JUDICIÁRIO

TJ aprova projeto para extinguir comarcas e advogados protestam

Proposta prevê extinção de três comarcas em Mato Grosso, fechamento de varas e redução de cargos no Judiciário; medida ainda será analisada pelo CNJ e pela Assembleia Legislativa

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) aprovou uma proposta de reorganização da estrutura judiciária do Estado que prevê a extinção das comarcas de Nortelândia, Dom Aquino e Campinápolis. A medida também contempla o fechamento de algumas varas judiciais em Poxoréu, São Félix do Araguaia, Vila Rica e Cuiabá, além da redução de cargos em comissão e funções de confiança.

A decisão provocou reação entre advogados da região do Araguaia, que classificaram a medida como um “prejuízo enorme” para a população e iniciaram uma mobilização para tentar reverter a proposta.

O projeto foi aprovado por unanimidade pelo Tribunal Pleno do TJ-MT em 24 de setembro, sob relatoria do presidente da Corte, desembargador José Zuquim Nogueira. A proposta ainda não está definitivamente em vigor. O texto deverá ser encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e, posteriormente, à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), onde será submetido à votação.

Segundo o TJ-MT, a reorganização foi baseada em estudos técnicos realizados pela Corregedoria-Geral da Justiça, sob coordenação do corregedor-geral, desembargador José Luiz Leite Lindote. O levantamento apontou que as unidades incluídas na proposta apresentariam baixa demanda processual ou sobreposição de matérias.

Campinápolis

Um dos principais pontos de preocupação dos advogados é a extinção da comarca de Campinápolis. Conforme dados apresentados no acórdão do TJ-MT, a Vara Única do município registrou 585 novos casos e 4.421 pontos de carga ponderada no levantamento inicial.

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Com a eventual extinção da comarca, o acervo processual será absorvido pelas duas varas de competência abrangente de Nova Xavantina.

O advogado e ex-presidente da Subseção da OAB de Nova Xavantina, Rafael Pereira, afirmou que os profissionais da região foram surpreendidos pela decisão. Segundo ele, a advocacia local não tinha conhecimento de que a comarca estava sendo avaliada para uma possível extinção.

“Isso pegou todo mundo de surpresa. Nós nunca tínhamos ouvido falar que estava correndo esse risco de fechamento da nossa comarca. Se soubéssemos, teríamos tentado defender, argumentar, participar da sessão e fazer alguma sustentação oral”, afirmou.

Rafael também destacou as características da região. Segundo ele, a maior parte da população de Campinápolis é indígena e o município possui mais de 200 aldeias, além de distritos localizados a até 150 quilômetros da sede, alguns com acesso por estradas de chão.

O advogado ressaltou ainda a existência de assentamentos e a vulnerabilidade socioeconômica da população local.

“É um prejuízo enorme e que pegou a gente muito de surpresa. Da mesma forma aconteceu em Vila Rica e São Félix do Araguaia, com a decisão pelo fechamento de varas nessas cidades”, declarou.

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OAB e representantes da região se mobilizam

Rafael Pereira afirmou que o acórdão menciona uma consulta realizada junto à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) antes da elaboração da proposta. Segundo o documento, a instituição teria manifestado concordância com a extinção das comarcas e das respectivas varas.

O advogado, porém, afirma que os profissionais que atuam diretamente na região não foram consultados sobre a iniciativa.

Diante da proposta, advogados, presidentes e ex-presidentes de subseções, diretores e representantes do poder público municipal se reuniram na segunda-feira (5) com o corregedor-geral da Justiça, José Luiz Leite Lindote, para apresentar as demandas da região.

Durante o encontro, os representantes da advocacia defenderam que a análise leve em consideração as condições de atendimento nas localidades atingidas.

Eles apresentaram informações relacionadas ao crescimento populacional e econômico, movimentação processual, extensão territorial e estrutura de servidores e oficiais de Justiça.

No caso de Campinápolis, também foi destacada a existência de estruturas próprias do Ministério Público e da Defensoria Pública no município.

A proposta, entretanto, ainda deverá passar por novas etapas antes de uma eventual implementação. O texto seguirá para análise do CNJ e, posteriormente, para apreciação dos deputados estaduais na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

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POLÍTICA MT

Pivetta inicia pente-fino na máquina pública e avalia cortes no Governo

Decreto deve criar comissão para analisar despesas, estruturas e possíveis cortes no funcionalismo

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O governador Otaviano Pivetta (Republicanos), reeleito no último domingo (4), prepara uma ampla revisão da estrutura do Governo de Mato Grosso com o objetivo de enxugar a máquina pública, reduzir despesas e tornar o Estado mais eficiente.

A expectativa é de que um projeto de lei de reforma administrativa seja encaminhado à Assembleia Legislativa até a próxima semana, estabelecendo as regras e os critérios que deverão orientar o trabalho. Um decreto deve ser publicado até sexta-feira (9) para criar uma comissão responsável pelos estudos.

Segundo Pivetta, a medida será o ponto de partida para um diagnóstico financeiro, econômico e administrativo do Estado. O levantamento deverá analisar o tamanho atual da estrutura, os gastos com pessoal e custeio, a necessidade de cada órgão e os setores em que existe espaço para redução de despesas sem comprometer os serviços considerados essenciais.

O grupo deverá reunir e cruzar informações das diferentes áreas do Governo para apresentar um retrato detalhado da máquina estadual.

Entre os pontos que serão analisados estão a quantidade de servidores e cargos existentes, a estrutura das secretarias e demais órgãos, contratos, despesas administrativas e possíveis sobreposições de funções.

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Cortes e prioridades

A comissão deverá apontar onde existem possibilidades de economia e quais áreas devem ser preservadas ou tratadas como prioritárias.

A revisão poderá resultar em redução de estruturas, despesas e também de pessoal, especialmente em cargos comissionados. A dimensão e o formato de eventuais cortes, porém, ainda dependerão da conclusão dos estudos.

O decreto deverá estabelecer a metodologia para que as decisões sejam tomadas com base nos dados levantados pela comissão.

O ex-secretário de Estado de Fazenda Rogério Gallo, que atuou como um dos coordenadores da campanha de Pivetta, deverá presidir o grupo responsável pelos estudos.

Reforma para o novo mandato

A iniciativa deve marcar o início da reorganização administrativa para o novo mandato de Pivetta, que começa em janeiro de 2027.

A intenção do Governo é chegar ao próximo ciclo com uma estrutura mais enxuta e com maior capacidade de direcionar recursos para investimentos e áreas consideradas prioritárias pela gestão.

A proposta, neste momento, ainda está em fase de estudo. Eventuais cortes no funcionalismo e mudanças na estrutura administrativa dependerão dos resultados do levantamento e das etapas legais seguintes.

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