POLICIAL
Computadores, drones e viaturas para transporte de preso fortalecem o trabalho da Polícia Civil em todo estado
A Polícia Civil, por meio da Diretoria de Execução Estratégica (DEE), realizou nesta na quarta-feira (29.08), a entrega de oito viaturas para transporte de presos, drones e de mais de mil computadores que serão distribuídos para as delegacias da região metropolitana e interior do estado.
A apresentação e entrega dos itens foi realizada na Praça das Bandeiras em Cuiabá, simbolizando uma amostra dos mais de R$ 109 milhões que estão sendo executados para modernização e inovação de toda estrutura física e tecnológica da Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da aquisição de móveis, eletrodomésticos, notebooks, computadores, equipamentos de tecnologia da informação e viaturas.
O evento contou com a participação do governador do Estado, Mauro Mendes, do secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, do delegado-geral, Mário Dermeval, e da diretora de Execução Estratégica, Daniela Silveira Maidel.
Os veículos para transporte de presos, seis automóveis chevrolet cruze e um veículo para transporte de cargas e demais itens, como computadores, notebooks, kits de escuta humanizada e drones foram adquiridos com recursos de apreensões realizadas em investigações da Polícia Civil, negociações com Ministério Público e Poder Judiciário, fundos de segurança Pública, extra legado do Ministério da Justiça e Segurança Pública e emendas parlamentares
As oito viaturas, tipo van, utilizadas para transporte de presos, serão entregues para as Regionais de Rondonópolis, Cáceres, Água Boa, Tangará da Serra, Sinop, Nova Mutum, Primavera do Leste e Barra dos Garças.
Outros 10 veículos do mesmo tipo foram entregues anteriormente para as Regionais de Alta Floresta, Juína, Guarantã do Norte, Vila Rica e para unidades da região metropolitana, como Central de Flagrantes de Cuiabá e Várzea Grande, Gerência Estadual de Polinter, Plantão de Atendimento à Vítimas de Violência Doméstica e Familiar, e Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito (Deletran), totalizando 18 viaturas para transporte de preso e um investimento de R$ 4 milhões.
No evento, também foi realizada a entrega simbólica de outros itens adquiridos pela DEE e em distribuição para unidades do interior como 1.200 computadores, 370 notebooks, 23 drones, kits de escuta humanizada e outros itens de tecnologia da informação, que fazem parte do fortalecimento do inquérito eletrônico em todo estado.
A diretora de Execução Estratégica, Daniela Silveira Maidel, explicou que os produtos apresentados são apenas uma amostra e que a distribuição dos itens já iniciou na região metropolitana e no interior do estado, em busca do fortalecimento das investigações e de todo trabalho realizado pela Polícia Civil.
“Antes da distribuição é feito um planejamento e o mapeamento das necessidades das delegacias. Os computadores, drones e os kits de escuta humanizada serão utilizados no fortalecimento das nossas investigações em todo estado e estão sendo distribuídos conforme a necessidade de cada unidade”
O secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, destacou que as entregas ampliam e melhoram não só as condições da Polícia Civil como de toda a Segurança Pública do Estado. “São aquisições que vão contemplar principalmente o interior do estado, facilitando as condições de trabalho dos profissionais, melhorando a Segurança Pública para o cidadão mato-grossense”, disse o secretário.
Para no delegado-geral, Mário Dermeval Aravechia de Resende, a renovação de veículos e de toda estrutura da Polícia Civil deve ser permanente, uma vez que a instituição tem como característica principal a investigação e a apuração de materialidade dos fatos no auto do inquérito policial, devendo a qualidade no ambiente de trabalho ser constantemente aperfeiçoada.
“Todas as melhorias são bem-vindas e a Polícia Civil tem trabalhado para se reforçar tanto na área tecnológica, quando estrutural, com a aquisição de equipamentos, veículos e todos os itens necessários para o melhor desempenho das investigações e do trabalho policial, em busca de muito em breve se tornar uma das melhores Polícias Civis do país”, disse o delegado-geral.
Fonte: PJC MT
POLICIAL
Polícia Civil leva debate sobre bullying, ciberbullying e radicalização misógina às escolas de Cuiabá
A violência contra a mulher não começa com um feminicídio. Ela nasce silenciosa, muitas vezes nos corredores das escolas, nas salas de bate-papo de jogos online, nos comentários anônimos das redes sociais e nos discursos de ódio que se infiltram como verdadeiros “coaches” da masculinidade tóxica.
Para enfrentar essa realidade, a Polícia Judiciária Civil, por meio da Coordenadoria de Polícia Comunitária e dos projetos sociais intensificou palestras nas unidades de ensino, lança um olhar atento e preventivo sobre o fenômeno da intimidação sistemática (bullying), do ciberbullying e da radicalização online em perfis da manosfera e machosfera.
A ação, que integra a campanha de prevenção à violência virtual nas escolas da capital, leva às salas de aula um diálogo franco e desarmado com alunos do ensino fundamental e médio. O objetivo não é apenas punir, mas impedir a formação de novos agressores, desconstruindo a ideia de que “brincadeira de mau gosto” é algo natural ou inofensivo.
