POLÍTICA MT
CST dos Zebuínos debate CAR, segurança jurídica e financiamento para produtores rurais de Mato Grosso
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
Na quinta reunião ordinária da Câmara Setorial Temática (CST) da Genética na Criação de Zebuínos, realizada nesta segunda-feira (23), os debates giraram em torno do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e da questão tributária que impacta diretamente os produtores de Mato Grosso.
O tema trouxe à tona a importância da segurança jurídica no campo, além de destacar as políticas públicas que oferecem apoio e financiamento ao setor agropecuário do estado. Para aprofundar a discussão, a CST recebeu a secretária adjunta da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), Luciane Copete, que esclareceu pontos sobre o CAR e sua relação com a regularização ambiental dos produtores.
Também participou Wilson Andrade, representante do MT Desenvolve, que apresentou as linhas de crédito e as soluções financeiras oferecidas aos produtores rurais, com o objetivo de fomentar o desenvolvimento sustentável e fortalecer a economia do agronegócio mato-grossense.
A representante da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA), Luciane Copete, fez um relato contundente sobre os desafios enfrentados pela gestão ambiental em Mato Grosso desde 2019. Segundo ela, ao assumir a pasta, a equipe se deparou com um cenário de extrema insegurança jurídica, agravado pelos desdobramentos da Operação Polygonum, que revelou fraudes no sistema ambiental, como informações falsas e manipulações no Cadastro Ambiental Rural (CAR) para obtenção de benefícios indevidos.
“Essa operação expôs tentativas de burlar o sistema, com registros feitos de forma equivocada, muitas vezes de maneira intencional, em benefício de determinados produtores”, destacou.
Durante sua fala, Copete reforçou que o CAR não é apenas um cadastro burocrático, mas sim um instrumento essencial para a aplicação da legislação ambiental, especialmente do Código Florestal Brasileiro. Ela explicou que a regularização ambiental leva em conta critérios como tamanho da propriedade, data de abertura da área e o cumprimento da Reserva Legal.
Produtores, segundo Copete, que abriram áreas até 2008 contam com regras de consolidação e compensação, enquanto aqueles que desmataram após esse período são obrigados a promover a recuperação ambiental na própria propriedade. “O CAR é a radiografia do imóvel rural perante a lei, seja ele pequeno, médio ou grande. A legislação vale para todos”, afirmou ela.
Entre os principais desafios ambientais, destacados por Copete, em Mato Grosso está a divergência de tipologias vegetais no estado, que possui três biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal. Ela explicou que, enquanto na Amazônia a exigência de preservação é de 80%, no Cerrado esse percentual cai para 35% ou 40%, dependendo da região. Isso gera constantes conflitos entre produtores e o órgão ambiental, especialmente nas áreas de transição entre floresta e cerrado, onde muitos questionam a classificação de suas propriedades.
“Hoje temos mais de mil processos discutindo tipologia, porque quem está em área classificada como Cerrado tem um percentual de preservação bem menor do que quem está na Amazônia. Essa disputa leva até à tentativa de fraudes, com laudos feitos para tentar alterar a classificação da vegetação”, afirmou Copete.
O presidente da Câmara Setorial Temática (CST) da Genética na Criação de Zebuínos, José Esteves Lacerda, ressaltou a necessidade urgente de o Brasil estabelecer um diálogo direto com as autoridades que tomam decisões sobre as questões ambientais e produtivas. Segundo ele, a burocracia e a morosidade nos processos de licenciamento ambiental geram insegurança jurídica não só para o produtor rural, mas para toda a cadeia econômica, incluindo indústria e comércio.
“Às vezes, um produtor espera um, dois anos por uma licença, e isso tem consequências diretas na produção e na economia”, alertou. Lacerda defendeu que o desenvolvimento do país precisa estar alinhado à ciência, tecnologia, meio ambiente, infraestrutura e logística, reforçando que Mato Grosso, isoladamente, já seria o quinto maior produtor do mundo. “Se ao invés de criminalizar primeiro, buscarmos ajustar e dar segurança jurídica, não tenho dúvida de que o Brasil seria o primeiro do mundo em produção em pouquíssimo tempo”, completou Lacerda.
Wilson Andrade, destacou em sua fala a realidade enfrentada por pequenos produtores rurais que, muitas vezes, não possuem domínio técnico, capacidade financeira nem assistência adequada para tornar suas atividades viáveis e rentáveis. Segundo ele, muitos desses produtores vivem da tradição familiar, com pequenas propriedades de 20 hectares, mas sem acesso a tecnologias, orientação técnica ou conhecimento sobre práticas que poderiam aumentar a produtividade.
