POLÍTICA MT
Audiência pública com ministra das Mulheres debate violência de gênero
O Brasil continua sendo um dos países que mais pratica violência contra as mulheres, embora tenha sucessivas legislações que visam corrigir a conhecida disparidade de direitos, oportunidades e proteção àquelas que são a maior parte de sua população. O desafio que envolve erradicação da violência de gênero foi tema da audiência pública “Brasil Sem Misoginia” realizada, na manhã de hoje (15), pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso e que contou com a presença da ministra das Mulheres, Cida Gonçalves.
O debate é uma iniciativa do deputado Valdir Barranco (PT) e trouxe temas como a importância de unir esforços entre os poderes para fortalecer a rede de apoio às vítimas, além de abordar a conscientização para combater a violência contra a mulher. “O intuito é ouvir sobre o que as mulheres precisam não no lugar delas ou por elas, mas sim junto delas”, afirmou Barranco.
Se até 2006 a briga entre marido e mulher era considerada de âmbito privado, com o advento da Lei Maria da Penha essa discussão ganhou contornos de domínio público, e a partir dali conceitos como violência física, sexual, psicológica, moral e financeira começaram a fazer parte das discussões que tratam da proteção aos direitos das mulheres.
A misoginia, segundo a ministra Cida, é um dos principais fatores que desencadeia a cultura de violências contra as mulheres. “Desde que assumi o ministério comecei um trabalho científico para conhecer a fundo fatores que contribuem para o Brasil ter uma realidade tão violenta para a mulher e a misoginia é considerada a raiz do problema”, afirmou.
“Enfrentar a misoginia está dentro das políticas, dos estudos e da ciência para enfrentar a violência contra a mulher no mundo e é por isso que também estamos insistindo com essa palavra, para o conhecimento do que ela representa, possamos mudar a formação e a cultura social no nosso país”, defendeu a ministra. “Essa palavra difícil representa o menosprezo, a inferiorização e principalmente o ódio contra as mulheres”, definiu.
A ministra falou ainda das políticas desenvolvidas no âmbito do governo federal e cobrou participação dos estados e municípios para ampliar as ações de proteção à mulher e de combate a violência de gênero.
A representante do estado, secretaria de Assistência Social, Grasielle Bugalho, afirmou que a violência contra as mulheres pode ser equiparada a uma pandemia. “Não reconhecer isso é também não buscar alternativas de políticas públicas para combater essa violência”, afirmou.
A secretária destacou que o governo encara com preocupação os números alarmantes de Mato Grosso, que em 2023 passou a liderar as estatísticas de feminicídio no país. Segundo a secretaria, o estado tem empenhado esforços e o grande desafio é a implementação orçamentaria. “Em Mato Grosso nós temos mais de sessenta, mas não conseguimos filtrar orçamento para incrementar essa políticas. Uma das iniciativas adotadas para mudar essa realidade foi a criação do Orçamento Mulher em Mato Grosso, seguindo o exemplo do Governo Federal e da Câmara”, afirmou. “A proposta é um avanço importante para conseguir definir o planejamento de ações e permitir uma ação continuada das politicas”, defendeu.
O presidente do Parlamento estadual, Eduardo Botelho (União), destacou que o problema da violência precisa ser combatido com união de esforços. “Não é compatível com a economia e com o destaque internacional como produtor de alimentos, Mato Grosso ostente esse tão alto de feminicidio”, declarou na abertura do evento. “Como instituição a Assembleia tem criado diversas iniciativas como a Câmara Setorial Temática de violência contra a mulher que reuniu representantes dos poderes e instituições para discutir ações urgentes para mudar essa realidade”, complementou. “Precisamos entender onde estamos errando e como nos tornar mais eficientes. “Investir na formação dos jovens para uma nova consciência sobre as mulheres e um maior rigor nas punições para os crimes cometidos contra as mulheres, são alguns dos pontos levantados nas discussões”, defendeu Botelho.
Botelho destacou ainda a criação da Procuradoria da Mulher na Assembleia Legislativa. A deputada Janaina Riva (MDB) está à frente dos trabalhos, que conta com o deputado Valdir Barranco e Carlos Avallone (PSDB) como adjuntos.
“Com a criação da procuradoria da Mulher, a Assembleia entrou na rede de enfrentamento a violência contra a mulher de uma forma mais intensa”, afirmou a subprocuradora da Procuradoria da Mulher, Franciele Brustolin que participou do debate. “Junto com outros órgãos e entidades, o Parlamento soma esforços para combater os feminicídios, assim como na articulação de políticas públicas buscando a efetividade dos direitos das mulheres”, defendeu.
A transmissão do debate está disponível no canal da TV Assembleia e pode ser acessada aqui.
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Mauro Mendes critica corte de R$ 100 milhões da BR-158 e promete pressionar Governo Federal
Candidato ao Senado afirma que retirada dos recursos é um desrespeito a Mato Grosso e defende conclusão da rodovia no Araguaia
O candidato ao Senado e ex-governador Mauro Mendes (União) criticou a decisão do Governo Federal de retirar R$ 100 milhões previstos para as obras da BR-158, no Araguaia. Segundo ele, o corte compromete uma obra considerada prioritária para Mato Grosso e, caso seja eleito, pretende pressionar o governo federal pela retomada dos investimentos.
A retirada dos recursos consta na Portaria nº 397 do Ministério do Planejamento e Orçamento, publicada nesta semana. O ato cancelou os R$ 100 milhões destinados ao trecho da BR-158 entre a divisa de Mato Grosso com o Pará e Ribeirão Cascalheira. A medida também atingiu o empreendimento que contempla cerca de 195 quilômetros de contorno da Terra Indígena Marãiwatsédé.
Mendes afirmou que a BR-158 estava entre os projetos apresentados por Mato Grosso ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no início do atual mandato, quando governadores foram chamados a Brasília para indicar obras consideradas prioritárias.
Ao comentar o ritmo das obras, o ex-governador classificou a situação como “uma vergonha” e afirmou que, segundo sua avaliação, houve avanço de apenas 12 quilômetros em quase quatro anos. Ele também criticou o cancelamento da verba prevista para este ano e disse que a decisão representa, em sua visão, um desrespeito ao Estado e à população do Araguaia.
“Pode ter certeza, se eu for senador da República, vamos apertar o pescoço do Governo Federal para que honre esse compromisso e faça essa obra tão importante para o Araguaia”, declarou Mendes.
Além da BR-158, foram retirados cerca de R$ 9 milhões previstos para obras na BR-242 e para a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), conforme as informações apresentadas na reportagem.
Mendes também defendeu que, caso o Governo Federal não tenha condições de executar a obra, o empreendimento seja transferido para o Governo de Mato Grosso. Segundo ele, a pavimentação da BR-158 é importante para o transporte da produção agropecuária e para a mobilidade da população da região.
O candidato comparou ainda os investimentos federais na BR-158 com obras rodoviárias realizadas durante sua gestão no Governo de Mato Grosso. De acordo com números apresentados por ele, o Estado teria asfaltado mais de 7 mil quilômetros de rodovias em sete anos, sendo aproximadamente 4,5 mil quilômetros nos quatro anos mais recentes.
“Vamos comparar os últimos quatro anos: o Governo de Mato Grosso fez mais de 4 mil, 4,5 mil quilômetros, contra 12 quilômetros do Governo Federal. E agora corta o investimento. É um desrespeito a Mato Grosso. Se não tinha condição de fazer, então passasse para a gente”, afirmou.
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