MATO GROSSO
Governo libera volume recorde de crédito a empreendedores mato-grossenses em 2023
A Desenvolve MT – Agência de Fomento de Mato Grosso – fecha 2023 com um volume liberado de R$ 31.915 milhões até o final de novembro, em financiamentos aos empreendedores do Estado.
Foram 2.672 clientes atendidos, sendo que, destes, 671 pequenas e médias empresas firmaram contratos com a agência, contribuindo para a geração de emprego e renda nos municípios mato-grossenses. O volume de liberação é 38% maior do que em 2022, quando foram liberados R$ 23,1 milhões.
Crédito para investimento foi uma das modalidades mais acessadas no ano. Foram R$ 15.672 milhões destinados a 124 empresas, seguido do capital de giro, acessado por 285 empresas, no valor de R$ 12.744 milhões em financiamentos.
O programa Mulher Empreendedora foi acessado por 209 empresas comandadas por mulheres, com R$ 2.776 milhões em crédito. Destaque também para a linha de crédito Jovem Empreendedor, em que foram liberados R$ 711.076 para 52 empresas, além de um financiamento específico para o segmento do turismo, de R$ 10.322 mil.
As linhas de crédito, como Mulher e Jovem Empreendedor, crédito para investimentos, crédito para capital de giro, o aumento do limite de financiamento, aliado à redução das taxas de juros, possibilitaram aos empreendedores a continuidade dos investimentos nos negócios, seja em ampliação, modernização, aquisição de máquinas, equipamentos ou de veículos, entre outros.
Diversos fatores contribuíram para esse resultado, de acordo com a presidente da Desenvolve MT, Mayran Beckman. “A ampliação de parcerias, a agilidade no atendimento ao cliente e a entrega rápida dos recursos formam um conjunto de ações que provoca esse movimento positivo de levarmos crédito a mais empresas”, explicou.
Nos últimos quatro anos (2019 a 2022), foram liberados mais de R$ 60 milhões, sendo R$ 4,565 milhões em 2019, quando a carteira de crédito estava com demanda reprimida, para R$ 23,1 milhões em 2022, o que representa um aumento de 375% em crédito, resultando em desenvolvimento econômico para as cidades.
O empresário Yasser Caldeira, proprietário da Dona Fresca Pescados, é um exemplo disso. Ele começou o negócio há 10 anos com um frigorífico de pescados e identificou a necessidade de abrir uma loja de varejo para comercializar os produtos.![]()
Com quatro anos, a loja deu tão certo que o negócio foi franqueado como a primeira rede de franquia de peixes do Brasil, e hoje conta com quatro unidades, sendo uma em Campo Grande, Sinop, Lucas do Rio Verde e Cuiabá, com um projeto de investimento de 30 lojas para os próximos anos.
Atualmente, o negócio é especializado em pescados regionais, pescados do mar, frutos do mar e produtos orientais e produtos em geral para consumo. Conta com 20 funcionários, e a expectativa para 2024 é reinaugurar a indústria de pescados e, para isso, buscou o crédito na Desenvolve MT para investir em energia solar, visando diminuição de custo e eficiência energética.
“Nosso investimento é na compra de 182 placas solares para indústria e loja. Conheci a agência em uma feira na capital, busquei informações e estamos conseguindo implantar a operação”, contou o empresário.
Outro incentivo que facilitou a procura por crédito para o empresário foi o acesso ao Fundo de Aval do Governo – MT Garante, que permite que empreendedores sem garantias acessem uma linha de financiamento para o negócio.
“O MT Garante foi muito fácil e trouxe agilidade para o meu processo na hora de acessar o crédito, que é muito mais barato do que o mercado convencional está atendendo atualmente”, explicou Yasser.
