AGRONEGÓCIO
Curso de seguro rural abre novas turmas a partir de março
O Sistema FAEP/SENAR-PR vai retomar o curso “Seguro agrícola para grãos” a partir da segunda semana de março. Serão realizadas oito turmas no primeiro semestre de 2022 (confira as datas no quadro), com aulas por videoconferência e sem custo. A capacitação é destinada a todos os envolvidos na cadeia de seguros, como produtores, sindicatos rurais, profissionais de assistência técnica e instituições financeiras, desde que sejam atuantes no Paraná.
Inscrições: para saber mais sobre o curso, clique aqui.
O seguro rural é uma importante ferramenta de gestão de riscos na agricultura. Em um cenário de condições climáticas desafiadoras, como vem acontecendo na safra 2021/22 por causa da seca, o seguro agrícola permite que os produtores rurais tenham seus prejuízos cobertos e compromissos financeiros assegurados. A ferramenta tornou-se indispensável para mitigação de perdas no campo, pois garante maior estabilidade de renda ao longo das safras.
“O Paraná é historicamente o Estado que mais contrata seguro rural no país, resultado direto de uma política que incentivamos ano após ano. Esse curso tem ajudado a disseminar a importância da contratação do seguro a todos os envolvidos em atividades agrícolas, fornecendo informações completas sobre o uso da ferramenta”, pontua Ágide Meneguette, presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR.
“Estamos dando continuidade à capacitação por uma série de demandas do campo, principalmente em vista das últimas perdas registradas, que foram bastante significativas. É um curso com foco na elucidação de dúvidas e aplicação prática, abordando pontos como os itens da apólice, riscos cobertos e não cobertos e como calcular a indenização”, explica Ana Paula Kowalski, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR.
Os conteúdos previstos no curso incluem conceito de seguro agrícola e sua importância para a gestão de riscos, programas no âmbito federal e estadual, Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), mercado e modalidades de seguros rurais, tipos de cobertura, exemplos de cálculos, pontos de atenção ao contratar um seguro, ocorrência de sinistro, perícia e formação da taxa do seguro (prêmio).
Serviço
Os interessados devem se inscrever no site sistemafaep.org.br. As turmas serão por ordem de inscrição. Os participantes serão contatados por e-mail e telefone informados no cadastro. O curso possui carga-horária de seis horas, divididas em três encontros online. O horário das aulas será das 15 horas às 17 horas, realizadas às terças, quartas e quintas-feiras. Para mais informações, basta entrar em contato pelo telefone (41) 2169-7923 ou e-mail: [email protected].
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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