NACIONAL
Inep lança manual explicativo sobre o Enamed
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao Ministério da Educação (MEC), lançou o manual “Enamed – Da Matriz de Referência ao Resultado do Participante”, voltado a estudantes, egressos e instituições de ensino superior responsáveis pelos cursos de medicina. A publicação reúne em um só lugar informações úteis sobre o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), compilando aspectos técnicos, pedagógicos e logísticos.
Na prática, o manual pretende responder a três perguntas centrais: o que é avaliado; como as provas são elaboradas; e como as notas são calculadas. O manual também deixa clara uma distinção importante para as instituições: a diferença entre o resultado individual do estudante e o resultado do curso.
O documento apresenta o detalhamento de todos os componentes que estruturam a Matriz de Referência Comum para a Avaliação da Formação Médica (Portaria Inep nº 478/2025). Explica também, de forma didática, como cada questão nasce do cruzamento desses elementos com situações concretas do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida garante que as diferentes edições sigam o mesmo padrão de competências com total isonomia técnica em relação aos critérios usados na elaboração das provas.
Outro trecho do manual detalha como as provas são elaboradas, desde a produção dos itens por docentes de medicina selecionados por chamada pública até a montagem final do caderno pelas comissões do Inep. Todo esse processo resulta em uma prova com 100 questões objetivas baseadas em casos clínicos e situações-problema. O documento explica ainda o modelo estatístico usado no cálculo das notas: a Teoria de Resposta ao Item (TRI), no Modelo de Rasch, e como é definido o ponto de corte que separa os participantes Proficientes dos Não Proficientes, fixado em 60 pontos na escala do exame.
A nota do estudante e o conceito do curso são informações diferentes. Uma das explicações centrais do manual destaca que o Conceito Enade não é a média das notas da turma, mas o percentual de concluintes que alcançaram o nível Proficiente, convertido em uma escala de 1 a 5.
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Conceito Enade |
Concluintes proficientes |
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1 |
menos de 40% |
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2 |
de 40% a menos de 60% |
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3 |
de 60% a menos de 75% |
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4 |
de 75% a menos de 90% |
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5 |
90% ou mais |
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Segundo o manual, só entram nesse cálculo os concluintes regularmente inscritos pela instituição, presentes ao exame e com resultado válido; cursos com menos de dez concluintes nessa condição ficam Sem Conceito (SC).
Enamed – O Enamed é a modalidade do Enade voltada aos cursos de graduação em medicina. Instituído pela Portaria MEC nº 330/2025 e depois incorporado à legislação pela Medida Provisória nº 1.370/2026, é realizado pelo Inep em parceria com a HU Brasil e aplicado de forma descentralizada nos municípios-sede dos cursos avaliados. Sua função vai além de medir o desempenho individual: o exame também verifica se a formação está alinhada às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e às necessidades do SUS, além de subsidiar políticas públicas e apoiar a avaliação, a regulação e a supervisão dos cursos de medicina. A partir de 2026, o Enamed passa a ter duas etapas: uma ao final do quarto ano, antes do internato, e outra ao final do sexto ano.
Assessoria de Comunicação Social do MEC, com informações do Inep
Fonte: Ministério da Educação
NACIONAL
Crise entre ministros do STF ganha repercussão na imprensa internacional
Veículos estrangeiros destacam divergências internas na Corte e apontam possíveis impactos do conflito no cenário político e nas eleições de outubro
Os novos capítulos da crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a receber atenção da imprensa internacional. Veículos estrangeiros repercutiram as divergências entre ministros da Corte e avaliaram o episódio como um momento de forte tensão institucional e política no Brasil.
A Reuters classificou o cenário como a mais grave crise interna enfrentada pelo STF desde a redemocratização do país. A agência britânica destacou o confronto envolvendo os ministros André Mendonça, Flávio Dino e Alexandre de Moraes e relacionou a disputa ao período de elevada tensão política que antecede as eleições de outubro.
A Bloomberg também deu destaque ao agravamento das divergências e ao papel do presidente do STF, Edson Fachin. Segundo a publicação, medidas recentes adotadas pelo ministro estão entre as mais contundentes de sua gestão, em uma tentativa de restabelecer o controle sobre uma Corte que atravessa um de seus períodos de maior tensão nas últimas décadas.
A publicação avaliou ainda que o episódio pode influenciar o debate eleitoral e colocar os poderes do Supremo no centro da disputa política entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Nos Estados Unidos, a Associated Press (AP) também repercutiu os acontecimentos recentes envolvendo o tribunal. A agência informou que o STF cancelou uma segunda sessão consecutiva durante a semana e que Fachin remarcou os trabalhos para terça-feira (15).
Entre os assuntos que devem ser analisados está a possibilidade de abertura ou arquivamento de um procedimento que apura a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Para a AP, o conflito entre os ministros provoca desgaste à imagem institucional do Supremo e ganhou relevância no cenário político às vésperas das eleições.
O canal Al Jazeera afirmou que as acusações e divergências entre integrantes do STF podem levar a Corte para o centro de disputas políticas ainda mais amplas. O veículo também relacionou o episódio ao processo eleitoral brasileiro e levantou questionamentos sobre a atuação dos ministros.
O britânico The Independent acompanhou outro capítulo da crise ao noticiar a decisão de Flávio Dino de restabelecer nos cargos Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Leandro Almada, superintendente da corporação em São Paulo, após André Mendonça determinar o afastamento dos dois.
Já o Washington Post havia relacionado a decisão de Mendonça ao agravamento das tensões entre o Judiciário e o governo Lula, além de destacar possíveis reflexos do episódio sobre as eleições de outubro.
A repercussão internacional amplia a dimensão do embate interno no STF e evidencia a atenção de veículos estrangeiros para os efeitos institucionais e políticos da crise brasileira em um período marcado pela proximidade do processo eleitoral.
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