VIOLÊNCIA POLÍTICA DE GÊNERO

Virginia Mendes pede expulsão de vereador por violência política de gênero contra prefeita em MT

Primeira-dama classifica postagens como violência política de gênero e cobra punição

A primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, defendeu a expulsão do vereador de Aripuanã, Luciano Aparecido Demazzi, após publicações nas redes sociais classificadas como violência política de gênero contra a prefeita do município.

A representação foi protocolada pela deputada federal Gisela Simona Viana de Souza, com base no Estatuto do União Brasil, pedindo a abertura de processo ético-disciplinar e a expulsão do parlamentar por conduta incompatível com a dignidade, o decoro e a ética partidária. A iniciativa também conta com o apoio da senadora Margareth Buzetti.

Segundo o documento, no dia 11 de fevereiro de 2026, o vereador publicou conteúdos direcionados à prefeita Seluir Peixer Reghin, também filiada ao partido, com ataques à sua honra e menções vinculadas ao exercício do cargo. A gestora registrou boletim de ocorrência.

Para Virginia, a conduta configura violência política de gênero e não pode ser relativizada.

“É inaceitável que um representante eleito utilize seu espaço para atacar a honra de uma mulher e tentar desqualificá-la politicamente. Que tipo de postura é essa? Seguiremos firmes na luta em prol de todas as mulheres e não podemos permitir que a violência política de gênero seja tratada como algo comum”, afirmou.

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A primeira-dama também reforçou que atitudes dessa natureza não serão admitidas.

“Não admito qualquer ação, dentro ou fora do União Brasil, que represente violência ou desrespeite qualquer mulher. Isso jamais será tolerado. A política precisa ser feita com responsabilidade e respeito”, declarou.

O pedido será analisado pela Comissão Executiva do partido, que decidirá sobre a abertura formal do processo e eventual expulsão do vereador.

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MULHER

O primeiro tapa quase nunca é o começo da violência Por: Virginia Mendes

Quando um caso de violência contra a mulher ganha as manchetes, muita gente imagina que tudo começou com um tapa. Mas, na maioria das vezes, não é assim. A agressão física costuma ser o último estágio de uma violência que começou muito antes, de forma silenciosa, disfarçada de cuidado, amor ou ciúme.

Primeiro vêm os comentários sobre a roupa. Depois, as críticas às amizades, à família, ao trabalho e às redes sociais. Aos poucos, o controle sobre horários, decisões e escolhas se torna parte da rotina. O ciúme deixa de ser sentimento e passa a ser posse. É aí que mora o perigo.

A violência psicológica não deixa, necessariamente, marcas no corpo, mas pode destruir a autoestima, a liberdade e a saúde emocional da mulher. Humilhações, ameaças, chantagens, manipulação e isolamento fazem com que muitas vítimas percam a confiança em si mesmas e acreditem que não conseguirão sair daquela situação.

Por isso, é preciso reconhecer os sinais antes que a violência evolua para agressões físicas e, em casos extremos, para o feminicídio.

Todo relacionamento tem conflitos e divergências. O que não pode ser normalizado é o desrespeito. Se uma mulher muda a maneira de se vestir, deixa de conviver com a família ou passa a medir cada palavra por medo da reação do companheiro, ela não está vivendo uma relação saudável. Isso não é amor.

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E há uma verdade que precisa ser repetida: a culpa nunca é da vítima. Nenhuma roupa, escolha ou comportamento justifica uma agressão. A única pessoa responsável pela violência é quem decide praticá-la.

Ao longo da minha caminhada, ouvindo mulheres e acompanhando histórias de superação, muitas vezes escutei a mesma frase: “Eu não percebi quando tudo começou”. É justamente por isso que a informação é tão importante. Precisamos falar sobre os primeiros sinais para que as mulheres possam reconhecê-los e buscar ajuda antes que seja tarde.

Também precisamos fortalecer a rede de apoio. Familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho devem estar atentos. Muitas mulheres permanecem em silêncio por medo, vergonha, dependência financeira ou pela esperança de que o agressor mude. Acolher, orientar e incentivar a denúncia pode salvar vidas.

Defendo que o Brasil avance na prevenção, na proteção das vítimas e na punição dos agressores. É preciso investir em educação e acolhimento, mas também discutir o endurecimento das leis. Defendo a reforma da Constituição para permitir a prisão perpétua para feminicidas e autores de crimes hediondos. Crimes tão graves exigem respostas à altura de sua brutalidade.

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Mas nenhuma punição será suficiente se continuarmos chegando tarde. Precisamos agir diante dos primeiros sinais, antes que o controle vire agressão e que a agressão termine em tragédia.

Se você vive uma relação marcada pelo medo, pelo controle, pelas ameaças ou pelas humilhações, pedir ajuda não é fraqueza. É coragem. Você não está sozinha.

Denuncie. O silêncio protege o agressor, nunca a vítima. O Ligue 180 oferece orientação e encaminhamento para a rede de proteção. Em situações de risco imediato, acione a Polícia Militar pelo 190.

A violência doméstica não começa com o primeiro tapa. Muitas vezes, começa com palavras, controle em diversas situação, entre elas a patrimonial e violência psicológica. Reconhecer os primeiros sinais pode salvar uma vida.

Virginia Mendes é economista, ex-primeira-dama de Cuiabá, ex-primeira-dama de MT idealizadora do programa SER Família.

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