POLÍTICA MT
Lúdio critica “aberração constitucional” de PEC que proíbe unidades de conservação em Mato Grosso
O deputado estadual Lúdio Cabral (PT) classificou como “aberração constitucional” a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 12/2022, aprovada pela Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (11), que proíbe a criação de novas unidades de conservação (UCs) em Mato Grosso. O texto foi aprovado por maioria na ALMT, com voto contrário de Lúdio, e deverá ser promulgado pelo Legislativo. Segundo Lúdio, a PEC fere o princípio constitucional do não retrocesso ambiental.
“É um retrocesso que não tem tamanho. Não tem sentido proibir a criação de unidades de conservação em Mato Grosso. Essa PEC cria uma aberração constitucional porque coloca, no capítulo da Constituição Estadual destinado à preservação do meio ambiente, um dispositivo para proibir a criação de unidades de conservação, justamente um dos mecanismos para proteção ambiental. Isso é absolutamente sem sentido”, afirmou Lúdio em plenário durante a votação, indicando que a emenda aprovada pode ser alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).
O texto final aprovado pela maioria dos parlamentares foi de um substitutivo de “lideranças partidárias”, que incluiu trecho prevendo a possibilidade de Organizações Não Governamentais realizarem doações em espécie ou em terras para a criação das áreas de preservação, o que é uma obrigação constitucional do Estado.
“É ainda mais absurdo aprovar isso por uma razão muito simples: qualquer proposta de criação de unidade de conservação estadual tem que partir do governador do Estado. Nenhum deputado pode propor, por iniciativa parlamentar, a criação de uma unidade de conservação. E aí, o que o governador está encaminhando para a Assembleia, é uma PEC que retira uma prerrogativa dele mesmo”, pontuou Lúdio.
A PEC é de autoria do governador de Mato Grosso e tramitava desde dezembro de 2022 na Assembleia. A proposta do governador proíbe a criação de unidades de conservação – como parques estaduais, reservas ambientais, reservas extrativistas, áreas de proteção ambiental, e outras – até que haja a regularização de 80% das UCs já existentes no Estado. Além disso, para a criação de novas áreas de proteção, é preciso que haja orçamento disponível para indenizar todos os proprietários afetados.
E seguiu: “Se o governador entende que, por um determinado período de tempo, não há necessidade de criar unidades de conservação em Mato Grosso, porque avalia que é preciso regularizar as já existentes, ele não precisa de uma Emenda Constitucional para isso. É só ele não tomar a iniciativa de criar uma nova unidade de conservação em Mato Grosso”.
O deputado lembrou que para a criação de novas unidades de conservação são necessários estudos técnicos realizados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e que, pelas regras atuais, a implantação pode ser feita por meio de decreto do governador.
Lúdio tem destacado que as áreas preservadas de Mato Grosso, concentradas principalmente em unidades de conservação e em terras indígenas, são responsáveis por manter o ciclo de chuvas em todo o Estado e no país. A ameaça a essas áreas protegidas pode impactar até mesmo o agronegócio, que depende da água das chuvas para irrigação do solo.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Pivetta inicia pente-fino na máquina pública e avalia cortes no Governo
Decreto deve criar comissão para analisar despesas, estruturas e possíveis cortes no funcionalismo
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos), reeleito no último domingo (4), prepara uma ampla revisão da estrutura do Governo de Mato Grosso com o objetivo de enxugar a máquina pública, reduzir despesas e tornar o Estado mais eficiente.
A expectativa é de que um projeto de lei de reforma administrativa seja encaminhado à Assembleia Legislativa até a próxima semana, estabelecendo as regras e os critérios que deverão orientar o trabalho. Um decreto deve ser publicado até sexta-feira (9) para criar uma comissão responsável pelos estudos.
Segundo Pivetta, a medida será o ponto de partida para um diagnóstico financeiro, econômico e administrativo do Estado. O levantamento deverá analisar o tamanho atual da estrutura, os gastos com pessoal e custeio, a necessidade de cada órgão e os setores em que existe espaço para redução de despesas sem comprometer os serviços considerados essenciais.
O grupo deverá reunir e cruzar informações das diferentes áreas do Governo para apresentar um retrato detalhado da máquina estadual.
Entre os pontos que serão analisados estão a quantidade de servidores e cargos existentes, a estrutura das secretarias e demais órgãos, contratos, despesas administrativas e possíveis sobreposições de funções.
Cortes e prioridades
A comissão deverá apontar onde existem possibilidades de economia e quais áreas devem ser preservadas ou tratadas como prioritárias.
A revisão poderá resultar em redução de estruturas, despesas e também de pessoal, especialmente em cargos comissionados. A dimensão e o formato de eventuais cortes, porém, ainda dependerão da conclusão dos estudos.
O decreto deverá estabelecer a metodologia para que as decisões sejam tomadas com base nos dados levantados pela comissão.
O ex-secretário de Estado de Fazenda Rogério Gallo, que atuou como um dos coordenadores da campanha de Pivetta, deverá presidir o grupo responsável pelos estudos.
Reforma para o novo mandato
A iniciativa deve marcar o início da reorganização administrativa para o novo mandato de Pivetta, que começa em janeiro de 2027.
A intenção do Governo é chegar ao próximo ciclo com uma estrutura mais enxuta e com maior capacidade de direcionar recursos para investimentos e áreas consideradas prioritárias pela gestão.
A proposta, neste momento, ainda está em fase de estudo. Eventuais cortes no funcionalismo e mudanças na estrutura administrativa dependerão dos resultados do levantamento e das etapas legais seguintes.
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