MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Cadeia de custódia das provas digitais é tema de palestra do MPMT
A cadeia de custódia no contexto das provas digitais foi o tema da palestra do promotor de Justiça Leandro Volochko, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Crimes e Ilícitos Digitais (CAO Ciber), na tarde desta quinta-feira (28), durante o 1ª Fórum de Cadeia de Custódia promovido pela Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec-MT). O evento, que tem apoio do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) por meio do Centro de Apoio Operacional do Conhecimento e Segurança da Informação (CSI), ocorre no auditório da sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá e reúne representantes dos órgãos de Segurança Pública, além de membros e servidores da instituição.
De acordo com o perito criminal Reginaldo Rossi do Carmo, coordenador de Normalização, Pesquisa e Desenvolvimento Experimental da Politec, o fórum tem por objetivo discutir adequações à Lei da Cadeia de Custódia (nº 13.964/2019) e compartilhar experiências exitosas de sua implementação em outros estados. “Dentro do processo de cadeia de custódia, cada instituição – como a Polícia Militar, a Polícia Civil e o Ministério Público – tem um papel. E elas precisam atuar de forma integrada, com base no diálogo. Esse 1º Fórum visa então debater o que cada instituição já promoveu em relação à cadeia de custódia”, explicou.
Com foco nas evidências digitais, o promotor de Justiça Leandro Volochko fez uma abordagem específica da cadeia de custódia, apresentando desde dados sobre o crescimento exponencial dos crimes cibernéticos, como também as características das evidências digitais, os avanços na legislação, os elementos essenciais das ferramentas digitais, princípios a serem observados, desafios enfrentados pelo Ministério Público e sugestões para uma atuação mais efetiva.
“Todo o trabalho de perícia que é feito, desde quando a Polícia Militar chega ao local de um crime ou até mesmo quando uma investigação da Polícia Civil é deflagrada, é posteriormente encaminhado ao Ministério Público, para que possamos analisá-lo. Avaliamos se o material tem potencial para que a conduta seja considerada criminosa e, assim, promovermos a acusação. Então, para que possamos fazer uma boa acusação, precisamos ter boas provas. E em um mundo onde o cibercrime está ganhando cada vez mais espaço, inclusive entre as facções criminosas, é imperioso que saibamos o que fazer com essas evidências digitais”, argumentou o promotor.
De acordo com Leandro Volochko, a cada dia, a inteligência artificial tem impressionado a sociedade com suas novas conquistas e capacidades e, no afã de se desenvolver sem limites e regras, a tecnologia tem causado graves danos quando usada de maneira maldosa. “Estão à disposição de todos, com a distância de um clique, páginas web que oferecem serviços de criação falsa de rostos humanos e tudo mais que você puder imaginar. Os assim chamados deepfakes podem simular as nossas vozes e imagens e em breve já não saberemos distinguir o que é real e o que é criado por inteligência artificial”, afirmou.
Conforme o promotor, um estudo conduzido pelo Ministério da Justiça sobre cadeia de custódia, em especial as evidências digitais, apontou que há uma lacuna em protocolos, treinamentos e preparo técnico de servidores para lidar com evidências digitais nas diversas instituições envolvidas.
“Nesse contexto, são desafios enfrentados pelo Ministério Público ver com olhos de enxergar. O Ministério Público é o primeiro receptor das provas produzidas fora da fase policial. E cabe a nós analisarmos a sua qualidade, a sua utilidade, a sua integridade e todas aquelas características que os nossos membros e as nossas membras precisam ver com olhos de enxergar, quando uma determinada evidência, principalmente digital, estrategicamente falando, possa estar corrompida por quebra da cadeia de custódia”, defendeu.
Leandro Volochko acrescentou ainda que é um desafio melhorar o conhecimento especializado, necessitando assim de capacitação sobre cadeia de custódia e evidências digitais, como ocorre no 1ª Fórum de Cadeia de Custódia. E apontou que caberá ao Direito a tentativa de ditar regras, normatizar, estabelecer padrões e desenhar limites para que a tecnologia possa ter o mínimo de previsibilidade e segurança em crimes cometidos no ambiente exclusivamente digital.
