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Moradores de Sinop defendem criação de secretaria voltada à agricultura familiar

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A criação de uma Secretaria Municipal de Agricultura Familiar foi a principal demanda apresentada por moradores de Sinop (a 479 km de Cuiabá) durante a audiência pública realizada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), na noite de sexta-feira (4), na Câmara Municipal.

O evento, proposto pela deputada estadual em exercício Professora Graciele (PT), reuniu representantes da agricultura familiar, vereadores, dirigentes de cooperativas, feirantes, acadêmicos e a comunidade local. O tema central do encontro foi “Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar: Caminhos para o Futuro e o Bem-Viver”.

A parlamentar lembrou que “é um desafio produzir alimentos de qualidade, o que é caro e é a agricultura familiar que se dispõe a cumprir esse papel de produzir alimento orgânico e de qualidade”. Segundo ela, “essa audiência surgiu com o objetivo de ouvir as demandas e desafios enfrentados pelo produtor da agricultura familiar e discutir a melhor forma de o Poder Público incentivar e apoiar essa produção”, defendeu Graciele.

A professora Rafaella Teles Arantes Felipe, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Sinop, falou sobre o Projeto Gaia, que coordena desde 2019. A iniciativa é uma rede de cooperação que apoia e fortalece a agricultura familiar com foco no cultivo orgânico. Ao longo dos últimos anos, o projeto tem implantado unidades de aprendizagem em agroecologia e promovido a capacitação de agricultores familiares, incentivando práticas sustentáveis e ampliando o acesso dos produtores ao PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e ao PAA (Programa de Aquisição de Alimentos).

O plano nacional estabelece que, no mínimo, 30% dos alimentos servidos em creches e escolas públicas devem ser provenientes da agricultura familiar. Em Sinop, esse percentual foi superado com excelência: 100% da alimentação escolar é fornecida por produtores locais. “São cerca de 60 mil crianças que consomem alimentos saudáveis, vindos da agricultura familiar, quando estão na escola. Mas é preciso que essa alimentação também chegue à mesa de casa, alcançando as famílias de baixa renda”, ressalta a professora Rafaella.

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De acordo com a professora Rafaella Arantes, além da produção, há demandas urgentes na área de assistência técnica e extensão rural, fundamentais para ampliar o alcance da agricultura familiar. Ela também chama atenção para um grave problema fundiário em Sinop e região, que atinge diretamente os pequenos produtores.

“Hoje, entre 20% e 30% da população do município está no CadÚnico, o que indica situação de vulnerabilidade e falta de acesso a uma alimentação de qualidade”, afirma. Segundo ela, grande parte dos alimentos consumidos em Sinop ainda vem de fora e, por isso, têm preços altos e inviáveis para muitas famílias. “Essa população acaba recorrendo a fast food, embutidos e outros produtos ultraprocessados, mais baratos, mas que trazem consequências sérias para a saúde pública”, alerta.

A professora defende a implementação de políticas públicas voltadas ao aumento da produção local de alimentos orgânicos, com escoamento direto à população de baixa renda. “Isso só será possível com o fortalecimento da assistência técnica, que impulsiona a produção na agricultura familiar”, pontua.

Outro entrave, segundo Rafaella, é a situação fundiária irregular de muitas propriedades, que impede o acesso a políticas públicas e financiamentos. “Sem documentos de posse, os agricultores não conseguem acessar crédito e outros recursos essenciais. Isso precisa mudar”, conclui.

O vereador Ênio da Brigida (PSDB) disse que a criação da secretaria é o principal gargalo. “É necessário que o prefeito crie essa secretaria porque o pequeno produtor precisa desse apoio técnico. A família que tem uma propriedade poderia viver do cultivo nessa propriedade, mas ele não encontra apoio técnico para isso. Outra família até sabe produzir, mas não tem conhecimento para fazer projeto e ter acesso ao financiamento, outra até produz, mas precisa de ajuda para escoar e a secretaria poderia atender esses problemas técnicos dos produtores da agricultura familiar”, defendeu.

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O presidente da Cooperafs (Cooperativa de Agricultura Familiar de Sinop), Luis Cortes, ratificou a necessidade de um amplo trabalho de regularização de propriedades, assistência técnica e de extensão, além do cadastramento dos agricultores no CAF (Cadastro da Agricultura Familiar). Ele lembrou que o CAF é o instrumento pelo qual o governo federal reconhece oficialmente os agricultores familiares, o que influencia diretamente no repasse de recursos às regiões. O que tem sido um problema para o norte de Mato Grosso, com a falta de regularização dos cadastros.

