INFRAESTRUTURA E MEIO AMBIENTE
MPF abre investigação sobre ponte que vai ligar MT a MS pelo Pantanal
Órgão federal acompanha licenciamento ambiental de projeto que prevê travessia sobre o Rio São Lourenço e conexão entre as rodovias MT-060 e MS-214
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um procedimento administrativo para fiscalizar o planejamento e o licenciamento ambiental de um projeto de infraestrutura que pretende conectar Mato Grosso a Mato Grosso do Sul por meio do Pantanal. A proposta inclui a construção de uma ponte sobre o Rio São Lourenço e a implantação de um trecho rodoviário entre a MT-060, conhecida como Transpantaneira, e a MS-214.
A iniciativa busca criar uma nova ligação entre os dois estados, com potencial para facilitar o deslocamento, fortalecer a logística regional e ampliar as oportunidades para o turismo. Entretanto, a localização do empreendimento em uma área ambientalmente sensível levou o MPF a intensificar o acompanhamento das etapas preparatórias.
O procedimento foi instaurado pelo procurador da República Marcelo José da Silva, por meio de portaria publicada no dia 22 de setembro.
A atuação do órgão teve origem em uma notícia de fato aberta para acompanhar os desdobramentos de um protocolo de intenções firmado entre as secretarias responsáveis pela infraestrutura e logística de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Segundo o MPF, a fiscalização é necessária diante dos possíveis impactos ambientais provocados pelas intervenções no Pantanal, considerado a maior planície alagável contínua do planeta. No território brasileiro, o bioma ocupa aproximadamente 150 mil quilômetros quadrados, distribuídos entre os dois estados.
Fiscalização ambiental
Como parte do procedimento, o procurador determinou que a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso (Sinfra-MT) e a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso do Sul (Seilog-MS) apresentem informações atualizadas sobre o andamento do projeto.
Entre os documentos solicitados estão o cronograma previsto para execução do empreendimento e as cópias dos estudos técnicos e ambientais eventualmente elaborados para subsidiar o licenciamento.
O objetivo é verificar se as etapas de planejamento estão sendo conduzidas de acordo com as exigências ambientais antes do avanço das obras.
O MPF também determinou o encaminhamento de uma cópia integral do procedimento ao secretário de Infraestrutura de Mato Grosso, Marcelo de Oliveira, para auxiliar na elaboração das respostas às solicitações do órgão federal.
Na decisão, o procurador estabeleceu que sejam aguardadas as respostas aos ofícios encaminhados às duas secretarias.
“Aguarde-se o decurso do prazo para resposta ao Ofício nº 335/2026 (SINFRA/MT) e ao Ofício nº 336/2026 (SEILOG/MS), por meio dos quais foram solicitadas informações atualizadas sobre o cronograma do empreendimento, bem como cópia dos estudos técnicos e ambientais eventualmente produzidos para o licenciamento da obra”, determinou.
Após o recebimento da documentação ou o encerramento do prazo de resposta, o procedimento retornará ao procurador para avaliação e definição das próximas providências.
A abertura do procedimento administrativo não significa, por si só, a identificação de irregularidades no empreendimento. A medida tem caráter preventivo e busca assegurar que os possíveis impactos ambientais sejam analisados antes da execução do projeto.
A proposta de ligação rodoviária poderá representar uma nova alternativa de integração entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas sua implantação dependerá do cumprimento das exigências técnicas e ambientais aplicáveis à região pantaneira.
CIDADES
Três mil fiéis percorrem 25 km em caminhada de fé e gratidão a Nossa Senhora Aparecida em MT
Peregrinação em Tangará da Serra reuniu devotos de diferentes idades durante cinco horas de caminhada, marcada por promessas, agradecimentos e histórias de superação
Cerca de três mil peregrinos participaram de uma caminhada de 25 quilômetros em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e de Tangará da Serra, município localizado a 242 quilômetros de Cuiabá. A mobilização religiosa aconteceu na noite de domingo (11) e avançou pela madrugada, reunindo fiéis movidos pela fé, pelo cumprimento de promessas e pelo agradecimento por conquistas pessoais.
Em sua oitava edição, a peregrinação teve início na região da Pedra Solteira, na Serra Tapirapuã, e seguiu até o Centro da cidade. A concentração começou por volta das 22h, e os participantes levaram aproximadamente cinco horas para concluir o trajeto.
Entre os devotos estava Lenice Xavier Martins da Silva, de 61 anos, que participou da caminhada pelo quinto ano consecutivo. Desta vez, a motivação foi especial: agradecer pelo tratamento que sua sobrinha finalmente começou a receber após anos de espera.
“Já é o quinto ano que estou caminhando pela minha sobrinha e esse ano que estamos conseguindo um tratamento dela. Ela tem problemas nas pernas e também é especial. Agora é só agradecer depois de cinco anos que a graça está chegando”, contou.
A gratidão também levou a técnica em desenvolvimento infantil Andreza Cristina de Souza a enfrentar os 25 quilômetros. Ela atribui à intercessão de Nossa Senhora Aparecida as conquistas profissionais alcançadas nos últimos anos, incluindo a aprovação em concurso público.
“Foi por toda a interseção na minha vida. Eu passei num concurso, fui embora para Barra do Bugres. Fui abençoada. Hoje sou efetiva. Esta é a minha quinta caminhada e agora é só agradecer”, afirmou.
A instrutora Amanda Damascena Sandrin também participou da peregrinação, motivada pela fé e pelos projetos que pretende realizar no próximo ano.
“É um propósito, porque tenho planos para o ano que vem. Eu acredito na interseção de Nossa Senhora, com toda fé possível. Essa é minha segunda vez”, ressaltou.
A caminhada também contou com a presença de adolescentes e jovens. Aos 14 anos, a estudante Maria Eduarda Soares participou acompanhada da família e destacou o sentimento de paz que encontra na devoção religiosa.
“Minha mãe é devota, e eu também. Eu gosto de acompanhar minha família. Eu sinto uma paz muito grande. Um amor de mãe. É bom você vir na igreja e ter amizade com Nossa Senhora. É bom ter esse amor, essa paixão, ainda mais quando você é jovem”, relatou.
Mobilização da comunidade
Para garantir o acolhimento dos participantes, a organização disponibilizou seis pontos de apoio distribuídos ao longo do percurso, oferecendo água, frutas e café para hidratação e reposição de energia.
Segundo o frei Gilberto Bedin, pároco da igreja matriz, a realização do evento foi possível graças ao envolvimento da comunidade, à participação de voluntários e às doações recebidas.
A colaboração permitiu que toda a estrutura de apoio fosse disponibilizada gratuitamente aos peregrinos.
A caminhada, que já integra o calendário religioso de Tangará da Serra, reuniu diferentes gerações em uma manifestação coletiva de devoção a Nossa Senhora Aparecida, marcada por relatos de fé, esperança e agradecimento.
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