AGRONEGÓCIO
Vazio sanitário do algodão começa neste domingo em Goiás
A partir deste domingo (10.11) tem início o vazio sanitário do algodão na chamada região 4 de Goiás, que abrange 89 municípios. A medida, conduzida pela Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), tem como foco o combate ao bicudo-do-algodoeiro, praga que representa uma ameaça significativa à cultura do algodão no estado.
Esse intervalo é regulamentado pela Instrução Normativa nº 04/2019 e visa reduzir ao máximo a presença do inseto nas áreas produtivas, impondo um período sem qualquer vestígio da planta para interromper o ciclo de vida da praga.
A região 4, marcada por uma forte atividade pecuária, também exige atenção especial aos produtores que utilizam o caroço de algodão na alimentação animal. O controle estende-se não apenas às plantações, mas também a locais como algodoeiras, confinamentos de gado e empresas de transporte, a fim de evitar quedas de sementes durante o manuseio e transporte.
O cumprimento das normas será fiscalizado pela Agrodefesa, com equipes que irão vistoriar áreas produtivas para verificar se os restos culturais foram devidamente eliminados, como determina a agência. A destruição desses restos deve ocorrer no prazo máximo de 15 dias após a colheita, e é obrigatória nas áreas de cultivo e em todas as instalações relacionadas ao processo de beneficiamento e comercialização do algodão.
Nas demais regiões de Goiás onde o algodão é cultivado, o vazio sanitário já está em vigor desde setembro e deve ser encerrado ao longo de novembro, conforme o calendário de cada área. Após o fim do vazio, a semeadura será autorizada de acordo com o cronograma estabelecido pela Agrodefesa: na região 1, o plantio inicia-se em 26 de novembro; na região 2, em 1º de dezembro; na região 3, em 20 de novembro; e na região 4, em 21 de janeiro de 2025.
As normas também incluem a limpeza de áreas à beira de estradas e o acondicionamento adequado das cargas de algodão durante o transporte, para evitar quedas e a germinação indesejada de sementes.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Chuva falha no Centro-Oeste e sobra no Sul na largada da safra
Outubro começa com risco de replantio da soja no Centro-Oeste e de paralisação das máquinas no Sul. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indica chuva abaixo da média em Mato Grosso e Goiás, enquanto o Rio Grande do Sul pode receber até 200 milímetros acima do normal em algumas áreas.
O contraste ocorre no início do plantio da safra 2026/27, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 366,6 milhões de toneladas de grãos. A soja deverá ocupar 49,3 milhões de hectares, mas a semeadura ainda ocorre de forma pontual nas áreas de sequeiro de Mato Grosso. Em Mato Grosso do Sul e no Paraná, as condições permitiram o início dos trabalhos.
O maior risco no Centro-Oeste não é apenas o atraso do plantio. O Inmet alerta que chuvas isoladas, seguidas por períodos secos, podem provocar germinação irregular, falhas na formação das lavouras e necessidade de replantio. Em Goiás e no Distrito Federal, as temperaturas podem superar em mais de 2°C a média histórica de outubro, acelerando a perda de água do solo.
A decisão de esperar pela regularização das chuvas também afeta o milho segunda safra. Quanto mais tarde a soja for semeada e colhida, menor será a janela para implantar o cereal dentro do período de menor risco climático.
No Matopiba, formado por partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão também é desfavorável. As precipitações de setembro aliviaram o risco de incêndios, mas não foram suficientes para recompor a umidade do solo na maioria das áreas de sequeiro. O plantio de soja e milho deverá depender de chuvas mais regulares.
Em Mato Grosso do Sul, a condição tende a ser melhor, principalmente no sudoeste e no leste do Estado. Mesmo assim, o centro-norte e o Pantanal podem receber chuva abaixo da média, o que exige atenção antes da entrada das semeadoras.
No Sul, o excesso de umidade cria o problema inverso. A chuva pode reduzir as janelas para o preparo do solo e o plantio de soja, milho e arroz. No Rio Grande do Sul, o acumulado de outubro pode ficar aproximadamente 75 milímetros acima da média e alcançar excesso de até 200 milímetros no oeste do Estado.
O trigo é a cultura mais exposta neste momento. Parte das lavouras está em fases críticas de desenvolvimento ou de colheita. A combinação de chuva frequente e calor favorece doenças como giberela, ferrugem, oídio e manchas foliares, além de aumentar o risco de perda de qualidade e germinação do grão ainda na espiga.
Em São Paulo, a chuva tende a favorecer o plantio da soja e o desenvolvimento da cana-de-açúcar, das pastagens e das hortaliças. Minas Gerais e Espírito Santo, porém, devem enfrentar precipitações irregulares e temperaturas elevadas. Para o café, a condição pode prejudicar a uniformidade da florada e o pegamento dos frutos.
A previsão é influenciada pelo El Niño, que tem 95% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O fenômeno ajuda a explicar a tendência de seca no Centro-Norte e chuva acima da média no Sul, mas não determina sozinho o volume que cairá em cada propriedade.
Para o produtor, a recomendação prática é não definir a semeadura apenas pela ocorrência de uma chuva. No Centro-Oeste, será necessário conferir se existe umidade suficiente no perfil do solo para sustentar a emergência das plantas. No Sul, o desafio será aproveitar os intervalos de tempo seco sem entrar com máquinas em áreas encharcadas.
Fonte: Pensar Agro
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