AGRONEGÓCIO
Começaram as atividades práticas no Polo Tecnológico do Araguaia
A primeira turma realizada no Polo Tecnológico, também chamado de Centro de Treinamento (CT), do Araguaia foi encerrada na última sexta-feira (22.04). Foi com as aulas práticas de um curso de operação de tratores que a área foi limpa. O superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), Francisco Olavo Pugliesi de Castro, conhecido como Chico da Pauliceia explica que as aulas, por enquanto, serão híbridas, a teoria será no Sindicato Rural de Água Boa e a prática na área, onde já estão sendo feitas as primeiras ações da construção. “Já temos os banheiros químicos e em breve teremos os containers onde acontecerão as aulas teóricas no local da obra”.

Para a secretária de desenvolvimento econômico, agricultura e turismo de Água Boa, Rejane Garcia, a instalação do Centro de Treinamento será mais uma oportunidade para que as pessoas possam se qualificar. “A prefeitura, com o apoio dos vereadores doou esta área para a construção do Polo. Para nós, faz todo sentido ser parceiro numa ação como esta que vai qualificar mão de obra para toda a região. Este é um problema que preocupa produtores rurais do mundo inteiro e estamos empenhados em ajudar a minimizar este gargalo”.
O presidente do Sindicato Rural de Água Boa, Geraldo Delai acrescenta que ver a conclusão desta primeira turma é a realização de um sonho. “Lançamos a pedra fundamental em novembro de 2021. E ver as máquinas trabalhando na área já em abril de 2022 é muito gratificante”, destaca. Delai diz ainda que ter o Polo Tecnológico no município será um diferencial para a região. “As pessoas terão mais facilidade de acesso aos cursos e, com isso, teremos mais facilidade em capacitar mão de obra”.
O diretor do Sindicato, Antônio Fernandes de Melo, conhecido como Tunico, enfatiza que o Centro de Treinamento atenderá toda a região. “É o CT do Araguaia. É emocionante vivenciar uma obra desta. Temos que destacar também o apoio e a dedicação de todas as entidades para termos celeridade na obra”.

O coordenador de polos tecnológicos, Wlademiro Neto explica que todos os sindicatos de Mato Grosso poderão demandar cursos para serem realizados no CT do Araguaia. Neto destaca ainda o potencial da unidade que tem o objetivo de capacitar 8.400 pessoas por ano. “Teremos 15 salas de aula amplas e quatro espaços específicos que incluem uma cozinha escola, uma sala de simulação de pulverização e mais duas para aulas de informática”.

A área total do Polo do Araguaia tem um espaço de 7.138,61m². Haverá blocos para administração com espaço multiuso no andar superior e um auditório para 130 pessoas. O bloco dois será um galpão de máquinas, o três será destinado para a educação formal e o quatro será o refeitório, com sala de aula gastronômica, vitrine e cozinha.