“Não é brincadeira”: Investigador alerta para os crimes por trás da tela
Palestrante frequente nas ações da Polícia Civil em Cuiabá, o investigador Ademar Torres de Almeida, tem se dedicado a levar às escolas uma mensagem clara: o bullying e o ciberbullying são violações graves, com consequências jurídicas e emocionais reais. Em suas apresentações, ele utiliza recursos audiovisuais e exposição dialogada para mostrar como apelidos, xingamentos repetitivos, exclusão social e humilhações digitais não se trata de “mera diversão”.
“Precisamos desmontar essa ideia de que colocar apelido ofensivo, isolar o colega ou espalhar um boato é brincadeira. Isso é violência. E quando essa violência ganha as redes ou os chats dos jogos online, ela se multiplica. A Lei nº 14.811/2024 tipificou o cyberbullying como ‘intimidação sistemática virtual’, e os adolescentes precisam saber que responderão por atos infracionais por essas condutas”, alerta o investigador.
Segundo Ademar Torres, um dos pontos mais críticos observados nos diálogos com os jovens é a adesão velada a discursos de ódio contra meninas e mulheres, propagados em comunidades como a manosfera – um ecossistema digital misógino – e seu núcleo mais radical, a machosfera. Termos como Incel, Redpill, Blackpill e MGTOW (Homens Seguindo seu Próprio Caminho) têm sido identificados por pesquisas como mecanismos de radicalização que transformam frustrações em rancor e, em casos extremos, em violência.
“Quando um aluno começa a reproduzir frases de ódio contra as colegas, a defender que ‘mulher merece sofrer’ ou a consumir conteúdos de influenciadores que pregam a dominação masculina, isso é um sinal de alerta. Estamos falando de um processo de radicalização que começa online e pode terminar em violência real. A escola é o lugar ideal para interromper esse ciclo”, explicou o investigador.
Psicóloga reforça: parceria com a Polícia Civil transforma a escola
A atuação da Polícia Civil nas escolas não acontece de forma isolada. No Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Cuiabá, a psicóloga Renata, da equipe psicossocial da unidade, tem acompanhado de perto os resultados das palestras e rodas de conversa promovidas pelos investigadores. Para ela, a presença da Polícia Civil no ambiente escolar é fundamental para desmistificar o tema e dar segurança jurídica e emocional a alunos e educadores.
“A expressão ‘bullying’ é usada para qualificar comportamentos agressivos no ambiente escolar, praticados de forma intencional e repetitiva, deixando a vítima impossibilitada de se defender. Mas, na prática, muitas crianças e adolescentes não sabem identificar quando estão sendo vítimas ou, pior, quando estão sendo agressores. O trabalho da Polícia Civil, com uma linguagem acessível e exemplos concretos, ajuda a desnaturalizar essa violência. Eles explicam desde o bullying físico até o cyberbullying, incluindo a falsificação de fotos, a disseminação de boatos e a violação de intimidade”, detalha a psicóloga.
Renata destaca que um dos maiores ganhos dessa parceria é a prevenção baseada no diálogo e no acolhimento, e não apenas na repressão. “Quando o investigador entra na sala e fala sobre como os jogos online podem se tornar espaços tóxicos, ou como um comentário misógino em uma rede social não é ‘só uma opinião’, os alunos se sentem provocados a refletir. A escola sozinha não dá conta desse fenômeno digital. Precisamos do Estado, da segurança pública, atuando de forma coordenada. A Polícia Civil tem sido essencial nesse sentido”, afirmou.
O que diz a lei e o papel da escola
O coordenador da Polícia Comunitária, delegado Mario Dermeval, ressalta que as ações da Polícia Civil nas escolas de Cuiabá estão amparadas em um robusto arcabouço legal. A Lei Estadual nº 9.724/2012 determina a inclusão de medidas de conscientização e combate ao bullying nos projetos pedagógicos de Mato Grosso. Já a Lei Federal nº 13.185/2015 instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e a Lei nº 13.663/2018 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para obrigar as escolas a promoverem ações de prevenção à violência e cultura de paz.
De acordo com o material utilizado nas palestras, as formas mais comuns de bullying vão além do físico e incluem o bullying psicológico (amedrontar, perseguir), moral (difamar, caluniar), verbal (insultos, apelidos humilhantes), sexual (assediar), social (isolar, excluir), material (furtar ou destruir pertences) e o virtual ou cyberbullying (humilhações online, invasão de perfis, envio de mensagens ofensivas).
Prevenção como projeto de Estado
Segundo o gerente de Polícia Comunitária, investigador Nilton César Cardoso, as ações da Polícia Civil na capital têm por referência os projetos sociais de prevenção e o Programa Escola Segura que visa a prevenção eficaz aliada a educação transformadora, integrada no território escolar. Ao final das palestras, fica a mensagem central: os algoritmos das redes sociais e os chats dos jogos online não podem ditar o que é certo ou errado. A responsabilidade é coletiva. Como bem sintetizou o Investigador.
Serviço
Escolas públicas e privadas de Cuiabá que desejarem agendar palestras sobre bullying, ciberbullying, prevenção à violência virtual e enfrentamento à radicalização misógina podem entrar em contato com a Polícia Civil. As ações são gratuitas e voltadas a alunos do ensino fundamental e médio.
Fonte: Policia Civil MT – MT
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