CUIABÁ
UTIs pediátricas do HMC estão funcionando com empresa sem contrato
A empresa de prestação de serviços médicos que o Gabinete de Intervenção colocou no Hospital Municipal de Cuiabá – HMC para assumir as UTIs pediátricas começou a atuar no hospital sem processo licitatório, sem nenhum processo de dispensa de licitação, ou seja, sem nenhum tipo de contrato formal. Essa denúncia foi feita pelo deputado estadual, Valdir Barranco na tarde desta terça-feira (28), durante coletiva de imprensa convocada pelo prefeito Emanuel Pinheiro na Prefeitura. Também estavam presentes o deputado estadual Juca do Guaraná Filho, o presidente da Câmara Municipal, vereador Chico 2000, o vereador Rodrigo Arruda e Sá e a procuradora geral do Município, Juliette Migueis.
Segundo o deputado, a empresa APP Serviços Médicos LTDA é relativamente nova, pois foi aberta há cerca de 1 ano, mais precisamente em abril de 2022. Uma questão que chamou bastante atenção durante a denúncia é a de que a contratação de serviços médicos de alta complexidade, como é neste caso, gira em torno de 500 mil reais por mês e o capital social da empresa é de 20 mil reais, o que não oferece condições para que a empresa assuma um contrato dessa natureza.
Outra situação enfatizada pelo deputado é em relação à proprietária da empresa, a senhora Andréia Alves da Silva, que nos anos de 2020 e 2021 recebeu auxílio emergencial do Governo Federal, no total de 13 parcelas recebidas. “O que me chamou a atenção é que uma pessoa que recebeu o auxílio emergencial durante 13 meses, de uma hora para outra tenha tido condições de abrir uma empresa de prestação de serviços médicos”, comentou.
Consta ainda na denúncia a informação de que a senhora Andréia Alves da Silva, proprietária da APP Serviços Médicos LTDA, foi funcionária do médico Daoud Abdallah, que foi secretário-adjunto do governador Mauro Mendes quando este era prefeito de Cuiabá. O que chama atenção neste fato é que o número de telefone que consta na inscrição da empresa dela é o mesmo número da empresa do médico. Além disso, a senhora Andréia possui mais uma empresa em seu nome, a VDB Serviços de Saúde.
“Vamos repassar esta denúncia para os órgãos de fiscalização, como o Ministério Público e Tribunal de Contas, pois não restam dúvidas de que há uma má fé, uma má intenção por parte do governo do Estado, neste momento em que apropriou da administração da saúde do Município de Cuiabá, para também se apropriar dos recursos das UTIs pediátricas para favorecer os aqueles que estão e sempre estiveram ao seu lado” disse o deputado.
Durante a sua fala, o prefeito Emanuel Pinheiro revelou que teve acesso ao conteúdo de uma conversa de um grupo de mensagens de médicos onde estavam convocando os profissionais para trabalharem nas UTIs pediátricas. O prefeito leu a mensagem durante a coletiva, que dizia o seguinte:
“A UTI do HMC está sob responsabilidade do estado e uma nova empresa vai assumir pelos próximos 3-6 meses. Uma empresa de confiança (Dr Vinicius Farina e Dr Daude), com saúde financeira e credibilidade, que já coordena e dirige algumas UTIs no estado e fora do estado, assumiu o serviço após a intervenção do estado. Devida situação emergencial, a UTI vai ser aberta na próxima quarta-feira (20/03) 07 horas da manhã. Estou entrando em contato por estar à frente, junto com a dra Luiza, desse processo de reabertura do HMC. Estamos buscando formar uma equipe unida, com qualidade e companheirismo. Gostaríamos de contar com você!”. O prefeito afirmou que vai encaminhar esta conversa para o deputado Barranco anexar à denúncia, uma vez que afirma que a empresa é realmente do dr. Daoud.
