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Pequenos produtores e pescadores de Santo Antônio pedem atenção e investimentos para região

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Uma oportunidade para trabalhar. Água para irrigar a produção e não precisar ir para a cidade. Orientação para melhorar a criação de bois e de porcos. Título de terra para contratação de crédito agrícola. Um olhar para o pequeno. As demandas da população de Santo Antônio de Leverger (a 38 km de Cuiabá) saíram da boca de Joelson Leite, de Tânia das Dores, do Miguel dos Santos e de tantos cidadãos e cidadãs que participaram da audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), na noite desta terça-feira (12), na Câmara municipal.

A reunião popular foi promovida com objetivo de ouvir as demandas da população para aplicação de recursos do projeto BID Pantanal, que deverá contemplar 12 municípios do Pantanal Mato-Grossense com recursos da ordem de 200 milhões de dólares , cerca de um bilhão de reais. Com o auditório lotado, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, e os deputados estaduais Juca do Guaraná Filho (MDB), Wilson Santos (PSD) e Júlio Campos (União), a prefeita Francieli Magalhães e demais autoridades locais puderam identificar os eixos que deverão guiar a aplicação dos investimentos na região.

O produtor Joelson Leite é líder da comunidade de Sangrandouro, onde vivem cerca de 90 famílias de pequenos produtores de mandioca, banana entre outros hortifrútis que são comercializados para consumidores da região. Segundo o senhor Joelson, o principal problema da comunidade é a falta de água. “A gente precisa muito de ajuda, a terra está fraca. Tem que fazer poço artesiano, dar kit de irrigação e pôr adubo. Mas Deus vai abençoar quem está no poder e o sonho da nossa comunidade vai sair do papel. Não queremos sair da nossa terra”.

Foto: ANGELO VARELA / ALMT

Miguel dos Santos, pescador da região, aproveitou a ocasião para reiterar que sem a possibilidade de pescar e comercializar os peixes da região, parte da população vai perder seu sustento. “Eu só quero pedir o direito de trabalhar. Uma oportunidade de trabalhar. Não podem nos comparar com a soja. Temos que ser vistos como pessoas, queremos escolher em que queremos trabalhar”.

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Tânia das Dores, presidente da colônia de pescadores de Santo Antônio de Leverger destacou que, sem a pesca, a população ribeirinha terá que investir na criação de animais e no cultivo de produtos da agricultura familiar. Cultivo que, segundo a prefeita Francieli Magalhães, deverá respeitar a vocação local e a demanda da região. “Temos que investir naquilo que dá certo aqui, que tem aptidão. Não adianta querer plantar uva, se nossa população quer e sabe plantar mandioca”.

De acordo com o presidente da União das Associações de Santo Antônio do Leverger, Samuel Moreira, existem 86 comunidades rurais no município que podem atender a demanda de um milhão de consumidores que estão na região metropolitana da capital. “A gente precisa de meios para contratar crédito. Muitos produtores não têm nem o título da terra e aí não conseguem financiamento, assistência técnica”.

Os pedidos apresentados na noite de terça-feira serão analisados e correlacionados com as demandas colhidas pela equipe do Ministério da Agricultura que está percorrendo os 12 municípios que serão contemplados pelo programa BID Pantanal. Em Santo Antônio, de acordo com a prefeita, a primeira rodada com os técnicos identificou a necessidade de investir na agricultura familiar. “Como a partir do ano que vem não será mais permitido comercializar os pescados do rio, vai ser possível investir em piscicultura, em irrigação e fazer a diferença na vida desses pequenos produtores que já trabalham com mandioca, banana, mamão. O recurso deverá fomentar essa produção local”.

Desenvolvimento Sustentável – O deputado estadual Juca do Guaraná, requerente da audiência, destacou a importância de ouvir a população antes de elaborar. “Nós viemos ouvir quem é o dono do dinheiro, que é o contribuinte. Queremos ouvir quem de fato vai receber o recurso desse projeto que foi desengavetado”.

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Wilson Santos, coautor do requerimento da audiência, destacou que o programa BID Pantanal tem diferentes eixos, entre eles o saneamento ambiental para ser aplicado na construção de aterros sanitários, no tratamento da rede de esgoto e abastecimento. Outras frentes citadas pelo parlamentar são com recursos para infraestrutura e educação.

“Haverá também recursos para geração de renda por meio dos arranjos produtivos locais. Então é um programa completo com dois grandes objetivos, que são o desenvolvimento sustentável do pantanal e a melhoria da qualidade de vida da população”, destacou Santos.