O que é – A Cadeia de Custódia é um instituto criado e normatizado pela Lei n° 13.964/19, conhecida como Pacote Anticrime, que tem a finalidade de garantir integridade das provas obtidas perante uma conduta criminosa, a fim de que se preserve todos os direitos do acusado e haja ampla defesa do contraditório. Conforme a lei, “considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte”. Ela compreende o rastreamento do vestígio em 10 etapas: reconhecimento, isolamento, fixação, coleta, acondicionamento, transporte, recebimento, processamento, armazenamento e descarte.
Programação – No decorrer do evento, realizado das 8h30 às 17h, também foram abordados os temas “Cenário Nacional e Políticas Públicas Relacionadas à Cadeia de Custódia”, “Caso de Sucesso na Implementação da Cadeia de Custódia na Bahia”, “Ações da Politec para o atendimento à Lei da Cadeia de Custódia”, e promovida uma mesa redonda sobre “Desafios e Perspectivas para a Cadeia de Custódia em MT”, com representantes da Politec, MPMT e outras instituições de Segurança Pública.
Fonte: Ministério Público MT – MT
MINISTÉRIO PÚBLICO MT
Qualificação profissional fortalece ações de ressocialização em MT
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Centro de Apoio Operacional da Execução Penal, participou, nesta sexta-feira (17), de uma visita técnica às penitenciárias Central do Estado, masculina, e Ana Maria do Couto, feminina, em Cuiabá, voltada à articulação interinstitucional para a implantação de cursos de qualificação profissional destinados a pessoas privadas de liberdade.A agenda integra um esforço conjunto que também reúne o Ministério Público do Trabalho (MPT), o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MT), o Tribunal de Justiça (TJMT), a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), com foco na ressocialização e na redução da reincidência criminal.A procuradora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Execução Penal, Josane Guariente, ressaltou a importância da qualificação profissional como eixo central da ressocialização.“Eu acredito que, graças às parcerias que acabaram dando muito certo, surge hoje essa ideia trazida pela dra. Thaylise, nessa tentativa de união das instituições, principalmente com relação à qualificação profissional, que é a joia rara desse projeto, porque não há como falar de ressocialização ou reinserção social sem a qualificação profissional”, disse a procuradora.O secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho, destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento das políticas de ressocialização no sistema penitenciário.“A qualificação profissional dentro do sistema penitenciário é uma ferramenta estratégica para a ressocialização. Quando oferecemos oportunidades concretas de aprendizado e certificação, estamos contribuindo diretamente para a redução da reincidência e para a construção de uma sociedade mais segura e inclusiva. Essa união de instituições mostra que estamos no caminho certo para transformar realidades”, disse.Durante a visita, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso, desembargador Aguimar Peixoto destacou o caráter institucional da ação e o compromisso com a transformação social.“Nós queremos trazer cursos para qualificá-los e com a certificação de um órgão como o Senai, que é uma carta de apresentação para quando eles deixarem a prisão possam apresentar, sem que o tomador do serviço os discrimine. Eles estarão protegidos por uma iniciativa institucional, e consta nessa certificação que o curso é sério, embora ministrado dentro da penitenciária. Esse é o objetivo”, declarou o desembargador.A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso, Thaylise Campos Coleta de Souza Zaffani, reforçou que a iniciativa busca criar oportunidades reais para o futuro.“Nosso objetivo é estabelecer relações entre as instituições de modo a trazer cursos de capacitação para as pessoas que estão hoje privadas da sua liberdade, mas que um dia retornarão para a sociedade. Nosso objetivo é que elas sejam capazes de devolver, em trabalho, recursos e benefícios, tanto para a sua família quanto para a sociedade e para si próprias. Estamos aqui para estender as mãos, fazer cursos e ampliar espaços. Estamos muito animados e é só o começo de uma grande mudança”, ressaltou.Representando o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), o gerente de Projetos e Parcerias, Marcos Ribeiro, destacou o papel da instituição na transformação social por meio da educação profissional.“Fizemos essa visita em nome do Sistema Indústria para apresentar as possibilidades de formação profissional junto ao Senai Mato Grosso, por meio dos grandes parceiros que temos aqui no Estado, trazendo qualidade profissional. A nossa diretora Fernanda e o presidente Silvio também acreditam na transformação social por meio da qualificação, e esse é o trabalho do Senai: transformar vidas para uma indústria mais competitiva”, afirmou.Também participou da visita o desembargador Orlando Perri, reforçando o engajamento do Judiciário na construção de políticas públicas voltadas à ressocialização.Com informações da assessoria da Sejus-MT
Fonte: Ministério Público MT – MT
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