Cortes também destacou a trajetória da Cooperafs, fundada há 13 anos com 22 cooperados. Atualmente, a cooperativa reúne 85 membros e tem como meta chegar a 150 cooperados até o final de 2025.

A ampliação do apoio técnico à agricultura familiar foi outro ponto amplamente debatido e considerado fundamental para o cumprimento das políticas públicas nacionais. Essas diretrizes preveem que os governos devem investir na compra de alimentos produzidos por agricultores familiares com múltiplos objetivos: formar estoques reguladores ou estratégicos, sustentar preços no campo, intervir em situações de emergência ou calamidade pública e garantir a segurança alimentar e nutricional da população.

A próxima Audiência sobre o tema será no dia 15 de julho em Alta Floresta e, além da Agricultura Familiar, incluirá a questão dos recursos hídricos.

Espaço infantil – Além do local do debate, no Plenário da Câmara Municipal, o evento contou com um espaço educativo e artístico para crianças. De acordo com a deputada Professora Graciele, “esse espaço para criança surgiu para apoiar as mulheres da agricultura familiar e outras que decidiram participar do debate e não tinham com quem deixar seus filhos”, defendeu.

Fonte: ALMT – MT

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PT reúne militância em MT e traça estratégia para tentar reduzir vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula

Presidente estadual do partido, Rosa Neide, convocou reunião para discutir ações no segundo turno; em Mato Grosso, Lula terminou a primeira etapa da disputa com 29,18% dos votos, contra 65,15% de Flávio Bolsonaro

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O Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso reuniu sua militância nesta segunda-feira (5) para discutir os primeiros passos da estratégia de campanha para o segundo turno da eleição presidencial. A reunião foi convocada pela presidente estadual da sigla e deputada federal eleita, Rosa Neide, com o objetivo de organizar ações para ampliar a votação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado.

Embora Mato Grosso não seja considerado um dos principais colégios eleitorais do país pelo número de votos, o desempenho de Lula no primeiro turno acendeu um sinal de alerta para a legenda. O presidente ficou atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado, com uma diferença expressiva.

No resultado nacional, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Em Mato Grosso, entretanto, a distância foi maior: Flávio obteve 65,15%, contra 29,18% de Lula.

Além da diferença percentual, outro dado preocupa a militância petista. Lula registrou 52.067 votos a menos em Mato Grosso na comparação com o primeiro turno de 2022, uma redução de aproximadamente 8,2%.

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Abstenção entra no radar do PT

Uma das estratégias discutidas pela legenda deverá ser a tentativa de mobilizar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.

Em Mato Grosso, a abstenção chegou a 22,20%, o equivalente a 585.668 eleitores. Para o PT, parte desse eleitorado pode representar uma oportunidade de ampliar a votação de Lula no segundo turno.

A avaliação é que, caso a Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, consiga mobilizar uma parcela desses eleitores, Lula poderá melhorar seu desempenho entre os mato-grossenses.

O partido também deverá contar com o trabalho direto da militância, principalmente diante da composição política do estado após o primeiro turno.

PT terá desafio de ampliar presença nas ruas

Com a eleição para o governo estadual definida já no primeiro turno, a disputa presidencial passa a concentrar parte das atenções da militância petista em Mato Grosso.

A legenda terá, porém, uma estrutura considerada mais limitada para a reta final da campanha. O PT não elegeu senador no estado e ficou com bancadas minoritárias na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e na Câmara dos Deputados.

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Outro desafio apontado é a necessidade de organizar a mobilização sem depender de grandes deslocamentos ou de uma estrutura ampla de viagens. A estratégia, portanto, deverá envolver ações locais e articulação direta com os eleitores.

Rosa Neide convoca reunião

Diante do resultado considerado negativo para Lula em Mato Grosso, Rosa Neide convocou dirigentes e militantes para uma reunião no diretório estadual do PT, em Cuiabá.

O encontro deve servir para definir as primeiras ações do partido no segundo turno e estabelecer como a militância pretende atuar nas ruas para tentar diminuir a vantagem de Flávio Bolsonaro.

A presidente estadual da sigla terá cerca de 20 dias para coordenar a reação do partido e buscar uma recuperação no desempenho de Lula no estado.

O segundo turno será uma nova oportunidade para o PT reorganizar sua estratégia e tentar transformar parte da abstenção e dos votos de outros candidatos em apoio ao atual presidente.

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