Doutora Natasha
Natasha aponta R$ 65,5 bi em renúncias fiscais e defende revisão para ampliar investimentos sociais em MT
Candidata defende incentivos com prazo, contrapartidas e avaliação de resultados
Mato Grosso acumulou R$ 65,5 bilhões em renúncias fiscais entre 2019 e 2025, enquanto demandas como concursos públicos, recomposição das perdas da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores e políticas de combate à pobreza disputam espaço no orçamento estadual. Questionada sobre de onde pretende retirar recursos para financiar seus compromissos de governo, a candidata ao Governo de Mato Grosso, Dra. Natasha Slhessarenko (PSD), da coligação Mato Grosso para todos, apontou a revisão da política de incentivos fiscais como um dos caminhos para reorganizar as prioridades do Estado.
A declaração foi dada durante entrevista à CBN e Rádio Verde, em Cuiabá, nesta segunda-feira (14). Natasha afirmou que não é contrária à concessão de incentivos para empresas que investem, geram empregos e contribuem para o desenvolvimento do Estado. O que ela questiona é a manutenção desses benefícios por períodos prolongados, sem avaliação permanente dos resultados e das contrapartidas oferecidas à sociedade.
“Eu defendo incentivo fiscal. Ele é importante para atrair investimentos, gerar empregos e desenvolver Mato Grosso. Mas incentivo fiscal precisa ter começo, meio e fim. Não pode ser um benefício eterno. A empresa recebe o incentivo para se estabelecer, crescer e gerar retorno para o Estado. Depois, precisamos avaliar os resultados e verificar se aquele recurso continua fazendo sentido”, afirmou Natasha.
O volume das renúncias fiscais cresceu significativamente nos últimos anos. Segundo dados divulgados a partir de informações do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), o valor passou de R$ 3,42 bilhões em 2019 para R$ 15,6 bilhões em 2025. Para 2026, a estimativa é de aproximadamente R$ 11,63 bilhões em benefícios e incentivos fiscais.
Outro ponto levantado pela candidata é a concentração dos benefícios entre grandes grupos econômicos. Dados referentes a 2023 mostram que os 30 maiores beneficiários concentraram R$ 4,6 bilhões, o equivalente a 43,3% dos R$ 10,7 bilhões em renúncias fiscais naquele ano.
“Quando me perguntam de onde virá o dinheiro, precisamos olhar para onde o dinheiro público está deixando de entrar e qual retorno Mato Grosso está recebendo. Estamos falando de bilhões. Não se trata de acabar com os incentivos, mas de estabelecer critérios, prazo, contrapartidas e avaliar resultados. O desenvolvimento econômico precisa chegar à população”, declarou.
Recursos para quem mais precisa
Para Natasha, rever a política de incentivos não significa retirar competitividade de Mato Grosso ou afastar investimentos privados. A proposta é avaliar os benefícios concedidos e direcionar recursos públicos para áreas consideradas prioritárias, especialmente diante da necessidade de ampliar as políticas destinadas à população mais vulnerável.
Entre os compromissos defendidos pela candidata estão a realização de concursos públicos, a negociação das perdas acumuladas da RGA dos servidores e o fortalecimento de políticas de segurança alimentar, moradia, saúde, educação e proteção social.
Natasha sustenta que um Estado que figura entre os maiores produtores de alimentos e de riquezas do país precisa transformar seu desempenho econômico em melhores condições de vida para a população.
“Um Estado que produz tanta riqueza precisa transformar essa riqueza em qualidade de vida. É possível apoiar quem produz, garantir segurança para quem investe e, ao mesmo tempo, assegurar comida na mesa, moradia, serviços públicos de qualidade e valorização de quem trabalha para o Estado. Governar é estabelecer prioridades”, concluiu.
Todas as propostas da Dra. Natasha para Mato Grosso estão disponíveis em seu site oficial.
POLÍTICA MT
Mauro aponta o desafio por trás de novos voos internacionais para MT
Candidato ao Senado defende que incentivos públicos sirvam como impulso inicial e afirma que rotas precisam conquistar demanda própria para se manter
O candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) defendeu que Mato Grosso precisa ampliar a geração de demanda para consolidar novas rotas aéreas internacionais. Segundo ele, o Estado pode atuar como indutor no início das operações, mas as conexões precisam alcançar viabilidade comercial posteriormente.
A declaração ocorreu durante o encontro “Diálogo com Candidatos”, realizado na segunda-feira (14), em Cuiabá, pela CDL Cuiabá, em parceria com entidades do setor produtivo. Mauro participou da agenda ao lado do candidato ao Governo Otaviano Pivetta (Republicanos) e da candidata ao Senado Margareth Buzetti (PP).
“O pontapé”
Durante a discussão, Mauro afirmou que o poder público pode ajudar a colocar uma nova rota em funcionamento, mas não deveria mantê-la indefinidamente por meio de subsídios.
“O governo pode impulsionar, mas depois o setor tem que seguir sozinho. Não pode ficar empurrando a vida inteira, porque isso não se sustenta no médio e longo prazo”, afirmou.
A posição ocorre em um momento em que Mato Grosso já possui mecanismos para apoiar financeiramente a implantação ou ampliação de rotas internacionais. A Lei Estadual nº 13.191/2025 autorizou a concessão de subvenção econômica ao setor aéreo, com limite global de até R$ 10 milhões por ano. O mecanismo foi regulamentado em março de 2026.
Buenos Aires entra no mapa
A partir de janeiro de 2027, está prevista uma operação regular entre Cuiabá e Buenos Aires, pela Gol. A nova conexão representa a primeira rota internacional regular de passageiros anunciada para o Estado nesse novo ciclo de expansão.
Mauro também citou outras iniciativas realizadas durante sua gestão no Governo de Mato Grosso, entre elas a articulação com o Ministério do Turismo e companhias aéreas para buscar novas conexões internacionais.
Em março, por exemplo, ele levou ao Ministério do Turismo a demanda por voos internacionais para Cuiabá. Meses depois, o ministro informou que a pauta vinha sendo apresentada às companhias aéreas, incluindo tratativas com a American Airlines.
Turismo e agronegócio como geradores de demanda
Na avaliação apresentada pelo candidato, setores como agronegócio, turismo e grandes eventos podem contribuir para aumentar a procura por voos internacionais.
Mauro citou ainda o Parque Novo Mato Grosso, em Cuiabá, que está sendo construído com estrutura para receber grandes eventos e seminários. A ideia defendida é conectar diferentes atividades econômicas para aumentar o fluxo de visitantes e, consequentemente, fortalecer a demanda por novas frequências aéreas.
A discussão sobre novas rotas ocorre em paralelo às iniciativas do Estado para ampliar a conectividade. Em julho, o Ministério do Turismo afirmou que Cuiabá e Mato Grosso permanecem entre as localidades consideradas nas discussões com companhias aéreas para futuras expansões, embora tenha apontado dificuldades para estruturar novas operações internacionais.
A proposta apresentada por Mauro, portanto, coloca a criação de demanda como uma das condições para que os novos voos deixem de depender de incentivos públicos e alcancem sustentabilidade comercial.
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