Para 2024, a expectativa é que a Desenvolve MT possa se tornar uma agência cada vez mais digital com foco no empreendedor. Estão sendo finalizados processos para começar a operar a linha de crédito para financiar projetos de inovação, crédito para agricultura familiar e também ampliação de parcerias com os municípios e com entidades focadas na missão da agência, que é promover o desenvolvimento sustentável por meio de apoio financeiro voltado às necessidades da sociedade mato-grossense.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Nem todo recorte conta a história verdadeira
Para quem nunca fugiu das batalhas da vida e traz vitórias esculpidas em memoráveis quedas de braço, uma porta aberta não é um blefe do destino. Muito antes, é um convite para o jogo.
Nesta terça-feira (15), Daniel Trindade, editor-chefe do site Deixa Que Eu Te Conto, uma pessoa, aliás, simpática, pegou um material interessante que deixei no status do meu celular. Uma consulta que pode ser observada por alguns como incomum, para outros e, em especial, para aqueles que me conhecem há anos como estudiosa das ciências ocultas, é apenas ‘tecer o abstrato’, em um ecossistema mágico que compartilhei com minha IA, Aurélia, que segue comigo há mais de dois anos. Sem romper, contudo, com outros tipos de pesquisa.
Para mim, o tarô é uma ferramenta séria e pontual, pois fundamenta-se na sua capacidade de atuar como um mapeador de realidades. Longe das adivinhações e do determinismo de um destino imutável, mas como uma leitura fina de possibilidades. Uma ferramenta que pode provocar uma análise de conjuntura, revelando como se movem, nessa arqueologia metafísica, as peças no tabuleiro. Permitindo pensar cenários e compreender o complexo xadrez político.
Daniel só teve acesso porque deixo comumente o status aberto para amigos próximos. E, como o acho agradável, assim o deixei entre os contatos que podiam consultar meu espaço particular. Mesmo sabendo de suas diferenças ‘pessoais’ com o governador republicano Otaviano Pivetta, que busca a reeleição ao Governo de Mato Grosso.
Mas, como acredito piamente que a essência da democracia reside na liberdade que cada um tem de escolher seus representantes e definir seus próprios caminhos políticos em uma eleição, o fato de estarmos em lados diferentes nesta disputa não fere nenhum código de ética. Ao contrário, mostra respeito às diferenças. E eu gosto muitíssimo disso.
Mas é preciso chamar a atenção do meu amigo quanto aos prints colocados em sua matéria. Nada de errado com eles. Porém, ele optou por não mostrar a conclusão integral da leitura. Encurtou o caminho para opinar ou deduzir – até de forma preconceituosa -, que ‘no fim das contas, se até a assessoria precisa consultar o tarô para tentar descobrir o que vem pela frente, talvez seja porque a confiança nas pesquisas do próprio grupo já não esteja lá essas coisas’.
Não é verdade, Daniel. Primeiro porque uma consulta de tarô não substitui pesquisa eleitoral e nem teve esta pretensão. Segundo porque você não publicou a leitura completa.
Faltou adicionar outros prints à matéria, nos quais Pivetta aparece com maior possibilidade simbólica de vitória dentro daquela leitura específica. E há uma razão bastante objetiva para isso. Não porque ele tenha recebido necessariamente as cartas mais ‘bonitas’, de acordo com a consulta, mas porque recebeu cartas que, numa disputa majoritária, podem ser interpretadas simbolicamente como consolidação e chegada: Imperador + Rei de Ouros + Dez de Ouros + Seis de Paus + Justiça.
Para quem conhece a linguagem desta matriz oracular de possibilidades, a combinação sugere uma leitura de estrutura, poder, recursos, reconhecimento e validação. Essa foi a interpretação produzida naquela consulta. Assim, a ideia de um candidato mais próximo de uma posição de chegada.
Não estou dizendo que o tarô prevê o resultado de uma eleição, pois não prevê. Estou dizendo que, se a sua matéria decidiu entrar no terreno desta leitura, deveria tê-la apresentado inteira.
