POLÍTICA MT
Programa Alimentar vai levar comida a pessoas em situação de vulnerabilidade
Em Mato Grosso, 63,3% da população vivia, em 2022, em algum nível de insegurança alimentar, de acordo com levantamento da Rede PENSSAN*. Por outro lado, o estado é líder nacional na produção de soja, milho, carne bovina e tem um dos maiores PIB (Produto Interno Bruto) per capita do país. Com foco justamente em combater esse paradoxo social e econômico, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), em parceria com a Associação Mato-Grossense de Atacadistas e Distribuidores (Amad), lançou nesta segunda-feira (2) o Programa Alimentar, que vai arrecadar alimentos e itens de higiene que estão próximos de serem descartados para doar para entidades filantrópicas.
O lançamento foi realizado na sede do Parlamento estadual com a arrecadação de 50 toneladas de alimentos e itens de higiene que serão doados a entidades filantrópicas cadastradas na Assembleia Social. Ainda nesta semana, uma resolução será apresentada e votada em Plenário estabelecendo os critérios para cadastramentos de entidades filantrópicas interessadas em receber doações.
A parceria entre empresas atacadistas e supermercados com a Assembleia Legislativa visa dar um destino seguro e adequado a produtos aptos para o consumo humano, mas que não estão sendo comercializados. As empresas ficam responsáveis por enviar esses produtos e a Assembleia fará a triagem e a destinação dos itens.
O presidente da ALMT, deputado Eduardo Botelho (União), destacou a importância do comprometimento da iniciativa privada em dar suporte para que o poder público possa proporcionar melhores condições às populações mais vulneráveis. “Com esse programa, produtos que estão em plenas condições de uso poderão chegar até a mesa das pessoas e assim viabilizar uma nova realidade para nosso estado. É muito importante ver que os empresários estão tomando iniciativa e consciência sobre essa responsabilidade, que é de todos”.
Para o presidente Eduardo Botelho, este programa poderá abrir portas para empresários de outros setores também se mobilizarem, como a da construção civil que poderá aderir com a doação de itens que perderam valor comercial, mas que ainda podem ser utilizados. Além de Botelho, o lançamento do Programa Alimentar contou com a presença do deputado Dilmar Dal Bosco (União).
O presidente da Amad, Luciano de Almeida, destacou que a parceria vem para consolidar uma vontade antiga do setor, que era doar itens para fazer a diferença àqueles que mais precisam. “Há muito tempo tínhamos esse projeto de doar alimentos e outros itens que tiveram alguma avaria ou que já estão perto de perder a validade, mas não tínhamos meios de fazer isso e corríamos o risco de ser responsabilizados por possíveis problemas”.
O empresário Oscar do Prado Filho reiterou que a parceria com a Assembleia vai viabilizar que esses itens cheguem lá na ponta. “Assembleia fazendo o recolhimento, triagem e destinação, temos mais segurança para doar esses produtos e a certeza que chegarão aos lugares certos. O Programa tem de tudo para se perpetuar, pois o setor está sempre fazendo o descarte de produtos que ainda têm condições de uso, precisávamos desse suporte”.
Uma das idealizadoras do programa, a servidora Quezia Limoeiro, destacou a seriedade dos trabalhos, que serão realizados por meio de uma resolução e com toda transparência. “Depois que a resolução for aprovada, as entidades interessadas poderão se cadastrar no site da Assembleia para que possam receber as doações. Por enquanto, serão cadastradas entidades da Baixada Cuiabana, mas vamos trabalhar para expandir o projeto para o interior”. Durante a cerimônia de lançamento, Quezia representou a deputado Janaina Riva (MDB), que também participou das tratativas para viabilizar o projeto.
