AGRONEGÓCIO
Ministro André de Paula destaca avanços da caprinovinocultura durante a Caprishow 2026
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, participou, nesta sexta-feira (22), ao lado da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, da Caprishow 2026, em Dormentes (PE). A agenda foi marcada por ações voltadas ao fortalecimento da caprinovinocultura e ao desenvolvimento da produção agropecuária no semiárido pernambucano.
“Estou muito feliz de estar no meu estado e de vir a Dormentes trazendo boas notícias. Hoje é um dia histórico. Acompanho a luta pelo reconhecimento do Berganês desde que eu era secretário de Produção Rural de Pernambuco”, afirmou o ministro. “Trabalho pelo fortalecimento da economia, pelo reconhecimento do valor do nosso produtos”, completou.
Entre os destaques da programação esteve a homologação da raça Berganês como o primeiro ovino oficialmente registrado em Pernambuco. O reconhecimento é resultado de mais de quatro décadas de trabalho de seleção genética desenvolvido no sertão pernambucano e representa um marco para a ovinocultura do estado.
A raça Berganês surgiu a partir do cruzamento entre as raças Santa Inês e Bergamácea, reunindo características como rusticidade, adaptação ao clima semiárido e potencial produtivo. Desenvolvido em Dormentes, o animal consolidou-se como referência para os produtores da região pela capacidade de adaptação às condições do sertão. Com o reconhecimento oficial, os animais passam a contar com certificação de origem, agregando valor genético ao rebanho e ampliando as oportunidades de comercialização.
“Nosso Berganês terá raça agora. É de Dormente para o mundo”, destacou a prefeita Corrinha de Geomarco, que recebeu o certificado das mãos do ministro André de Paula e da governadora Raquel Lyra.
A agenda também incluiu o reconhecimento da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco (Adagro) pela habilitação em todas as áreas do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). Atualmente, Pernambuco conta com dois serviços de inspeção integrados ao sistema: a Adagro e o Consórcio Intermunicipal do Sertão do Araripe Pernambucano. A estrutura já permitiu a integração de 21 estabelecimentos ao cadastro nacional do Sisbi-POA, ampliando o acesso de agroindústrias e produtores ao mercado nacional com segurança sanitária e maior competitividade.
A governadora Raquel Lyra ressaltou a atuação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal no fortalecimento da produção agropecuária pernambucana. “A gente tá tratando as pessoas de forma decente, permitindo que as pessoas vivam do seu próprio trabalho. A gente tá facilitando para o produtor, colocando o Sisbi. Estamos construindo a parceria que faltava”, disse.
Durante a programação, o ministro também anunciou a entrega de kits voltados à produção leiteira para municípios do sertão pernambucano, em iniciativa desenvolvida em parceria com o Instituto Federal do Sertão Pernambucano. A ação atenderá produtores da agricultura familiar nos municípios de Afrânio, Bodocó, Custódia, Flores e Venturosa, com a entrega de um kit de produção leiteira por município. Ao todo, cerca de 50 famílias serão beneficiadas diretamente.
Com investimento de R$ 1,1 milhão, a iniciativa busca ampliar a produtividade, melhorar a qualidade do leite e fortalecer a cadeia leiteira regional, considerada estratégica para Pernambuco, que possui produção superior a 1 bilhão de litros por ano.
Os kits permitirão que cada família produza entre 80 e 200 litros de leite por dia, além de garantir acompanhamento técnico especializado, com orientações sobre boas práticas de produção, higiene, manejo sanitário, planejamento alimentar e gestão de custos.
AGENDA
Ainda nesta sexta-feira (22), o ministro André de Paula visitou, ao lado da prefeita Corrinha de Geomarco, o frigorífico Daterra Soluções Ltda, primeiro estabelecimento de abate de ovinos de Pernambuco reconhecido pelo Sisbi-POA.
A unidade passou a integrar o cadastro do sistema em agosto de 2025 e tornou-se referência dos avanços da inspeção sanitária no estado. Em menos de um ano, a comercialização da empresa passou de 7 para 70 toneladas de carne por mês, demonstrando os impactos do fortalecimento da defesa agropecuária na geração de renda, ampliação de mercado e desenvolvimento regional.
Informações à imprensa
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AGRONEGÓCIO
Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos
O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.
A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.
O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.
Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.
INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.
“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”
“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”
“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”
Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.
No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.
Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.
Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.
Fonte: Pensar Agro
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