FANTASMA DO PASSADO

Pivetta abre o baú contra Wellington e traz Silval de volta ao centro da eleição

Em debate, governador surpreende ao resgatar delação do ex-governador, cita chefe de gabinete do adversário e lança pergunta que incendiou o confronto; Wellington reage e lembra que não foi condenado pelos fatos mencionados

O duelo pelo Governo de Mato Grosso ganhou um novo e explosivo  ingrediente. Em confronto direto com Wellington Fagundes (PL), o governador e candidato à reeleição Otaviano Pivetta (Republicanos) resolveu abrir o baú da política mato-grossense e trouxe para a campanha eleitoral um personagem que há anos protagoniza algumas das páginas mais turbulentas da história recente do Estado: o ex-governador Silval Barbosa.

Durante debate promovido nesta terça-feira (18) pela Rádio Centro América, Pivetta recuperou trechos da colaboração premiada de Silval e utilizou as declarações do ex-governador para atingir diretamente Wellington.

O ponto de maior tensão ocorreu quando Pivetta colocou no centro do embate Cinésio Nunes de Oliveira, atual chefe de gabinete do senador.

Foi então que o governador lançou a pergunta que elevou a temperatura do debate:

“O senhor foi parceiro de Silval e seu chefe de gabinete atual, Cinésio, foi delatado pelo Silval por corrupção. O senhor quer voltar à cena do crime?”

A provocação colocou Wellington diante de episódios ocorridos há mais de uma década e que agora são resgatados em plena disputa pelo Palácio Paiaguás.

O QUE DISSE SILVAL

Na colaboração premiada, Silval relatou que Wellington, então deputado federal, teria defendido a indicação de Cinésio para atuar na estrutura da Secretaria de Infraestrutura e Transportes.

Segundo a versão apresentada pelo ex-governador, a secretaria estaria politicamente vinculada ao então PR, partido ao qual Wellington era ligado naquele período.

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Silval também relatou supostas tratativas relacionadas às obras do MT Integrado, programa que previa investimentos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão em infraestrutura.

De acordo com sua delação, determinadas construtoras teriam pago propinas que variavam, em geral, entre 3% e 4% dos valores recebidos do Estado.

As declarações integram a colaboração de Silval e representam a versão apresentada pelo ex-governador às autoridades. A citação de nomes em uma delação, por si só, não representa condenação judicial.

WELLINGTON DEVOLVE

Wellington não deixou a acusação passar sem resposta.

O candidato do PL rebateu Pivetta e argumentou que sua atuação junto aos diferentes governos de Mato Grosso ocorreu como parlamentar e articulador de recursos federais para o Estado.

“Eu conheço o Cinésio, ele não tem nenhum processo em que ele foi julgado e condenado. Quero dizer que não ajudei só o governo Silval, eu ajudei todos os governos”, respondeu.

Wellington também procurou deslocar o debate para sua atuação em Brasília e citou como exemplo a aprovação do Auxílio Financeiro para Fomento das Exportações (FEX).

“Ajud ei a trazer R$ 3 bilhões ao Governo do Estado e R$ 1 bilhão para os municípios”, afirmou.

PIVETTA PUXA O DNIT PARA A BRIGA

O governador não parou em Silval.

Na sequência, Pivetta voltou sua artilharia para a influência política de Wellington no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) em Mato Grosso.

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Pivetta mencionou a passagem de diferentes superintendentes pelo órgão durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer e acusou Wellington de exercer influência sobre indicações.

O governador chegou a utilizar a expressão “negócios” ao questionar essa atuação política, mas, naquele momento do debate, não apresentou um caso específico de corrupção praticado pelo adversário.

O OUTRO LADO DA HISTÓRIA

Há, porém, um ponto fundamental no histórico utilizado como munição eleitoral por Pivetta.

Embora Cinésio tenha sido citado na colaboração de Silval, a Terceira Câmara de Direito Público e Coletivo do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) o absolveu das acusações de participação no esquema de propina.

Wellington, por sua vez, apesar de citado nas declarações do ex-governador, não foi condenado pelos episódios levantados durante o debate.

O confronto, portanto, não encerrou a discussão. Pelo contrário.

Ao retirar do arquivo político uma delação que remonta ao governo Silval e colocá-la novamente sob os holofotes, Pivetta deu uma pista de qual poderá ser uma das estratégias mais agressivas desta reta da campanha: obrigar Wellington a responder pelo passado enquanto tenta convencer o eleitor sobre o futuro.

E, depois do primeiro embate, a pergunta que fica é outra: o que mais ainda poderá sair desse baú até o dia da eleição?

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POLÍTICA MT

CPI da Saúde faz 261 perguntas, mas empresários optam pelo silêncio

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) realizou, nesta quarta-feira (19), a oitiva de quatro empresários convocados para prestar esclarecimentos sobre fatos relacionados à investigação DE possíveis irregularidades em licitações da Secretaria de Estado de Saúde (SES) no período de 2019 a 2025. Ao longo da reunião, foram feitas 261 perguntas aos depoentes, que optaram por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio.

Prestaram depoimento Luiz Gustavo Castilho Ivoglo, Osmar Gabriel Chemin e Gabriel Naves Torres Borges, ligados à empresa MedTrauma, além do médico Bruno Castro. Apenas Ivoglo participou presencialmente da reunião, realizada na Sala das Comissões Deputada Sarita Baracat. Os demais acompanharam a sessão de forma virtual, todos acompanhados de seus respectivos advogados.

Os questionamentos apresentados pelos integrantes da CPI abordaram diferentes aspectos dos fatos investigados, entre eles contratos e pagamentos na área da saúde, registros de frequência de profissionais, prestação de serviços médicos, processos de indenização e apontamentos de auditorias realizadas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE).

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Durante a oitiva, também foram apresentadas perguntas relacionadas a possíveis inconsistências em documentos e folhas de frequência, ausência de registros de profissionais, cobrança por plantões sem comprovação de execução e pagamentos realizados por meio de processos indenizatórios.

O procurador da ALMT Francisco de Brito explicou que os convocados tiveram assegurados o acesso aos autos, o acompanhamento por advogados e o direito constitucional de permanecer em silêncio. Segundo ele, o exercício desse direito não impede o prosseguimento dos trabalhos da CPI, que dispõe de outros instrumentos para produção de provas, como requisição de documentos, pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal e solicitação de informações e auditorias a órgãos de controle.

Nova etapa – A próxima reunião da CPI da Saúde está marcada para quarta-feira (26), às 14h, quando deverão ser ouvidos o ex-secretário de estado de Saúde Gilberto Figueiredo e a ex-secretária adjunta Caroline Campos Dobes.

Conforme informado durante a reunião, a comissão iniciou as oitivas com técnicos da Controladoria Geral do Estado (CGE), passou por representantes da Procuradoria Geral do Estado (PGE) e, posteriormente, ouviu empresários relacionados aos fatos investigados.

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A expectativa é que, após a próxima rodada de depoimentos, a comissão avance para a elaboração de um relatório parcial sobre os elementos já analisados, sem prejuízo da inclusão de novos documentos e informações que possam contribuir para a investigação.

Fonte: ALMT – MT

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