BOCA DE URNA
Vereador de Cáceres é detido com material de campanha durante votação
Jerônimo Gonçalves Pereira, do PL, também disputava vaga na Assembleia Legislativa; balanço eleitoral registrou dezenas de ocorrências em Mato Grosso
O vereador de Cáceres Jerônimo Gonçalves Pereira (PL) foi detido na tarde deste domingo (4) durante a votação no município, após ser flagrado com materiais de propaganda eleitoral.
De acordo com as informações divulgadas, o parlamentar estava com os chamados “santinhos”, em uma ocorrência enquadrada como boca de urna. Jerônimo também concorria ao cargo de deputado estadual pelo PL.
A detenção ocorreu durante o período de votação e passou a integrar o balanço das ocorrências eleitorais registradas em Mato Grosso. Ao todo, 34 pessoas foram presas no Estado, a maioria em situações relacionadas à boca de urna. Em Sinop, um servidor também foi detido sob suspeita de compra de votos.
Em um dos boletins divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) durante o domingo, haviam sido contabilizadas 33 ocorrências, das quais 19 estavam relacionadas à prática de boca de urna. Naquele momento, 25 pessoas haviam sido detidas.
Também foram registradas ocorrências envolvendo desordem, desobediência, suspeita de compra de votos e propaganda eleitoral irregular.
Jerônimo foi o único candidato citado entre os detidos no balanço divulgado pelo TRE-MT até aquele momento. As ocorrências de boca de urna foram registradas em diferentes municípios e incluíram situações como distribuição de material de campanha e abordagem de eleitores nas proximidades dos locais de votação.
POLÍTICA MT
“Figuras” da eleição ficam de fora das urnas em MT; veja quem não conseguiu se eleger
Apresentadores, empresários, candidatos com apelidos inusitados e nomes conhecidos do eleitorado mato-grossense disputaram vagas, mas terminaram a eleição sem mandato
A eleição deste ano em Mato Grosso também chamou atenção pela presença de candidatos conhecidos do público por suas atividades profissionais, atuação nas redes sociais ou por apelidos adotados durante a campanha. Apesar da notoriedade, vários deles não conseguiram votos suficientes para conquistar uma cadeira no Legislativo.
Entre os nomes que ficaram pelo caminho estão apresentadores de televisão, empresários, representantes do agronegócio, lideranças religiosas e candidatos que apostaram em apelidos chamativos para conquistar o eleitorado.
Arthur Garcia não consegue vaga na Assembleia
Na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o apresentador do SBT Cuiabá, Arthur Garcia (Novo), foi um dos candidatos mais conhecidos. Ele recebeu 4.700 votos, mas não conseguiu se eleger.
Outro nome ligado ao agronegócio foi Hugo Garcia (PSDB), presidente da Associação dos Produtores de Feijão, Pulses, Especiais e Irrigantes de Mato Grosso (Aprofir-MT). Ele recebeu 422 votos e terminou como suplente.
Hugo ganhou destaque em agosto após ser alvo de um mandado de busca e apreensão durante a Operação Mandato Espúrio, que apura supostas movimentações financeiras irregulares superiores a R$ 1 milhão envolvendo entidades ligadas ao setor.
Rígivaldo Cardoso também ficou de fora
Outro candidato que ganhou notoriedade durante a campanha foi Rígivaldo Cardoso (Novo), conhecido como Régis Cardoso.
Ele entrou na política após perder a esposa, Cleci Calvi Cardoso, e duas filhas adolescentes, além de outra filha de 19 anos, assassinadas e violentadas sexualmente em novembro de 2023, em um crime que ficou conhecido como Chacina de Sorriso.
Régis recebeu 2.935 votos, mas não foi eleito.
“Bolsonaro da Shopee” recebe 2.142 votos
Na disputa por uma vaga na Câmara Federal, um dos nomes que mais chamou atenção foi Vilmar Rigo (Novo), que adotou o apelido de “Bolsonaro da Shopee”, em referência à semelhança física com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar da estratégia de campanha e da repercussão do apelido, Vilmar recebeu 2.142 votos e não conseguiu sequer uma vaga na suplência.
Procurador Mauro tenta a décima eleição
Entre os candidatos já conhecidos do eleitorado mato-grossense estava Procurador Mauro (PSD), que disputou novamente uma vaga na Câmara Federal.
Ele recebeu 15.112 votos, mas ficou sem mandato. Esta foi a décima eleição disputada por Mauro.
Antes filiado ao Psol, partido que possui pouca representatividade em Mato Grosso, ele mudou de legenda e concorreu pelo PSD, utilizando o slogan “Agora vai”.
Professor Haroldo e Fernando Japidinho também não se elegem
Outro nome conhecido da televisão, Professor Haroldo (Novo), que também atuava como apresentador da TV Vila Real, recebeu 17.531 votos, mas não conseguiu conquistar uma cadeira na Câmara Federal.
Também disputou uma vaga o empresário Luis Fernando Medeiros Lima, conhecido como Fernando Japidinho (Republicanos). Ele recebeu 4.823 votos e terminou como suplente.
Já Ana Paula de Oliveira Dantas, a A Carequinha (Novo), conhecida nas redes sociais pelo trabalho de conscientização e luta contra o câncer, recebeu 4.569 votos e não foi eleita.
Candidatos ligados à religião também ficaram de fora
A disputa contou ainda com representantes de segmentos religiosos.
Khauanny Garcia Rodrigues de Moura, a Mãe Kaká Garcia (Psol), mãe de santo e sacerdotisa de terreiro de religião afro-brasileira, recebeu 609 votos e não foi eleita.
O padre Sebastião (PSD) recebeu 1.997 votos e terminou como suplente.
Na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa, a indígena Eliane Xunakalo (PT) recebeu 3.427 votos e ficou como suplente. Luciene Kayabi (PP) teve 243 votos e também terminou como suplente.
Apelidos chamativos não garantiram eleição
Outros candidatos com nomes de campanha inusitados também tentaram chegar ao Legislativo estadual, mas não conseguiram.
Entre eles estão:
- Pirata do Mato Grosso, Marcos Roberto Alves Estouco (Agir), com 1.109 votos;
- Chocolate, Antônio da Silva Sales (PDT), com 43 votos;
- Cowboy do Povo, Roberto Bernardo dos Santos Filho (PSDB), com 252 votos, terminando como suplente;
- Duíco da Manga, Carlos Henrique da Silva (PSOL), com 37 votos;
- Pezão, Alex Sandre Bezerra Leite (PSOL), com apenas 6 votos;
- Pica-Pau, Gleison da Costa Santos (Rede), com 125 votos;
- Preta das Domésticas, Erdelice dos Santos (PDT), com 178 votos.
Apesar da visibilidade conquistada por alguns dos candidatos, nenhum dos nomes citados conseguiu transformar a popularidade, a exposição pública ou os apelidos de campanha em uma vaga no Legislativo.
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