“Ele não sabe que, naquela área, o tipo de gado que cria não é rentável, e que, se mudasse a técnica, poderia ter melhores resultados”, exemplificou Andrade, ao reforçar que a falta de informação compromete a sustentabilidade econômica dessas propriedades. Como resposta a esse cenário, o MT Desenvolve estruturou linhas de financiamento específicas para atender esse perfil de produtor, priorizando crédito para aquisição de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Após pesquisa que mostra liderança de Pivetra, Wellington parte para o ataque e diz que “lágrimas de crocodilo” de governador não resolvem problema da água em VG
O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) elevou o tom contra o governador e adversário Otaviano Pivetta (Republicanos) após divulgação do do instituto Paraná pesquisas que apontou liderança do republicanos com 39% e colocou a crise no abastecimento de água de Várzea Grande no centro do embate eleitoral.
Em entrevista ao VG Notícias nesta segunda-feira (24), Wellington criticou a promessa de Pivetta de buscar uma solução para o problema enfrentado pelos moradores do município e afirmou que a questão não pode ser resolvida com medidas de curto prazo.
“Um candidato que está há sete anos como vice-governador vir agora dizer que vai resolver o problema da água em poucos dias, não cola. Não adianta ele chorar lágrimas de crocodilo. O problema de Várzea Grande não se resolve assim, porque o problema principal é a distribuição”, disparou Wellington.
A ofensiva ocorre em meio à intensificação da campanha eleitoral e após a divulgação de pesquisas sobre a disputa pelo Palácio Paiaguás. Com a corrida entrando em uma fase decisiva, Wellington passa a adotar um discurso mais direto contra Pivetta, transformando problemas de infraestrutura e a atuação do atual grupo governista em pontos de confronto.
Segundo Wellington, o principal gargalo do abastecimento de Várzea Grande não estaria na produção ou captação de água, mas na precariedade da rede de distribuição, formada por tubulações antigas e comprometidas.
O candidato argumentou que simplesmente elevar a pressão da rede pode ampliar os vazamentos e, por isso, seria necessária uma intervenção estrutural.
“Os canos antigos não aceitam pressão. Quanto mais aumenta a pressão para a água chegar, mais água acaba vazando para a terra. É preciso trocar a rede, fazer investimento maciço e executar uma obra planejada. Isso não se resolve em dois meses e, provavelmente, nem em um ano”, afirmou.
PLANO DE QUATRO ANOS
Wellington defendeu a elaboração de um programa permanente de investimentos em saneamento para Várzea Grande, com participação do Governo do Estado, Prefeitura, Câmara Municipal e demais instituições.
“Várzea Grande precisa de um projeto para quatro anos, com investimento, planejamento e execução. É assim que vamos trabalhar: com diálogo, mutirões e união entre os poderes. O governador pode ajudar muito na construção dessa solução”, declarou.
O candidato também destacou sua participação nas articulações para a retomada de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinados ao município. Conforme relatado por Wellington, foram liberados aproximadamente R$ 87 milhões para obras de esgotamento sanitário.
Ele afirmou que as tratativas para destravar projetos vêm sendo realizadas desde 2025 e citou a participação da prefeita Flávia Moretti nas articulações.
ETE SANTA MARIA
Outro ponto abordado pelo candidato foi a situação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Santa Maria. Wellington afirmou que a prorrogação do convênio para conclusão das obras deverá ser autorizada pelo Ministério das Cidades ainda nesta semana.
A expectativa, segundo ele, é pela concessão de um aditivo de prazo de mais 20 meses, possibilitando a continuidade dos trabalhos e a conclusão da primeira etapa funcional da estação.
“Estamos trabalhando para que essa prorrogação seja autorizada ainda nesta semana. A articulação da prefeita Flávia, com o apoio técnico da Secretaria de Viação e Obras, foi fundamental, assim como nossa participação nas articulações políticas em Brasília junto ao Ministério das Cidades”, afirmou.
Wellington disse ainda que continuará acompanhando o processo até a assinatura do aditivo para evitar a perda dos investimentos já realizados.
“O que importa é garantir que Várzea Grande não perca os investimentos já realizados e que uma obra tão importante para o saneamento seja entregue à população”, declarou.
Ao encerrar as críticas, Wellington voltou a estabelecer uma comparação entre aquilo que classificou como promessa eleitoral e uma solução de longo prazo para o município.
“Não existe solução mágica para um problema dessa dimensão. O que existe é trabalho, planejamento, recurso e articulação. É isso que Várzea Grande precisa e é assim que pretendo governar Mato Grosso”, concluiu.
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