AGRONEGÓCIO
Safra de urucum impulsiona pequenas propriedades
A colheita do urucum avança nas principais regiões produtoras do país com preços entre R$ 12,50 e R$ 15 por quilo das sementes. No noroeste do Paraná, onde a produtividade pode chegar a 1,5 tonelada por hectare, a regularidade das chuvas favoreceu as lavouras depois de dois ciclos prejudicados pela seca.
Nas áreas de melhor desempenho, a combinação entre produtividade e preço representa uma receita bruta potencial de R$ 22,5 mil por hectare. O valor não desconta os gastos com implantação, adubação, manejo, mão de obra, colheita e beneficiamento das sementes.
O Brasil ocupa a liderança mundial na produção de urucum. Levantamento do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), elaborado com dados de 2020 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estimou uma colheita nacional de 13,6 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 57% da produção global naquele ano.
São Paulo concentra o principal polo produtor do país, especialmente na Nova Alta Paulista. Municípios localizados entre Tupã e Panorama têm parte da economia agrícola ligada à cultura. Na região, a safra principal ocorre entre junho e agosto, com preços atuais entre R$ 12,50 e R$ 13 por quilo.
No Paraná, o cultivo comercial ganhou espaço a partir da década de 1980 e encontrou condições favoráveis nos municípios do noroeste. A combinação entre solo arenoso, elevada luminosidade e temperaturas adequadas permitiu o desenvolvimento da atividade, principalmente em pequenas propriedades.
A colheita paranaense começa em março nas áreas mais precoces, atinge o maior volume entre junho e julho e pode seguir até setembro. A estimativa consolidada da produção regional deverá ser conhecida em outubro, depois do encerramento dos trabalhos nas lavouras.
Levantamentos locais indicam produtividade entre 800 e 1.500 quilos de sementes por hectare, dependendo da variedade, da idade das plantas, dos tratos culturais e das condições climáticas. A melhora dos preços também estimulou a retomada dos investimentos em adubação e manutenção das áreas.
A maior parte dos agricultores utiliza as variedades Piave tradicional e Piave anão. A primeira forma árvores de maior porte. A segunda apresenta plantas mais baixas, característica que facilita o acesso às cápsulas e reduz o esforço necessário durante a colheita.
Segundo especialistas, o porte das plantas é um fator importante principalmente nas propriedades que dependem de mão de obra familiar. A uniformidade da maturação e a disposição dos galhos também interferem na velocidade da colheita e no aproveitamento das sementes.
O urucum tem espaço em áreas nas quais a produção de soja ou milho em grande escala encontra limitações econômicas e operacionais. Em propriedades de até dez hectares, a cultura pode complementar a renda obtida com a pecuária leiteira e outras atividades.
A colheita é semimecanizada. As cápsulas são retiradas dos galhos e encaminhadas para equipamentos que fazem a separação das sementes. O processo ainda exige participação considerável de trabalhadores, o que torna o custo e a disponibilidade de mão de obra pontos importantes no planejamento.
Os frutos do urucuzeiro são cápsulas revestidas por espinhos maleáveis. Em seu interior ficam as sementes cobertas por um pigmento avermelhado utilizado na fabricação de colorau e de corantes naturais.
A bixina, principal pigmento extraído das sementes, abastece sobretudo a indústria de alimentos. A substância é empregada na coloração de queijos, embutidos, massas, molhos, bebidas, sorvetes, doces e outros produtos.
A matéria-prima também possui aplicações nas indústrias cosmética, química, têxtil e de vernizes. A procura por corantes de origem natural ajuda a sustentar o mercado, mas a remuneração depende da qualidade das sementes e do conteúdo de pigmento.
O teor de bixina é um dos principais critérios avaliados pela indústria. Sementes com maior concentração proporcionam melhor rendimento no processamento, o que aumenta a importância da escolha da variedade e do manejo correto da lavoura.
Pesquisas conduzidas pelo Instituto Agronômico (IAC), ligado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), buscam desenvolver plantas que reúnam porte reduzido, maior produtividade, elevado teor de bixina e resistência às principais doenças.
Entre os problemas acompanhados está o oídio, doença identificada pela formação de uma camada esbranquiçada nas folhas. Quando não controlada, pode reduzir a capacidade de desenvolvimento das plantas e afetar o potencial produtivo.
Os estudos também avaliam espaçamento, arquitetura das plantas, adaptação regional e diversidade genética. O instituto mantém um banco de germoplasma com 378 genótipos, utilizados na seleção de materiais com características de interesse dos agricultores e da indústria.
Por ser uma cultura perene, o urucum exige planejamento de longo prazo. A implantação das mudas deve ser feita preferencialmente entre a primavera e o verão, quando o período chuvoso favorece o crescimento inicial.
Antes de iniciar o cultivo, o produtor precisa avaliar a existência de compradores, a distância até as unidades de beneficiamento e a disponibilidade de trabalhadores. Ao contrário das grandes commodities, o urucum possui um mercado mais restrito e depende de canais comerciais organizados.
A produtividade elevada e os preços próximos de R$ 15 por quilo melhoram as perspectivas desta safra. Para as pequenas propriedades, a cultura representa uma alternativa de diversificação, mas o resultado depende de assistência técnica, qualidade das sementes, eficiência na colheita e segurança na comercialização.
Fonte: Pensar Agro
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