Melhoria na qualidade de vida, aliás, foi uma das prerrogativas citadas pelo ministro Carlos Fávaro como fundamental para a concretização do desenvolvimento sustentável. “O BID vem para trazer desenvolvimento com sustentabilidade. Queremos identificar quais são os arranjos produtivos que possam ser transformados em programas que visam produzir, comercializar e gerar renda para dar qualidade de vida às pessoas com respeito ao meio ambiente”.

O deputado Júlio Campos destacou que o BID Pantanal é uma oportunidade para que a população da Baixada Cuiabana seja reestruturada economicamente e, especialmente, ambientalmente. “Teremos a oportunidade de fazer o tratamento de esgoto, construir barragens, investir em ecologia e na agricultura e piscicultura”.

O cronograma prevê a finalização da carta consulta até o final do ano, tabulação das propostas e, ainda no primeiro semestre, apresentar em Washington, nos Estados Unidos, onde está a sede do BID. A expectativa é que a partir do segundo semestre se iniciem os primeiros projetos.

O Programa BID Pantanal vai aplicar 400 milhões de dólares para o Pantanal brasileiro, ficando 200 milhões para Mato Grosso e outros 200 milhões para Mato Grosso do Sul. Haverá recursos também para investimento no desenvolvimento sustentável da agropecuária nas regiões Norte e Nordeste do país.

Fonte: ALMT – MT

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Exclusivo: Ex-secretário de Temer e amigo de Flávio Bolsonaro acusa Medeiros e Magno Malta de arrecadação paralela para campanha de Bolsonaro em 2018 – veja o video 

Denunciante afirma que dupla teria percorrido o país em avião fretado captando recursos sem conhecimento do núcleo da candidatura; ex-secretário fala em “fraude”, “roubo” e “caixa dois” e desafia Medeiros: “Me processe se tiver coragem”

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Uma denúncia de grandes proporções sobre os bastidores da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 coloca José Medeiros e Magno Malta no centro de graves acusações.

Ex-secretário do governo Michel Temer e apontado como amigo pessoal de Flávio Bolsonaro, o denunciante afirma que Medeiros e Magno Malta teriam percorrido diferentes regiões do país em aeronave fretada para arrecadar dinheiro destinado à campanha de Jair Messias Bolsonaro sem conhecimento do núcleo central da candidatura.

A acusação ganha contornos ainda mais explosivos pelo período em que, segundo o ex-secretário, os fatos teriam ocorrido: justamente quando Bolsonaro estava hospitalizado e se recuperava do atentado a faca sofrido durante a campanha presidencial de 2018.

ENQUANTO BOLSONARO SE RECUPERAVA DA FACADA

Segundo o relato do ex-secretário, enquanto Bolsonaro enfrentava a recuperação do atentado e permanecia afastado da campanha presencial, José Medeiros teria viajado ao lado de Magno Malta em busca de recursos para a candidatura presidencial sem que o próprio Bolsonaro e integrantes de seu núcleo mais próximo tivessem conhecimento da suposta arrecadação.

Na versão apresentada pelo denunciante, Medeiros teria agido “pelas costas de Jair Messias Bolsonaro”.

O ex-secretário utiliza termos duríssimos ao descrever aquilo que afirma ter acontecido. Para ele, teria sido uma atitude “vil” e “nojenta” arrecadar recursos em nome da candidatura enquanto Bolsonaro permanecia hospitalizado, caso o núcleo oficial realmente desconhecesse a movimentação.

As expressões são atribuídas ao denunciante e representam sua avaliação sobre os fatos narrados.

VISITA DE ERAÍ MAGGI TERIA REVELADO ARRECADAÇÃO

De acordo com a denúncia, o episódio teria começado a ser descoberto após uma visita do empresário Eraí Maggi a Bolsonaro no hospital.

Segundo o ex-secretário, teria surgido naquele contexto a informação de que Eraí havia destinado recursos à campanha por meio de uma articulação envolvendo José Medeiros. O denunciante sustenta que integrantes do núcleo de Bolsonaro não teriam conhecimento daquela suposta contribuição.

A partir daquele momento, segundo sua narrativa, teriam começado os questionamentos sobre quem estava arrecadando, quais empresários haviam contribuído, quanto dinheiro teria sido captado e, principalmente, qual teria sido o destino desses recursos.

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VIAGENS EM AVIÃO FRETADO

Outro ponto central da denúncia envolve o uso de aeronave fretada.

