NACIONAL
Recife que decola junto: como a expansão do aeroporto transformou sonhos em oportunidades
Quando deixou Pernambuco rumo a São Paulo, Kethleen levava consigo um sonho de muitos anos: trabalhar com aviação. Desde os 18, buscava uma oportunidade no setor. Mas, como acontece com muitos jovens nordestinos, ela acreditava que precisaria sair da própria terra para conseguir crescer profissionalmente.
Na capital paulista, tentou construir o futuro que imaginava possível. Recife parecia distante das grandes rotas da aviação civil, um lugar onde o sonho, possivelmente, não teria espaço para decolar. Só que, enquanto ela buscava oportunidades longe de casa, sua cidade começava a se transformar.
Ao retornar para a capital pernambucana, encontrou um cenário completamente diferente daquele que havia deixado. O Aeroporto Internacional do Recife passava por uma ampla expansão. A pista estava sendo ampliada, o terminal ganhava nova estrutura e o fluxo de passageiros crescia rapidamente. Mais do que uma obra de infraestrutura, aquele espaço representava algo raro para quem passou anos tentando entrar no setor: a esperança por uma oportunidade no setor que movimentou quase 130 milhões de passageiros no último ano.
“Quando eu voltei para Recife, já estava tudo mudado. A expansão já estava acontecendo e aquilo me deixou esperançosa. Pensei: se está aumentando, vai ter mais emprego”, conta.
Foi então que decidiu entregar um currículo, quase como um gesto de insistência em um sonho que se recusava a abandonar. Poucos dias depois, veio a ligação que mudaria sua vida. “Eu pulei de emoção dentro de casa. Foi a realização de algo que eu buscava há muitos anos.”
A trajetória de Kethleen acompanha a própria transformação vivida pelo aeroporto nos últimos anos. Reinaugurado em dezembro de 2023, após obras de modernização e ampliação, o terminal passou a operar com nova infraestrutura, pista ampliada e maior capacidade para receber voos nacionais e internacionais. Desde então, o crescimento deixou de aparecer apenas nos relatórios e passou a ser percebido na rotina de milhares de pessoas.
Somente no primeiro trimestre de 2026, o aeroporto movimentou 2.702.872 passageiros, acima dos 2.438.713 registrados no mesmo período de 2025 e dos 2.362.532 contabilizados em 2024. Um cenário de grande expansão e oportunidades, como foi para Kethleen.
Os números consolidam Recife como o principal hub aéreo do Nordeste e reforçam o papel estratégico de Pernambuco na conexão entre regiões do Brasil, e bem como de destinos internacionais. Mais voos significam mais turismo, maior circulação de renda, novos negócios e, principalmente, mais opções para quem vive no estado.
Com a expansão da operação, cresceu também a demanda por profissionais em diversas áreas: segurança, logística, atendimento, manutenção, comércio e serviços passaram a absorver milhares de trabalhadores. Atualmente, mais de 4,5 mil pessoas atuam diretamente na operação aeroportuária.
Entre elas está Adailton, que, além de um emprego, encontrou uma nova perspectiva de vida na aviação. Antes de chegar ao setor, ele trabalhava com acabamento industrial, fazendo lixamento, polimento e pintura de peças. “Era um trabalho necessário, mas distante de qualquer realização pessoal”, desabafa.
A mudança começou com a ampliação do aeroporto e a instalação de novos equipamentos de segurança, que abriram espaço para novas contratações. Foi nesse momento que ele conheceu a aviação civil. “No começo, achei interessante. Depois que fiz o curso, me apaixonei. Cada dia eu gostava mais”, explica Adailton.
A partir daí, a rotina cansativa deu lugar ao sentimento de pertencimento e propósito. “Eu acordo mais disposto para trabalhar. Saio do serviço sentindo que vale a pena. É algo melhor para mim e para minha família”, comemora.
As histórias de Kethleen e Adailton ajudam a explicar um movimento maior que vem redesenhando Pernambuco. A consolidação do aeroporto como polo logístico, turístico e econômico. O terminal deixou de ser apenas um ponto de chegada e partida para se tornar uma plataforma de oportunidades e transformação social.
Mais oportunidades
No terminal, os investimentos não param de avançar. Em 2025, foi anunciado um novo pacote de R$ 640 milhões para modernizar o entorno do aeroporto e construir o Terminal Intermodal, espaço que reunirá áreas para veículos por aplicativo, vans, ônibus de turismo, cafés e lojas. A expectativa é gerar cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos.
Entre tantos pousos e decolagens e o vai e vem de pessoas e bagagens, novos horizontes também são traçados por Kethleen no terminal: “O próximo objetivo é conseguir trabalhar como comissária. E ver o aeroporto crescendo desse jeito motiva muito a gente”, declara.
Em Recife, a expansão da aviação passou a significar mais do que aumento de capacidade operacional. Tornou-se símbolo de permanência, de pertencimento e de oportunidade para milhares de pessoas que, agora, conseguem sonhar sem precisar partir.
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos
Fonte: Portos e Aeroportos
NACIONAL
Como escolas e famílias formam novos leitores
A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho.
Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância.
A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura.
Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo.
“Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso”.
As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância – e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças.
“Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas – hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês –, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”.
A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo.
“Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar”.
Cooperação – Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida.
Instituída pela Portaria nº 540/2026, a comunidade reúne gestores públicos indicados pelos municípios, estados e Distrito Federal em uma rede de cooperação federativa. A iniciativa busca fortalecer as capacidades institucionais dos entes para planejar, executar, monitorar e avaliar políticas públicas destinadas a bebês e crianças de até seis anos, além de promover a troca de experiências, a difusão de conhecimentos técnicos e o aprimoramento contínuo das ações voltadas à primeira infância.
A comunidade está estruturada em dois eixos. O primeiro, Pactuação e Articulação Federativa, prevê oficinas, encontros técnicos e seminários para discutir iniciativas, projetos e programas voltados à primeira infância e incentivo à cooperação entre os entes federativos. Já o eixo Desenvolvimento de Capacidades Institucionais contempla a criação de instrumentos de gestão, protocolos, sistemas de informação, monitoramento e avaliação, além da oferta de ações formativas voltadas ao fortalecimento das capacidades individuais e coletivas da gestão pública.
As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas. Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação
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