AGRONEGÓCIO
Ministro diz que é grave a situação da produção de soja em Mato Grosso; vídeo
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está avaliando medidas diante do registro de baixa produtividade na safra de soja em Mato Grosso. As condições climáticas adversas, caracterizadas por um clima seco e a ausência de chuvas regulares, foram causadas pelo fenômeno El Niño, resultando no atraso no plantio da soja e na redução do ciclo de maturação da cultura.
Em um vídeo (veja abaixo), o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, descreveu a situação como “grave” e “muito preocupante”, afirmando a necessidade de convocar imediatamente equipes técnicas para iniciar debates com autoridades locais e produtores. Ele ressaltou a importância de tomar medidas excepcionais para minimizar os impactos negativos sobre os produtores e a economia do estado.
Além disso, o ministro enfatizou que o governo está atento à situação climática de outros estados, sob orientação do presidente, buscando formas de auxiliar os produtores diante das mudanças climáticas em curso.
Recentemente, o Mapa e o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT) concederam uma autorização extraordinária para estender o plantio de soja no estado até 13 de janeiro de 2024. Essa decisão foi uma resposta aos desafios climáticos enfrentados devido ao El Niño, visto que o período regular de semeadura encerraria em 24 de dezembro.
Um levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), divulgado em dezembro, prevê uma área de 12,131 milhões de hectares para a safra de soja 2023/24, ligeiramente superior à safra anterior, porém inferior à estimativa de novembro.
O Imea observou um recuo na área plantada devido ao alto índice de replantio indicado pelos agentes de mercado, calculado em torno de 5,04% em relação à área total prevista para o estado.
O instituto também destacou o impacto do clima mais quente e da prolongada estiagem em vários municípios de Mato Grosso, provocando efeitos negativos no desenvolvimento das lavouras. Em alguns casos, já se observa o encurtamento do ciclo da soja, o que pode afetar a produtividade das plantações.
O Mapa está em análise de medidas para auxiliar os produtores diante dessa situação desafiadora. A colheita da safra 2023/24 da soja já iniciou em algumas regiões do estado, aproximadamente 30 dias antes do esperado, e a produtividade média é estimada entre 10 e 20 sacas por hectare, devido ao ciclo encurtado pela seca.
Veja o que diz o ministro:
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Agronegócio lidera crescimento da economia com alta de 2,8% no segundo trimestre
A agropecuária voltou a ocupar o centro do crescimento da economia brasileira no segundo trimestre de 2026. Dados divulgados nesta terça-feira (1º.09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o setor avançou 2,8% entre abril e junho, mais de cinco vezes a alta de 0,5% registrada pelo Produto Interno Bruto (PIB) do País no mesmo período.
O desempenho foi o melhor entre os três grandes setores da economia. Enquanto a agropecuária cresceu 2,8% em relação aos três primeiros meses do ano, os serviços avançaram 0,2% e a indústria ficou praticamente estável, com alta de 0,1%. Em valores correntes, o PIB brasileiro alcançou R$ 3,4 trilhões no segundo trimestre.
A diferença também aparece na comparação com o mesmo período do ano passado. A economia brasileira cresceu 2% frente ao segundo trimestre de 2025, enquanto a agropecuária avançou 6,8%. Indústria e serviços cresceram 1,5% cada.
Segundo o IBGE, o resultado do campo foi favorecido pelo desempenho da pecuária e por culturas que registraram aumento da produção e ganhos de produtividade. Entre os produtos agrícolas com peso relevante no período, a estimativa para a soja aumentou 5,3% em relação a 2025 e a do café avançou 15,1%.
Nem todas as culturas acompanharam o movimento. A produção de arroz apresentou queda de 11,3% e a de algodão recuou 6,7%, enquanto o milho permaneceu praticamente estável.
Essas variações das lavouras, porém, não podem ser comparadas diretamente com os 2,8% de crescimento trimestral da agropecuária. O IBGE explica que não dispõe de séries com ajuste sazonal para cada cultura, o que impede determinar exatamente quanto soja, café ou qualquer outro produto contribuiu para o avanço entre o primeiro e o segundo trimestre.
O resultado divulgado nesta terça-feira ganha relevância também pelo comportamento do restante da economia. O crescimento do PIB perdeu velocidade em relação aos primeiros três meses do ano, quando havia avançado 1,1%. No segundo trimestre, indústria e serviços praticamente ficaram de lado, enquanto o consumo das famílias recuou.
Na indústria, a alta de apenas 0,1% foi garantida principalmente pelas atividades extrativas, que cresceram 3,4%, favorecidas pelo aumento da produção de petróleo e gás. A indústria de transformação caiu 0,4%, mesma retração registrada pela construção. Eletricidade e gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuaram 1,1%.
Os serviços, responsáveis pela maior parcela da economia brasileira, avançaram 0,2%. Informação e comunicação cresceu 2,1% e transporte, armazenagem e correio, atividade diretamente ligada ao escoamento da produção agropecuária, aumentou 1,1%. As atividades imobiliárias avançaram 0,2%, enquanto comércio e outras atividades de serviços ficaram estáveis.
Pelo lado da demanda, também houve sinais de perda de força da economia. O consumo das famílias caiu 0,4% em relação ao primeiro trimestre, apesar do aumento da massa salarial real e da disponibilidade de crédito. O consumo do governo avançou 0,4%.
Os investimentos apresentaram resultado melhor, com crescimento de 1,2%. Já no comércio exterior, as exportações de bens e serviços recuaram 0,8% no trimestre, enquanto as importações aumentaram 1,8%.
O desempenho da agropecuária também aparece nos números acumulados do ano. No primeiro semestre, o PIB brasileiro cresceu 1,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025. O campo avançou 3,6%, praticamente o dobro da economia como um todo e acima dos serviços, com alta de 1,8%, e da indústria, com 1,6%.
A comparação com 2025 mostra ainda uma mudança importante na dinâmica trimestral do setor. No segundo trimestre do ano passado, a agropecuária havia recuado 0,1% frente aos três primeiros meses. Agora, no mesmo tipo de comparação, registra expansão de 2,8%.
O crescimento ocorre depois de um 2025 excepcional para o campo. No ano passado, a agropecuária avançou 11,7%, resultado que teve peso importante para o crescimento de 2,3% do PIB brasileiro. A base elevada torna o avanço de 6,8% registrado no segundo trimestre deste ano ainda mais relevante.
Nos quatro trimestres encerrados em junho, a agropecuária acumula crescimento de 6,2%. É novamente o melhor resultado entre os grandes setores: os serviços avançam 1,7% e a indústria, 1,4%. A economia brasileira acumula alta de 1,9% nesse intervalo.
Os números divulgados pelo IBGE reforçam também uma diferença importante entre o desempenho da produção e o ambiente financeiro enfrentado pelo produtor. O crescimento ocorre em um período ainda marcado por juros elevados, crédito mais caro e pressão sobre as margens de algumas atividades.
Mesmo nesse cenário, o campo inicia a segunda metade de 2026 crescendo acima do restante da economia. O PIB perdeu velocidade entre o primeiro e o segundo trimestre, mas a agropecuária seguiu na direção contrária e apresentou a maior expansão entre os principais setores produtivos do País.
Fonte: Pensar Agro
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