FIM DE CICLO
Aos 79 anos, Júlio Campos admite aposentadoria após ficar como suplente na ALMT
Ex-governador recebeu 17,7 mil votos e afirma que já cogitava deixar as disputas eleitorais antes mesmo da campanha deste ano
Aos 79 anos e depois de não conseguir a reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), o deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) admitiu, nesta quarta-feira (7), que pode encerrar uma trajetória política de mais de cinco décadas.
Ao comentar o futuro após as eleições, Júlio afirmou que a idade é um dos fatores que pesam na decisão e lembrou os diferentes cargos que já ocupou ao longo da vida pública.
“Olha, a própria idade já até recomenda e eu também já fui tudo, né?”, declarou.
Na disputa por uma cadeira na Assembleia, Júlio recebeu 17.732 votos e terminou como suplente. Em Várzea Grande, principal reduto eleitoral de sua trajetória política, obteve 4.957 votos.
O parlamentar revelou que a possibilidade de deixar as eleições já havia sido considerada antes da campanha de 2026. Segundo ele, a decisão de concorrer novamente ocorreu após o resultado da convenção partidária.
“Já tinha pensado nisso antes. Vocês lembram que não era meu pensamento entrar nessa campanha, mas devido ao resultado da convenção eu fui obrigado a voltar ser candidato para marcar presença. Mas o futuro a Deus pertence”, afirmou.
O resultado ocorre no mesmo ano em que o irmão de Júlio, o senador Jayme Campos (União Brasil), não conseguiu viabilizar sua candidatura ao Governo de Mato Grosso. Na convenção realizada em julho, o União Brasil decidiu apoiar Otaviano Pivetta (Republicanos), que venceu a eleição para governador.
Com o mandato de Jayme no Senado chegando ao fim, os dois irmãos deverão ficar sem mandato eletivo a partir de 2027, caso não haja mudança no cenário atual.
Júlio Campos iniciou sua trajetória política como prefeito de Várzea Grande, cargo que exerceu entre 1973 e 1977. Posteriormente, foi deputado federal, governador de Mato Grosso entre 1983 e 1986 e senador da República. Também retornou à Câmara dos Deputados e, mais recentemente, à Assembleia Legislativa, onde iniciou novo mandato em 2023.
Após mais de 50 anos de vida pública, Júlio evita cravar definitivamente a aposentadoria, mas reconhece que o encerramento da carreira eleitoral passou a ser uma possibilidade concreta.
“Eu também já fui tudo”, resumiu.
POLÍTICA MT
Justiça cobra ALMT e determina comprovação de desligamento de servidor efetivado sem concurso
Assembleia terá dez dias para demonstrar se José Roberto Nunes Medeiros cumpre requisitos previdenciários previstos pelo STF ou efetivar sua saída dos quadros funcionais
A Justiça determinou que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) apresente, no prazo de dez dias, documentos relacionados à situação funcional do técnico legislativo José Roberto Nunes Medeiros, que integra o quadro efetivo da Casa apesar de não ter ingressado por concurso público.
A determinação é da juíza Célia Regina Vidotti, da Vara Especializada em Ações Coletivas, em despacho publicado na última quinta-feira (1º). A magistrada quer saber se o servidor preenche os requisitos necessários para aposentadoria pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), conforme os parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Caso os requisitos não sejam atendidos, a decisão determina o imediato desligamento de Medeiros dos quadros efetivos da Assembleia e também do regime próprio de previdência. Nessa hipótese, ele ficará sujeito ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
Segundo informações do Portal da Transparência citadas no processo, o salário atual do cargo de técnico legislativo de nível fundamental é de aproximadamente R$ 13,4 mil.
“Intime-se a ALMT, para no prazo de dez (10) dias, cumpra a decisão, comprovando, por meio de documentos hábeis, se o requerido satisfaz as exigências do Tema 1.254/STF ou comprove o integral cumprimento do v. acórdão, procedendo ao imediato desligamento do servidor José Roberto Nunes Medeiros dos quadros de pessoal efetivo e do RPPS”, determinou a magistrada.
A discussão faz parte de um impasse envolvendo servidores que foram contratados diretamente pela Assembleia e, posteriormente, passaram a integrar o quadro estatutário sem aprovação prévia em concurso público.
Em 2022, um acordo envolvendo os Poderes de Mato Grosso estabeleceu a possibilidade de aposentadoria para servidores nessa situação que perderam os cargos, desde que já preenchessem os requisitos previdenciários necessários, como tempo de serviço e demais exigências legais.
Conforme relatado no processo, parte desses funcionários foi admitida diretamente pela ALMT e, ao longo dos anos, teve o vínculo transformado em efetivo. A controvérsia judicial envolve justamente a validade dessas efetivações e a permanência dos servidores nos quadros públicos sem aprovação em concurso.
Agora, caberá à Assembleia apresentar a documentação exigida pela Justiça e demonstrar se José Roberto Nunes Medeiros se enquadra nas condições estabelecidas pelo STF para a aposentadoria. Caso contrário, deverá comprovar seu desligamento dentro do prazo determinado.
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