AGRONEGÓCIO
CIM aprova Plano Clima com foco em adaptação, mitigação e desenvolvimento sustentável
O Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) aprovou, nesta segunda-feira (15), o Plano Clima de Mitigação e Adaptação, instrumento estratégico que orientará a ação climática do Brasil nas próximas décadas. O documento reúne estratégias nacionais e planos setoriais e resulta de um amplo processo de construção coletiva, envolvendo ministérios, órgãos federais, comunidade científica, setor produtivo e sociedade civil.
O Plano Clima tem como objetivo orientar, promover, implementar e monitorar ações coordenadas para a transição do país a uma economia com emissões líquidas zero de gases de efeito estufa (GEE) até 2050, além de fortalecer a adaptação dos sistemas humanos e naturais à mudança do clima. As diretrizes consideram estratégias de curto, médio e longo prazos, alinhadas aos princípios do desenvolvimento sustentável e da justiça climática.
A estrutura do Plano está organizada em dois eixos complementares. O Plano Clima de Adaptação reúne uma Estratégia Nacional de Adaptação e 16 planos setoriais e temáticos, que abrangem áreas como agricultura e pecuária, agricultura familiar, biodiversidade, cidades, energia, recursos hídricos, saúde, segurança alimentar e nutricional, transportes e turismo. Já o Plano Clima de Mitigação é composto por uma Estratégia Nacional de Mitigação e oito planos setoriais, que incluem agricultura e pecuária, energia, indústria, transportes, cidades, resíduos sólidos e efluentes, além das mudanças do uso da terra em áreas públicas, coletivas e privadas.
A elaboração do Plano Clima envolveu diretamente 25 ministérios e configurou um dos mais amplos esforços interministeriais já realizados na política climática brasileira. O processo também contou com a contribuição de instituições científicas, representantes do setor produtivo e da sociedade civil, fortalecendo a convergência entre políticas públicas, ciência e desenvolvimento econômico.
No âmbito da adaptação, foram realizados 26 eventos de capacitação técnica, entre seminários, oficinas, reuniões técnicas e webinars, com a participação de mais de 870 especialistas envolvidos na formulação dos planos. A participação social também foi expressiva, com mais de 23 mil participantes, cerca de 1.300 propostas apresentadas e milhares de contribuições e comentários, além de plenárias presenciais em diferentes regiões e biomas do país.
Ao longo do processo, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apresentou contribuições técnicas em articulação com o setor privado e em diálogo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). Para o Mapa, o Plano Clima reúne os elementos necessários para orientar a ação governamental no enfrentamento da mudança do clima, é fundamental para o cumprimento da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil e confere previsibilidade às políticas públicas de mitigação e adaptação.
A construção do Plano teve início em 2023, no âmbito do CIM e do Subcomitê-Executivo (Subex), coordenado pela Casa Civil da Presidência da República, com secretaria-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Desde então, o Governo Federal estruturou um processo contínuo de diálogo técnico e político com entidades setoriais, especialistas, parlamentares e diferentes áreas do governo.
No setor agropecuário, o Plano Setorial foi submetido à consulta pública entre agosto e dezembro, período em que recebeu 443 contribuições. Como resultado, as ações foram organizadas em três Planos Setoriais de Mitigação, voltados ao fortalecimento de práticas agropecuárias sustentáveis, às mudanças do uso da terra em áreas rurais privadas e às mudanças do uso da terra em áreas públicas e territórios coletivos.
O Mapa destaca que a agropecuária brasileira possui papel estratégico na agenda climática. Além de mitigar emissões, o setor tem capacidade de sequestrar carbono em larga escala, por meio da fotossíntese, da recuperação de áreas degradadas e da adoção de sistemas produtivos sustentáveis. Desde os anos 1970, o Brasil construiu, com base em ciência, tecnologia e políticas públicas, um processo de transformação produtiva que garantiu a segurança alimentar interna e consolidou o país como um dos maiores fornecedores globais de alimentos, com relações comerciais com mais de 160 países e territórios.
Com a aprovação do Plano Clima pelo CIM, o Ministério da Agricultura e Pecuária reafirma seu compromisso com a implementação das ações sob sua responsabilidade e com o aprimoramento contínuo do instrumento, em diálogo permanente com os demais órgãos do governo e com o setor agropecuário, em benefício da sociedade brasileira e do fortalecimento da posição do Brasil como fornecedor sustentável de alimentos para o mundo.
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AGRONEGÓCIO
Brasil e Guatemala fortalecem parceria agropecuária ao celebrarem 50 anos de cooperação
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala (MAGA) assinaram, nesta quarta-feira (3), na Cidade da Guatemala, um Memorando de Entendimento (MoU) para fortalecer a cooperação bilateral em áreas estratégicas para o desenvolvimento agropecuário.
A assinatura do documento marca os 50 anos de cooperação entre Brasil e Guatemala e amplia a atuação conjunta em temas como pesquisa agropecuária, inovação tecnológica, sanidade animal e vegetal, recursos genéticos, bioinsumos, agricultura regenerativa, recuperação de solos, capacitação técnica, promoção de investimentos e facilitação do comércio agropecuário.
A agenda integra a missão oficial do Mapa à América Central, liderada pelo secretário-executivo, Cleber Soares, e também representa a retribuição da visita realizada recentemente pela ministra da Agricultura, Pecuária e Alimentação da Guatemala, María Fernanda Rivera Dávila, ao Brasil. Na ocasião, foram fortalecidos os entendimentos bilaterais e avançadas pautas de interesse comum, incluindo a habilitação de seis plantas frigoríficas brasileiras de carne bovina para exportação ao mercado guatemalteco.
Durante a reunião bilateral, as delegações identificaram oportunidades para ampliar a cooperação entre instituições brasileiras e guatemaltecas, com destaque para o intercâmbio de conhecimentos em manejo sustentável de solos, bioinsumos, agricultura resiliente às mudanças climáticas, monitoramento agroclimático e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade agrícola.
O Memorando de Entendimento também prevê a criação de mecanismos permanentes de coordenação entre os ministérios, incluindo grupo de trabalho conjunto, intercâmbio de especialistas, realização de missões técnicas, capacitações e desenvolvimento de projetos de interesse comum.
A Guatemala manifestou interesse em aprofundar a cooperação com o Brasil em áreas como o melhoramento genético de pescado e de bovinos, com o objetivo de promover o desenvolvimento da pecuária e ampliar a transferência de tecnologia. Durante as discussões, o governo guatemalteco reconheceu a experiência brasileira como referência internacional em inovação agropecuária e solicitou apoio para ações voltadas ao aprimoramento genético e ao fortalecimento do rebanho bovino do país.
As delegações também discutiram temas relacionados à ampliação do comércio agropecuário bilateral, incluindo avanços em processos sanitários para produtos de origem animal e oportunidades para fortalecer as relações comerciais entre os dois países.
A programação incluiu ainda uma reunião estratégica no Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), na Cidade da Guatemala. Durante o encontro, foram discutidas oportunidades de cooperação regional em temas como bioinsumos, cafeicultura, agricultura sustentável, adaptação às mudanças climáticas, genética animal e fortalecimento institucional.
As discussões ampliaram as perspectivas de atuação conjunta entre Brasil, Guatemala e organismos internacionais para o desenvolvimento de iniciativas voltadas à inovação, à sustentabilidade e ao fortalecimento da agricultura na região.
Informações à imprensa
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