AGRONEGÓCIO

Sistema FAEMG retoma curso de Recuperação e Proteção de Nascentes

Publicados

em


O Sistema FAEMG/SENAR/INAES/Sindicatos voltou a oferecer o curso de Recuperação e Proteção de Nascentes, após reformulação para atendimento à legislação ambiental vigente. O piloto foi promovido no município de Itapagipe, na última semana. Antes da paralisação, o treinamento esteve entre os três mais procurados pelos produtores rurais e chegou a formar 500 turmas por ano. Esta é uma ação integrada das Gerências de Formação Profissional Rural e Promoção Social, Pedagógica, de Sustentabilidade e de Assistência Técnica e Gerencial.

Sistema FAEMG retoma curso de Recuperação e Proteção de Nascentes - SENAR MINAS

A retomada veio com mudanças na metodologia da oferta do curso. A gerente de Sustentabilidade do Sistema FAEMG, Mariana Pereira Ramos, explica que agora o treinamento só pode ser ministrado dentro de uma propriedade de, no máximo, quatro módulos fiscais, com produtores interessados em fazer captação da água da nascente. Além disso, o agendamento é feito após a emissão da simples declaração junto ao Instituto Estadual de Florestas (IEF). É necessário medir a vazão da água da nascente que será recuperada e apresentar os documentos obrigatórios para a emissão da simples declaração, que incluem cópia do RG e CPF, recibo do Cadastro Ambiental Rural e certidão de cadastro de uso insignificante de recurso hídrico.

Leia Também:  Mapa realiza última reunião do Comitê Interno de Governança em 2025

“O produtor precisa se organizar com antecedência para receber o curso em sua propriedade. Essas mudanças visam atender a legislação ambiental vigente e as exigências apresentadas pelos órgãos responsáveis do Estado para a realização dos eventos de recuperação de nascentes”, explicou a gerente.

Atualização

Antes da retomada, 45 instrutores, técnicos de campo, analistas e gerentes do Sistema FAEMG participaram de uma atualização. O evento contou com as participações das gerentes Liziana Rodrigues (Formação Profissional Rural e Promoção Social), Cristiane Trigueiro (Pedagógica) e Mariana Ramos (Sustentabilidade).

“Este encontro foi importante para manter a qualidade dos nossos eventos, atualizando os participantes em relação ao conteúdo técnico, em especial sobre a legislação ambiental. Ações como essa beneficiam também o produtor rural, que poderá contar com a assessoria de profissionais devidamente habilitados que possam melhor orientá-lo sobre as várias demandas ambientais”, destacou a gerente Pedagógica, Cristiane Trigueiro. 

Curso Piloto

O piloto da nova versão do curso, com carga horária de 24h, foi promovido no município de Itapagipe, em uma propriedade assistida pelo FIP Paisagens Rurais, e contou com a participação de um grupo de 14 técnicos de campo do projeto. O treinamento foi ministrado pelo instrutor Carlos Barbieri Coutinho e também contou com as presenças do coordenador do Projeto FIP Paisagens em Minas Gerais, o analista técnico Ricardo Tuller, e do analista de Sustentabilidade, Guilherme Oliveira.

Leia Também:  Mapa promove rodada de negócios do cacau na Argentina

“O curso vai ao encontro dos objetivos do FIP Paisagens, que é a recuperação de pastagens degradadas e áreas com passivos ambientais em reserva legal e APPs. Os técnicos participaram bastante e vão levar o aprendizado para as propriedades atendidas. Com a retomada do curso, vamos acrescentar esta solicitação de documentos para intervenção nas nascentes, que é feita com antecedência no órgão ambiental”, disse o coordenador.

O gerente regional do Sistema FAEMG em Uberaba, Caio Oliveira, ressaltou que atualmente mais de 1.600 propriedades são atendidas pelo Projeto FIP Paisagens no Triângulo Mineiro. “Isso mostra o potencial que temos para a promoção do curso em nossa região, para os produtores atendidos pelo FIP e os demais interessados em recuperar suas nascentes”, concluiu. 

Fonte: CNA Brasil

Propaganda

AGRONEGÓCIO

Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

Publicados

em

A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

Leia Também:  Brasil amplia promoção do agronegócio durante a África Food Show 2026

A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

Leia Também:  Crédito rural para a agricultura empresarial soma R$ 28,2 bilhões no primeiro mês da safra 2026/2027

O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

política mt

mato grosso

policial

PICANTES

MAIS LIDAS DA SEMANA