O ex-secretário acusa José Medeiros e Magno Malta de terem realizado deslocamentos pelo país em avião fretado para buscar contribuições destinadas à campanha presidencial de Bolsonaro.

Caso sejam apresentados documentos que sustentem a denúncia, alguns elementos poderão ser confrontados objetivamente: registros dos voos, responsáveis pelo fretamento, datas, cidades visitadas, pagamentos das aeronaves, identificação dos eventuais doadores e movimentação dos valores arrecadados.

Também será fundamental verificar se as contribuições mencionadas pelo denunciante constaram da prestação de contas oficial da campanha presidencial de 2018.

EX-SECRETÁRIO FALA EM “FRAUDE”, “ROUBO” E “CAIXA DOIS”

O ex-integrante do governo Temer vai além e utiliza expressões de natureza criminal para classificar aquilo que afirma ter ocorrido.

Segundo o denunciante, a suposta arrecadação paralela configuraria “fraude”, “roubo” e “caixa dois de campanha”.

São acusações gravíssimas. Essas classificações são feitas pelo ex-secretário e não constituem conclusão da Folha de Mato Grosso de que os crimes efetivamente ocorreram.

A eventual caracterização criminal dependeria de provas e de apuração pelas autoridades competentes, garantindo aos acusados amplo direito de defesa e contraditório.

MAGNO MALTA E O GOVERNO BOLSONARO

Após a vitória eleitoral de Bolsonaro, Magno Malta, apesar da proximidade pública mantida com o então candidato durante a campanha, não assumiu ministério no início do governo.

O denunciante relaciona esse distanciamento à suposta arrecadação paralela que afirma ter ocorrido durante a eleição.

A existência dessa relação de causa e efeito, contudo, precisa ser demonstrada por elementos independentes. O fato de Magno Malta não ter ocupado um ministério, isoladamente, não comprova a acusação envolvendo a arrecadação.

BOLSONARO APOIOU CORONEL FERNANDA EM 2020

Em Mato Grosso, outro episódio é utilizado pelo ex-secretário em sua narrativa.

Na eleição suplementar para o Senado em 2020, Jair Bolsonaro declarou apoio à coronel Fernanda, apesar de José Medeiros também estar na disputa pela vaga.

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Segundo o denunciante, a decisão teria relação com o desgaste provocado pela suposta arrecadação realizada durante a campanha de 2018.

Essa motivação também constitui uma afirmação do ex-secretário e necessita de comprovação. O apoio eleitoral de Bolsonaro à coronel Fernanda, por si só, não demonstra que a escolha tenha ocorrido em razão das acusações agora apresentadas.

“ME PROCESSE SE TIVER CORAGEM”

O ex-secretário resolveu ainda desafiar publicamente José Medeiros.

“Me processe se tiver coragem”, afirmou o denunciante, sustentando que, diante de eventual processo judicial, estaria disposto a apresentar elementos que, segundo ele, comprovariam suas acusações.

O desafio coloca o caso em outro patamar.

Se efetivamente existirem documentos sobre fretamentos, horas de voo, datas, destinos, doadores e movimentações financeiras, esse material poderá ser confrontado com a prestação de contas oficial da campanha e ajudar a esclarecer se houve ou não uma estrutura paralela de arrecadação em 2018.

A “SEGUNDA FACADA”

É nesse contexto que surge a expressão que dá dimensão política à denúncia.

Enquanto Bolsonaro se recuperava da facada sofrida fisicamente durante a campanha, o ex-secretário sustenta que pessoas próximas à candidatura estariam arrecadando recursos sem conhecimento do núcleo central. Na narrativa do denunciante, seria uma espécie de “segunda facada”, desta vez política.

A acusação é grave e exige respostas.

Quem fretou o avião? Quem pagou pelos voos? Quais empresários teriam contribuído? Quanto teria sido arrecadado? Para onde foi o dinheiro? E esses recursos foram registrados oficialmente?

São perguntas que somente documentos, depoimentos e uma eventual investigação poderão responder definitivamente.

OUTRO LADO

A Folha de Mato Grosso ressalta que as acusações de arrecadação paralela, fraude, roubo e caixa dois reproduzidas nesta reportagem são atribuídas ao ex-secretário e não constituem, sem comprovação documental ou decisão das autoridades competentes, crimes comprovados.

José Medeiros, Magno Malta e Eraí Maggi têm espaço assegurado para apresentar suas versões, contestar as declarações e fornecer documentos ou esclarecimentos. Eventuais manifestações dos citados poderão ser incorporadas à reportagem.

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