*A Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN) apresentou os resultados do II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil (II VIGISAN) em julho de 2022. O inquérito representativo da população brasileira foi realizado nas cinco macrorregiões (rural e urbana) e nas 27 Unidades da Federação. Foram incluídos na amostra 12.745 domicílios, com entrevistas face a face de uma pessoa adulta. A coleta de dados ocorreu entre novembro de 2021 e abril de 2022, com a utilização de questionário contendo a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), em sua versão de oito perguntas. Para acessar a pesquisa, acesse este link.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Medeiros fala em “melancia” e expõe apelido de Wellington Fagundes, aliado do próprio PL
Propaganda eleitoral de José Medeiros usa a expressão para atacar políticos que se apresentam como representantes da direita, mas acaba provocando “fogo amigo” ao remeter a apelido usado por adversários contra Wellington Fagundes, candidato ao Governo pela mesma coligação
Uma inserção eleitoral do candidato ao Senado José Medeiros (PL) abriu espaço para um novo episódio de “fogo amigo” na campanha em Mato Grosso. Ao utilizar uma melancia para atacar políticos que, segundo ele, tentam se apresentar como representantes da direita apesar de antigas aproximações com a esquerda, Medeiros acabou trazendo à tona uma expressão que já foi utilizada por adversários para atacar Wellington Fagundes (PL).
A situação chama atenção porque Medeiros e Wellington pertencem ao mesmo partido e integram a mesma aliança eleitoral. Enquanto Medeiros disputa uma das vagas ao Senado, Wellington concorre ao Governo de Mato Grosso.
Na propaganda, Medeiros aparece segurando e cortando uma melancia enquanto dispara contra políticos que, em sua avaliação, adotariam um discurso conservador apenas durante o período eleitoral.
“Mato Grosso é o maior produtor de soja do mundo. Mas quando começa a eleição, o que mais brota por aqui é melancia”, afirma Medeiros.
A expressão tem significado conhecido no vocabulário político. “Melancia” é usada de maneira pejorativa para definir alguém que seria “verde por fora e vermelho por dentro”, numa referência a políticos que publicamente se posicionariam à direita, mas seriam associados à esquerda por seus críticos.
É justamente aí que a propaganda cria uma saia-justa para a chapa.
Wellington Fagundes já foi chamado de “melancia” por adversários e integrantes mais à direita do espectro político, que utilizam sua trajetória e suas relações com diferentes governos federais para questionar sua identificação atual com o campo conservador.
Ao longo de sua extensa carreira política, Wellington manteve diálogo e relações institucionais com governos de diferentes orientações políticas, passando pelas administrações de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).
Com isso, mesmo sem citar Wellington nominalmente na propaganda, a escolha da “melancia” por Medeiros abre margem para que a crítica seja relacionada ao próprio candidato ao Governo do PL.
Na sequência da peça eleitoral, Medeiros aumenta o tom contra os alvos de sua crítica. O candidato afirma que esses políticos pretendem chegar ao Congresso Nacional para “defender a esquerda, passar pano para Alexandre de Moraes, defender o aborto e defender a bandidagem”.
Medeiros encerra a propaganda retomando a metáfora.
“Mato Grosso já foi enganado antes, mas agora a gente aprendeu. Melancia é bom pra se comer, mas na hora de votar, não dá certo”, ironiza.
FOGO AMIGO
A declaração ganha peso político justamente por partir de um candidato do próprio PL. Medeiros busca consolidar sua imagem junto ao eleitorado bolsonarista enquanto Wellington também tenta ocupar o espaço da direita na disputa pelo Palácio Paiaguás.
O episódio ocorre ainda em meio à corrida pelas duas vagas ao Senado. Medeiros tenta ampliar sua presença eleitoral em uma disputa que reúne nomes competitivos e na qual o voto identificado com a direita tornou-se um dos principais campos de batalha.
A estratégia de Medeiros, portanto, acabou produzindo um efeito colateral dentro da própria coligação. Ao atacar os chamados “melancias”, o candidato ao Senado trouxe novamente para o debate justamente um apelido utilizado contra Wellington Fagundes.
Mesmo sem uma citação nominal ao candidato ao Governo, a propaganda expõe uma contradição política dentro do PL e alimenta a leitura de “fogo amigo” entre dois candidatos que deveriam caminhar no mesmo palanque.
No fim, a “melancia” escolhida por Medeiros para atingir adversários acabou respingando dentro de casa e colocando Wellington Fagundes, seu aliado de partido e coligação, no centro da provocação.
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