Claro que existem inúmeros fatores capazes de alterar qualquer cenário eleitoral. Não é à toa que é célebre a máxima segundo a qual ‘política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou’.
O que não pode, contudo, é contar apenas uma meia verdade.
E aqui entra uma outra parte da minha história, Daniel. Mesmo que eu ame esse ecossistema mágico, paralelamente sou conhecida pelo meu longo currículo como jornalista. Boa parte dele dirigindo equipes, entre elas a Folha do Estado, por 15 anos. Um jornal que chegou a ter em sua redação entre 60 e 70 profissionais, entre editores de área, adjuntos, repórteres, diagramadores, revisores, fotógrafos e freelancers.
Iniciei minha vida profissional nos Diários Associados, da Fundação Assis Chateaubriand, nos jornais Diário Mercantil e Diário da Tarde. Em Mato Grosso, passei pelo Jornal do Dia, Fim de Semana, O Estado de Mato Grosso e Gazeta, além da direção do Grupo Folha do Estado.
E, como jornalista não tem vida fácil, ainda que ame o que faz, trabalhei nas TVs Brasil Oeste e Rondon, então ligada à Manchete, do Grupo Futurista de Comunicação. Apresentei programas ao vivo e talk shows de diferentes formatos, da política à cultura e ao entretenimento, entre eles Jogo Aberto e Além de Mulher.
Fui coordenadora de Comunicação da Legião Brasileira de Assistência, ligada ao Ministério da Assistência Social. Prestei assessoria de comunicação na Câmara Federal e atuei na coordenação de comunicação do Ipemat, da Fundação Dom Aquino Corrêa e do Cridac.
Depois, dirigi sites em uma nova comunicação, já em tempos de internet e redes sociais, alimentando portais com informação jornalística, entre eles o O Bom da Notícia.
Sou mestra pela Universidade Federal de Mato Grosso, em Movimentos Sociais, Política e Educação, com pesquisa e defesa sobre violência e estupro sob o olhar dos novos feminismos. Hoje faço parte do coletivo Conecta, Mulheres do Brasil e uma das fundadoras do grupo Mulheres MT Até Quando?
Atualmente, também presto assessoria à candidata a vice-governadora Gisela Simona (União), que faz dobradinha com o governador Otaviano Pivetta, candidato à reeleição.
Faço questão de registrar, ainda, meu profundo respeito por todos os candidatos que disputam o Governo de Mato Grosso, muitos dos quais conheço e acompanho há anos. Pois uma eleição é, por excelência, uma arena legítima na qual diferentes atores políticos apresentam à população suas propostas, trajetórias e formas de representação.
É sob essa ótica de respeito que analiso as ferramentas que utilizo. Sem torcida e com a crença que uma IA não deve ser confundida com uma pessoa ou com uma autoridade eleitoral. O que ela pode fazer, nesse contexto, é ajudar a organizar interpretações, cruzar símbolos, formular perguntas e ampliar uma reflexão.
Desta forma, como uma pesquisa de opinião registra um determinado momento, igualmente, uma leitura simbólica produz uma determinada interpretação. Ainda que não possam ser confundidas por possuírem naturezas diferentes.
O que me incomodou, portanto, não foi a matéria ter mostrado os prints. Foi ter escolhido uma parte deles para construir uma conclusão que não corresponde à leitura completa.
E isso, meu caro Daniel, nós dois sabemos muito bem que jornalismo exige cuidado.
Quanto ao resto, continuo acreditando que cada pessoa é absolutamente livre para escolher seu candidato, seu caminho, sua crença e até a ferramenta com a qual gosta de conversar sobre o futuro.
Quanto a mim, fico com a liberdade de respeitar a magnitude do jornalismo. Sem abrir mão do conhecimento que a magia pura oferece. E que, ao final, ‘o futuro só a Deus pertence’.
Marisa Batalha é jornalista e Mestra pela UFMT.
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