DISCURSO E PRÁTICA - DEBATE ELEIÇÕES 2026
Fávaro resgata apoio de Medeiros a Temer e a Alexandre de Moraes e confronta discurso atual do adversário
Senador lembra que candidato do PL defendeu Moraes antes mesmo do governo Temer e cita trajetória política da família de Odílio Balbinotti ao rebater críticas durante a disputa pelo Senado em Mato Grosso
O senador Carlos Fávaro (PSD) voltou a confrontar o discurso político adotado atualmente por José Medeiros (PL) ao resgatar episódios da passagem do adversário pelo Senado e sua relação com o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).
As declarações ocorreram após debate entre candidatos ao Senado realizado pela TV Vila Real. Fávaro utilizou a trajetória política de Medeiros para responder às críticas relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e, principalmente, ao ministro Alexandre de Moraes.
O ponto levantado por Fávaro encontra respaldo em registros oficiais do próprio Senado. Em abril de 2016, antes mesmo de Michel Temer assumir a Presidência, Medeiros fez um pronunciamento no plenário defendendo Alexandre de Moraes para integrar um eventual governo Temer. Na época, Moraes era cotado para o Ministério da Justiça.
“Vamos ser coerentes, quem indicou Alexandre de Moraes para o Supremo? Foi Michel Temer”, afirmou Fávaro, ao associar o episódio à atuação política de Medeiros naquele período.
Alexandre de Moraes foi formalmente indicado por Temer ao STF em fevereiro de 2017. A indicação passou pela Comissão de Constituição e Justiça e posteriormente foi aprovada pelo plenário do Senado por 55 votos a 13. Como a votação foi secreta, os registros oficiais consultados não permitem afirmar individualmente como Medeiros votou na aprovação final de Moraes.
Há, entretanto, outros registros públicos da posição de Medeiros naquele período. Dias antes da sabatina, ele confirmou ter participado de encontro com Moraes e outros senadores e classificou como normal a aproximação entre parlamentares e indicados ao Supremo. Durante a própria sabatina na CCJ, Medeiros também dirigiu perguntas ao então indicado.
TRAJETÓRIA POLÍTICA ENTRA NO DEBATE
Fávaro ampliou o embate ao questionar a apresentação de Medeiros como representante histórico da direita mato-grossense.
Segundo o senador do PSD, Antônio Galvan representaria uma trajetória mais identificada com esse campo político. Fávaro afirmou que Medeiros teve passagem por outro espectro político e utilizou esse histórico para devolver as provocações recebidas durante a campanha.
O parlamentar também direcionou a discussão para a chapa adversária ao mencionar Odílio Balbinotti Filho, suplente de Medeiros, e recordar a trajetória política de sua família.
Fávaro citou especificamente Odílio Balbinotti, pai do suplente, ao falar da relação mantida pela família com governos anteriores do PT.
O episódio possui registro histórico. Em março de 2007, durante o segundo governo Lula, Odílio Balbinotti chegou a ser indicado para assumir o Ministério da Agricultura. Sua posse estava prevista, mas ele desistiu da indicação após a repercussão de questionamentos publicados pela imprensa na época.
Fávaro usou esse histórico para devolver a Medeiros a provocação envolvendo o termo “melancia”, expressão política utilizada de forma pejorativa para se referir a alguém que se apresenta como pertencente a um campo ideológico, mas é acusado pelos adversários de possuir vínculos com outro.
O embate coloca no centro da campanha não apenas as posições atuais dos candidatos, mas também registros de suas trajetórias políticas. No caso de Medeiros, documentos do Senado mostram que ele defendeu Alexandre de Moraes publicamente em 2016, antes da indicação ao STF.
Já a referência de Fávaro à família Balbinotti remete a 2007, quando Odílio Balbinotti foi escolhido por Lula para o Ministério da Agricultura, mas desistiu antes de tomar posse.
Com a disputa pelo Senado entrando na reta final, Fávaro aposta nesses episódios históricos para confrontar o discurso político atual de Medeiros, enquanto o candidato do PL mantém sua campanha identificada com o bolsonarismo e com críticas ao STF.
POLÍTICA MT
Sorriso perde liderança nacional do agronegócio após seis anos no topo
Sapezal assume o primeiro lugar no ranking do IBGE, enquanto criação de Boa Esperança do Norte altera a contabilização da produção agrícola de Sorriso
Sapezal registrou R$ 8,59 bilhões em valor de produção agrícola em 2025, crescimento nominal de 46,6% em relação ao ano anterior. São Desidério (BA) ficou em segundo lugar, com R$ 8,22 bilhões, enquanto Sorriso registrou R$ 8,16 bilhões.
Apesar da perda de posições, Sorriso teve aumento nominal de 13,8% no valor da produção em relação a 2024, quando havia alcançado R$ 7,2 bilhões. O município, porém, teve redução de 9,3% na área plantada, segundo o IBGE.
Um dos fatores que alteraram o resultado foi a criação de Boa Esperança do Norte, instalada oficialmente em 2025 a partir de áreas que pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã. Com a mudança territorial, parte da produção que anteriormente era contabilizada nos municípios de origem passou a ser registrada separadamente.
Do território utilizado para a formação de Boa Esperança do Norte, 20% pertenciam a Sorriso e 80% a Nova Ubiratã. O novo município já aparece na pesquisa do IBGE com aproximadamente R$ 3 bilhões em valor de produção agrícola, ocupando a 25ª posição nacional.
Enquanto Sorriso perdeu área, Sapezal apresentou forte expansão. O município registrou R$ 8,59 bilhões em produção agrícola, impulsionado principalmente pelo algodão, além de soja e milho. Somente o algodão respondeu por cerca de R$ 5,1 bilhões do valor produzido em 2025.
Mato Grosso, entretanto, manteve a liderança entre os estados brasileiros. O estado registrou cerca de R$ 165,6 bilhões em valor de produção agrícola em 2025, o equivalente a aproximadamente 17,9% do total nacional. Cinco municípios mato-grossenses aparecem entre os dez maiores produtores do país.
A pesquisa do IBGE considera, no cálculo do valor da produção agrícola, a quantidade produzida e o preço médio recebido pelos agricultores em cada ano. Os valores são nominais, ou seja, não são corrigidos pela inflação.
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