AGRONEGÓCIO
2021: SENAR-MT em números
Em 2021, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) em parceria com os 93 Sindicatos Rurais do estado realizou mais de 4.400 ações de Formação Profissional Rural (FPR). O número de pessoas capacitadas passou de 54 mil. Dentro dos programas especiais da FPR aconteceram 51 ações em que foram capacitadas mais de mil pessoas.

Já na área de Promoção Social (PS) ocorreram 664 atividades, atendendo 7.937 pessoas. Nos programas especiais foram realizadas 732 atividades e atendidas cerca de 29 mil pessoas. Além destas, foram realizadas outras 320 ações dentro da área social, capacitando mais de oito mil pessoas.
O superintendente do Senar-MT, Francisco Olavo Pugliesi de Castro, mais conhecido como Chico da Pauliceia, explica que tudo o que a instituição realiza, incluindo as parcerias, é com recursos do produtor rural. “A nossa missão é transformar este dinheiro em conhecimento, informação, capacitação e qualificação de mão de obra”.
Em 2021, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) foi outra área que expandiu e cresceu. Em 12 meses foram agregadas 1.400 propriedades ao grupo de 600 que já eram atendidas. “A meta de atingir 2 mil propriedades foi cumprida antes do tempo previsto”, enfatiza o coordenador da ATeG, Armando Urenha. Ele acrescenta que para 2022 a meta é chegar a cinco mil propriedades atendidas.

Na área da infraestrutura também houve aumento nos números. No ano passado, parcerias garantiram a implantação de mais sete Centros de Treinamentos ou polos tecnológicos, como estão sendo chamados. Destes, dois serão construídos, sendo um em Sapezal e o outro em Água Boa. Os demais já têm o espaço que será adequado. “São espaços com o que há de mais moderno em tecnologias, máquinas e implementos”, destaca o coordenador Wlademiro Neto. Segundo ele, o número de parcerias para atender os CTs já passa de 40.
Em 2021, também foram inaugurados mais três Núcleos Avançados de Capacitação (NACs). Ao todo, somando as construções dos prédios e as adequações já são 45. São espaços devidamente equipados e geralmente são construídos próximos às sedes dos sindicatos ou junto aos parques de exposição.

Também foram implantados dois novos projetos. O Semeia e o Colheita de Talentos. O primeiro tem o objetivo de apresentar às crianças que vivem nas grandes cidades como funciona uma propriedade rural. Mostrar de onde vem o leite, as frutas e vários outros alimentos. Já o objetivo do Colheita de Talentos é o de conectar os participantes de treinamentos do Senar-MT com os produtores rurais que buscam mão de obra qualificada.

AGRONEGÓCIO
Alta do petróleo e avanço dos biocombustíveis elevam preços internacionais dos alimentos
A nova alta dos preços internacionais dos alimentos acendeu um alerta, e também abriu oportunidades, para o agronegócio brasileiro. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que os alimentos voltaram a subir em abril, puxados principalmente pelos óleos vegetais, em um movimento diretamente ligado à tensão no Oriente Médio, ao petróleo mais caro e ao avanço global dos biocombustíveis.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,6% em abril e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2023. Para o produtor brasileiro, porém, o dado mais importante está no comportamento do óleo de soja e das commodities ligadas à energia.
Com o aumento das tensões envolvendo o Irã e os riscos sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, o mercado internacional passou a precificar possível alta nos combustíveis fósseis. Na prática, petróleo mais caro torna o biodiesel mais competitivo e aumenta a demanda por matérias-primas agrícolas usadas na produção de energia renovável.
É justamente aí que o Brasil ganha relevância. Maior produtor e exportador mundial de soja, o país também ampliou nos últimos anos sua indústria de biodiesel. Com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em níveis mais elevados, cresce a demanda interna por óleo de soja, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
O efeito tende a chegar dentro da porteira. Preços internacionais mais firmes para óleo vegetal ajudam a sustentar as cotações da soja, melhoram margens da indústria e podem aumentar a demanda pelo grão brasileiro nos próximos meses.
Além disso, o cenário fortalece a estratégia de agregação de valor do agro nacional. Em vez de depender apenas da exportação do grão bruto, o Brasil amplia espaço na produção de farelo, óleo e biocombustíveis, segmentos mais ligados à industrialização e geração de renda.
Os cereais também registraram leve alta internacional em abril. Segundo a FAO, preocupações climáticas e custos elevados de fertilizantes continuam influenciando o mercado global de trigo e milho.
Mesmo assim, os estoques mundiais seguem relativamente confortáveis, reduzindo o risco de uma disparada mais intensa nos preços dos grãos neste momento. Outro ponto que interessa diretamente ao produtor brasileiro está na carne bovina. O índice internacional das proteínas animais bateu recorde em abril, impulsionado principalmente pela menor oferta de bovinos prontos para abate no Brasil.
Isso ajuda a sustentar os preços internacionais da proteína brasileira e reforça a competitividade do país em um momento de demanda firme no mercado externo. Na direção oposta, o açúcar caiu quase 5% no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta global, especialmente por causa da perspectiva de produção elevada no Brasil.
A FAO também revisou para cima sua projeção para a safra mundial de cereais em 2025, estimada agora em 3,04 bilhões de toneladas — novo recorde histórico. O cenário mostra que o mercado global de alimentos continua abastecido, mas cada vez mais conectado ao comportamento da energia, da geopolítica e dos biocombustíveis. Para o agro brasileiro, isso significa que petróleo, conflitos internacionais e política energética passaram a influenciar diretamente o preço da soja, do milho, da carne e até a rentabilidade dentro da fazenda.
Fonte: Pensar Agro
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