AGRONEGÓCIO
Senado aprova “Combustível do Futuro”, com foco em sustentabilidade e avanço econômico
O Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (04.09) o Projeto de Lei 528/2020, conhecido como “Combustível do Futuro”, que cria programas nacionais para o diesel verde, combustível sustentável para aviação e biometano.
O objetivo é modernizar a matriz energética do Brasil, promovendo a descarbonização e a sustentabilidade. O texto inclui emendas importantes, como a extensão do prazo de transição para a minigeração de energia solar e a inclusão do diesel verde, promovidas pela senadora e integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura.
Tereza Cristina, celebrou a aprovação, destacando a importância de uma transição segura para o diesel verde e para a sustentabilidade do país. “Esse projeto é um marco. Precisamos garantir que a mudança energética seja feita com responsabilidade, sem prejudicar o setor produtivo e cumprindo as metas de descarbonização”, afirmou.
A inclusão da agricultura familiar na produção de biocombustíveis também foi um dos pontos de destaque, uma medida considerada fundamental para o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Essa iniciativa, segundo o senador Fernando Farias, contribuirá para o fortalecimento das pequenas propriedades rurais e o avanço da economia verde no país.
Imagem: assessoria
Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio, o projeto “Combustível do Futuro” representa uma oportunidade única para o Brasil exercer seu protagonismo no cenário global.
“O setor agropecuário, sendo um dos motores da economia nacional, tem um papel crucial no sucesso dessa transição energética. Ao abraçar o diesel verde e outras fontes sustentáveis, mostramos que é possível combinar inovação, produtividade e preservação ambiental”.
Rezende também acredita que a integração da agricultura familiar no processo produtivo dos biocombustíveis é um ganho significativo. “Isso fortalece os pequenos produtores e ajuda o Brasil a caminhar rumo a um futuro mais sustentável e equilibrado, onde todos têm a ganhar, da pequena propriedade rural ao mercado internacional”, concluiu.
O deputado Alceu Moreira, ex-presidente da FPA, destacou o trabalho feito pelo relator para aprovação do projeto na Câmara. Segundo ele, foi atingido um consenso, apesar de sempre ter um ponto ou outro que será observado. “A aprovação simboliza a convergência entre os diversos interesses relacionados à expansão da produção e do uso dos biocombustíveis em geral, depois de muitos debates em relação a pontos conflitantes”, disse Moreira.
O senador Zequinha Marinho complementou, afirmando que a aprovação representa um passo decisivo para a economia nacional. “O setor agropecuário, uma vez mais, se posiciona de maneira estratégica para garantir o crescimento do Brasil em conformidade com as boas práticas e tecnologias modernas”, disse.
O projeto agora retorna à Câmara dos Deputados para análise das emendas. O deputado Arnaldo Jardim, relator do projeto, destaca que a proposta deve gerar investimentos de até R$ 200 bilhões e posicionar o Brasil como um dos principais líderes globais em biocombustíveis.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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