AGRONEGÓCIO
Ministro Carlos Fávaro e governador do RS Eduardo Leite alinham ações sobre gripe aviária e apoio aos produtores rurais
Nesta terça-feira (20), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, reuniram-se em Brasília para tratar do enfrentamento da situação de emergência da gripe aviária no município de Montenegro (RS) e da situação das dívidas dos produtores rurais gaúchos, agravada por mais um ano de estiagem.
Sobre a gripe aviária, Fávaro destacou a eficiência da atuação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal. “A parceria com o estado do Rio Grande do Sul e a Secretaria de Agricultura tem sido fundamental. A atuação tripartite mostra a robustez do sistema sanitário brasileiro e está permitindo que o bloqueio seja eficiente, impedindo a disseminação do vírus”, afirmou o ministro.
Fávaro também ressaltou que, embora a expectativa fosse iniciar o chamado “marco zero” do ciclo de 28 dias previsto nos protocolos internacionais na amanhã (21), será necessário adiar para quinta-feira (22), pois a desinfecção da granja ainda precisa ser concluída. “A gente precisa garantir que os 28 dias de observação ocorram sem novos focos. Por isso, estamos reforçando as ações para que tudo esteja perfeitamente seguro”, completou.
O governador Eduardo Leite reforçou a importância do trabalho conjunto e elogiou a dedicação das equipes técnicas envolvidas. “Estamos muito tranquilos com os encaminhamentos. O trabalho está sendo feito com responsabilidade, e isso mostra o compromisso do sistema de defesa sanitária brasileiro e gaúcho”, afirmou. Leite ainda acrescentou que o caso será um exemplo positivo da seriedade com que o Brasil trata a sanidade animal.
Apoio aos produtores rurais
Outro tema importante da reunião foi a situação financeira dos produtores rurais do estado. Com mais um ciclo de estiagem e perdas na safra, o setor vive um momento de dificuldade. Segundo o ministro Fávaro, o governo federal reconhece a necessidade de prorrogar as dívidas dos agricultores gaúchos e trabalhará em uma proposta mais estruturada para dar fôlego ao setor.
“A prorrogação é um consenso entre os ministérios da Agricultura e Pecuária, da Fazenda e do Planejamento e Orçamento. Mas queremos ir além, construir uma solução que dê condições reais de investimento aos produtores, considerando as boas práticas, irrigação e manejo de solo”, explicou o ministro.
O governador Eduardo Leite agradeceu o empenho do governo federal. “Confiamos nos encaminhamentos que estão sendo apresentados. Esse tempo de prorrogação será essencial para fecharmos a melhor proposta técnica possível. O importante agora é afinar as soluções e tomar uma decisão concreta para dar tranquilidade aos produtores, que querem trabalhar, mas enfrentam há anos as adversidades do clima”, concluiu.
Informação à imprensa
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AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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