suspeita de atuação de um grupo paramilitar denominado “Comando C4”, formado, segundo as investigações, por policiais e integrantes das Forças Armadas. O grupo utilizaria o lema “Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos”.

Durante uma das fases da Operação Sisamnes, Cristiano Zanin demonstrou preocupação com a periculosidade atribuída ao grupo e classificou o caso como de extrema gravidade.

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O avanço das investigações mantém sob atenção das autoridades os indícios de possíveis irregularidades no sistema judicial e as conexões entre disputas fundiárias, decisões judiciais e o assassinato do advogado em Mato Grosso. As suspeitas atribuídas a Bernardo Mazzutti, contudo, não representam condenação, e o investigado tem direito à defesa e à presunção de inocência.

Com informações do folha Max

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