AGRONEGÓCIO
Projeto PRAVALER inicia atendimento a produtores de Boca do Acre
Boca do Acre/AM (10/05/2022) – Começaram, na segunda (9), as ações do Projeto PRAVALER no município de Boca do Acre (AM) para apoiar e orientar produtores rurais da região no processo de regularização ambiental das propriedades. A programação segue até sexta (13).
Na abertura do encontro, o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, destacou a importância do projeto para dar suporte e apoio técnico necessários aos produtores locais.
“O mutirão é para orientar, tirar dúvidas e esclarecer os produtores sobre problemas relacionados à regularização ambiental”, ressaltou Lourenço.

Boca do Acre recebe o projeto piloto do PRAVALER, que promove a regularização ambiental produtiva das propriedades rurais, buscando convergência entre produção e proteção do meio ambiente.
O encontro reuniu autoridades do governo estadual e municipal e representantes das entidades parceiras do projeto, como o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror) e Cooperação Técnica Alemã (GIZ).

“O PRAVALER é um projeto inovador, ousado e vai ao encontro do que os produtores rurais da Amazônia esperam, que é a regularização ambiental e o CAR efetivado”, destacou Petrucio Magalhães, secretário da Sepror.
Ana Cláudia de Melo, coordenadora estadual do PRAVALER pela GIZ, reforçou a importância da iniciativa como caminho para o desenvolvimento produtivo da região. “Queremos agregar outras atividades produtivas à pecuária, ou seja, trazer novas perspectivas econômicas para a região mediante a regularização ambiental”.
Durante toda a semana, produtores rurais que participam do projeto piloto e outros interessados na regularização ambiental podem fazer a retificação ou tirar dúvidas sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de a emitir a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), no Centro Multifuncional de Boca do Acre.

O CAR é um registro obrigatório para todos os imóveis rurais, conforme previsto no Código Florestal (Lei n. 12.651/2012), sendo o passo inicial para o produtor aderir ao Programa de Regularização Ambiental (PRA). A partir do cadastro, será possível trabalhar na identificação do passivo ambiental da propriedade para fazer a recuperação ou a recomposição.
Pela manhã, mais de 60 produtores rurais participaram da iniciativa e apontaram as expectativas sobre as ações do PRAVALER na pecuária da região.
“Estamos ansiosos pelo projeto e com uma expectativa muito grande. Acreditamos que com o PRAVALER a gente vai dar um passo importante na regularização ambiental para desenvolvermos nossas atividades enquanto produtores rurais, afinal, é direito nosso”, afirmou o pecuarista Joaba Carneiro da Silva.
Na terça (10), a programação segue com visita a duas propriedades e com a capacitação para técnicos do Idam e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) sobre pecuária intensiva que será ministrada pela equipe técnica da GIZ.
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AGRONEGÓCIO
Lideranças alertam que crédito recorde é ineficiente sem juros menores e seguro rural
O anúncio do Plano Safra 2026/27, marcado para a próxima terça-feira (30.06), chega ao produtor rural em meio a um clima de ceticismo. Enquanto o governo federal projeta um volume recorde entre R$ 570 bilhões e R$ 652 bilhões, as lideranças do setor alertam que, em um cenário de juros elevados e margens de lucro espremidas, o montante nominal importa menos do que a efetividade das taxas de equalização. O que o campo busca não é apenas liquidez, mas uma estratégia de sobrevivência que contemple o endividamento acumulado nos últimos ciclos.
Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o plano precisa ir além do anúncio de “recordes” orçamentários. A crítica central das bancadas é que o governo carece de uma visão estrutural de longo prazo: enquanto o custo de capital subiu, a subvenção ao seguro rural foi tratada como variável de ajuste orçamentário. Sem proteção contra intempéries, o crédito acaba financiando o risco, e não a produtividade, perpetuando o ciclo de inadimplência que já preocupa o Banco Central.
A Aprosoja Mato Grosso ecoa o descontentamento com a falta de previsibilidade. Para a entidade, de nada adianta um volume robusto se as linhas de investimento — essenciais para armazenagem e modernização — permanecerem travadas ou de difícil acesso para o médio produtor. O setor produtivo aponta que a paridade de importação e os custos de produção em patamares históricos exigem que o Plano Safra seja, antes de tudo, um instrumento de competitividade internacional, e não uma peça de marketing político que ignora a realidade técnica das fazendas.
Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Engenheiro Agrônomo Isan Rezende (foto), o setor está diante de uma encruzilhada. “O governo insiste em focar no volume total de crédito como se isso, por si só, garantisse a estabilidade da safra, mas esquece que o custo desse dinheiro tornou-se proibitivo para grande parte dos produtores. Não precisamos de um recorde de bilhões disponíveis se as taxas de juros não forem condizentes com a realidade de um setor que, nos últimos dois anos, foi duramente atingido por quebras climáticas sucessivas e pela volatilidade dos preços internacionais. O produtor hoje precisa de fôlego, não de novos passivos impagáveis”, afirmou Rezende.
“O agronegócio não pode ser tratado como um setor auxiliar que recebe atenção apenas quando a balança comercial precisa de socorro. Precisamos que o Plano Safra 2026/27 venha acompanhado de uma política clara de renegociação de dívidas e de um comprometimento real com o Seguro Rural. Sem isso, estamos apenas postergando um colapso financeiro que vai atingir desde o pequeno produtor até a economia das cidades que dependem diretamente do sucesso da nossa safra”, disse Isan.
“A nossa expectativa é de que, no dia 30, o anúncio não seja apenas um conjunto de números desenhado pela Fazenda para cumprir calendário. Queremos ver, de fato, a implementação de uma estratégia que proteja a nossa capacidade de investimento. Se o governo continuar tratando a equalização como um gasto primário e não como o investimento estratégico que é, estaremos condenando o próximo ciclo a uma estagnação perigosa. O agronegócio é o motor que mantém o Brasil respirando, e ele exige o respeito de ser tratado com política econômica técnica, e não com medidas paliativas que não resolvem o gargalo do custo do crédito na ponta”, concluiu o presidente do Instituto do Agronegócio.
Fonte: Pensar Agro
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