O prefeito ressaltou ainda que o Ministério Público e o judiciário de Mato Grosso foram induzidos ao erro pelo governo do estado o que acabou culminando na intervenção, mas disse que vai combater essa injustiça até o último minuto. “Essa é uma denúncia grave, pois a UTI pediátrica do maior hospital do Estado de Mato Grosso está funcionando com uma empresa sem contrato, sem licitação, que possivelmente tem um laranja como proprietário. Vamos levar aos órgãos de controle, bem como outras denúncias que estão sendo apuradas. O ‘Gabinete da Invenção’ está perdido, solta informações desconexas e se apropria das ações que a Secretaria Municipal de Saúde já tinha feito, como se fossem dele. Nesses 15 dias a saúde do município piorou muito e agora estamos vendo também os graves problemas que estão acontecendo nos hospitais do Estado, como Santa Casa e os do interior”, disse.
Após a coletiva, o deputado Barranco protocolou a denúncia no Tribunal de Contas e no Ministério Público.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
CUIABÁ
Cuiabá cria cadastro de condenados por estupro e campanha permanente de combate ao abuso infantil
Duas novas leis sancionadas em Cuiabá ampliam as medidas municipais de prevenção e enfrentamento à violência sexual. A legislação estabelece ações voltadas à proteção de mulheres, crianças e adolescentes e foram publicadas em 25 de agosto de 2026. Uma das leis cria um cadastro municipal de pessoas condenadas por estupro e por crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher. A outra institui, de forma permanente, a campanha “Rede de Proteção: Diga Não ao Abuso Infantil”, voltada à prevenção e ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
As iniciativas estabelecem ações em diferentes frentes da política pública. De um lado, o uso de informações para subsidiar medidas municipais de prevenção e proteção às mulheres. De outro, a atuação contínua das redes de educação, assistência social e demais setores na prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes.
Lei nº 7.631, de 25 de agosto de 2026
A Lei nº 7.631, de autoria da vereadora Dra. Mara, cria o Cadastro Municipal de Condenados por Crimes de Estupro e por Crimes Praticados com Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. O registro reunirá informações de pessoas condenadas por sentença transitada em julgado, enquanto durar o cumprimento da pena.
O cadastro será sigiloso e terá acesso restrito aos órgãos municipais responsáveis pela formulação e execução de políticas públicas de proteção e prevenção à violência contra a mulher. A medida também estabelece que os dados não poderão ser utilizados para divulgação pública que permita a identificação das vítimas.
Entre as informações previstas estão nome completo do condenado, número do processo judicial, vara de origem, natureza do crime, data da condenação, fotografia, quando disponível, situação processual e previsão para o término do cumprimento da pena.
A legislação determina ainda que a coleta, o armazenamento e o tratamento dos dados sigam a Lei Federal nº 13.709/2018, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), além das demais normas relacionadas à privacidade e à dignidade da pessoa humana.
O cadastro terá caráter complementar às bases de dados mantidas pelos órgãos estaduais e federais. A implantação, a manutenção e a atualização ficarão sob responsabilidade do Poder Executivo Municipal, por meio do órgão responsável pelas políticas de defesa dos direitos da mulher, que poderá estabelecer convênios e parcerias com o Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e forças de segurança.
Lei nº 7.632, de 25 de agosto de 2026
A segunda norma, Lei nº 7.632, de autoria do vereador Ranalli, institui de forma permanente a campanha municipal “Rede de Proteção: Diga Não ao Abuso Infantil”. A iniciativa é voltada ao atendimento e apoio de crianças e adolescentes vítimas de abuso ou violência sexual, além da prevenção dessas ocorrências.
Entre as diretrizes estão o estímulo ao atendimento humanizado, a preservação da dignidade, da intimidade e da integridade física e psicológica das vítimas e a distribuição de materiais informativos e educativos sobre prevenção de abusos e violências sexuais.
A campanha também prevê ações de informação e sensibilização da sociedade, com participação das redes de educação e assistência social. A lei estimula ainda a formação de um grupo intersetorial para implementar as estratégias e a realização de atividades ao longo de todo o mês de maio, especialmente na semana que inclui 18 de maio, data nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes.
A articulação entre órgãos públicos e organizações da sociedade civil também está prevista, por meio de convênios e parcerias destinados ao cumprimento das ações estabelecidas pela legislação.
Com as duas leis, o município passa a contar com instrumentos voltados tanto ao planejamento de políticas de prevenção e proteção quanto à mobilização permanente da rede de atendimento. As medidas reforçam a atuação integrada da administração pública na prevenção da violência sexual e na proteção de mulheres, crianças e adolescentes.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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