MINISTÉRIO PÚBLICO MT

Desarmadilhar o indivíduo e desvalorizar as paredes

Li que na estrada para ser Brasil (ainda caminhando) já houve tempo em que o Estado, os funcionários públicos, as ordens religiosas, os padres, todos eram proprietários de escravos. Os próprios escravos, uma vez livres, adquiriam escravos.

Acordamos! Mas ainda dormimos. Falta-nos a noção simples de igualdade.

Nós quase nunca somos quem os outros esperam. E, em homenagem à vida, eu não estou só como eu achava. Acreditamos que todos sabemos o que é ser uma pessoa. No entanto, essa definição é quase sempre redutora e falsa.

Não se trata de estar no movimento do abolicionismo, do racismo, do LGBTQIAP+, das vítimas, dos direitos humanos, é ser direitos humanos em movimento. Não se trata de aceitar o outro, é saber que você é o outro também. É transitar de vidas. É visitarmos e sermos visitados por outras sensibilidades.

A vida da gente é uma vereda para ser pessoa. Não, não somos o centro da vida nem o topo da evolução. Começamos indivíduos, estamos na corda bamba para ser gente. O que nos faz ser pessoa não está no CPF, nem no RG. Muito menos na carteira funcional. Ou nos famosos “ser alguém na vida” e “ter sucesso, ter futuro”. O que nos faz pessoas é o modo como pensamos e agimos. Como sonhamos, como somos com os outros, com nós mesmos e com nossa circunstância.

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De que adianta os títulos de mestre e doutor, de que servem o cargo de promotor, juiz, ministro ou presidente, se quando diante de uma alma humana, não conseguimos ser … outra alma humana.

É difícil ser pessoa, nem que seja por um momentinho, até de visita. Às vezes a gente quase é … Gente é um universo vasto, profundo, homem algum sabe muito. As forças interiores da vida humana ainda se mostram profundamente ocultas para nós. Por isso essa caminhada deve ser atenta, sem rudeza e sem soberba. Para ir habituando os olhos ao escuro. Aprendendo com sentidos visíveis e invisíveis. Ah! Nunca houve tanta estrada. E nunca nos visitamos tão pouco.

Não é fácil procurar o que nos ajuda a sair da gente, o que nos afasta das nossas certezas. Como diz Mia Couto, nesse território, não temos apenas sonhos, somos sonháveis.

Cada um é porque é os outros e a realidade envolvente. Simone de Beauvoir disse: a verdadeira natureza humana é não ter natureza nenhuma. Desvalorize as paredes, amigo leitor!

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* Emanuel Filartiga é promotor de Justiça em Mato Grosso

Fonte: MP MT

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Projeto do MPMT leva prevenção e orientação às escolas do interior

O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realiza, entre os dias 14 e 30 de maio de 2026, uma agenda de apresentações do projeto “Prevenção Começa na Escola” em municípios do interior do Estado. A iniciativa integra ações institucionais do MPMT voltadas à promoção da defesa dos direitos de crianças e adolescentes, utilizando a arte como ferramenta educativa no ambiente escolar.A circulação será realizada pela Cia Vostraz de Teatro, com encenações das peças “Inocentes pétalas roubadas” e “RE-cortes”. Os espetáculos abordam temas sensíveis relacionados à proteção da infância e da adolescência de forma acessível, reflexiva e adequada ao público infantojuvenil, estimulando o diálogo e a escuta no contexto escolar.As apresentações ocorrem a partir de parcerias com prefeituras municipais, por meio das secretarias de Educação e da assistência social, com apoio de promotorias de Justiça.Ao longo de 16 dias de circulação, estão previstas 31 apresentações, com expectativa de alcançar aproximadamente 10 mil pessoas. O público inclui crianças, adolescentes, educadores, profissionais da rede de proteção, integrantes da comunidade escolar e familiares, ampliando o alcance da mensagem preventiva.A agenda contempla quatro apresentações em Nova Maringá no dia 15 de maio, seis apresentações em Novo Mundo nos dias 18 e 19, oito apresentações em Guarantã do Norte nos dias 20 e 21, dez apresentações em Sapezal entre os dias 25 e 27 e três apresentações em Feliz Natal nos dias 28 e 29 de maio. Para cumprir o cronograma, a equipe percorrerá cerca de 4.500 quilômetros.“Ao levar informação, reflexão e diálogo para diferentes regiões do Estado, o MPMT contribui para uma formação mais humanizada e para a construção de ambientes escolares mais seguros e acolhedores”, destacou o procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente.Projeto Prevenção Começa na Escola - Desde 2018, o projeto Prevenção Começa na Escola já apresentou a peça “Inocentes Pétalas Roubadas” em mais de 65 municípios de Mato Grosso, cerca de 300 vezes, beneficiando mais de 100 mil alunos. A iniciativa é da Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente, coordenada pelo procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado. As peças “Inocentes Pétalas Roubadas” e “Re-Cortes” tem no elenco Maicon D’Paula, que é o diretor da Cia. Vostraz, e os atores Jorge Fernandez, Safiri Viscony e Fernanda Acosta.

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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