CENÁRIO POLÍTICO
Damares diz que eleição de 2026 será “plebiscito” entre “bem e mal” e defende Senado mais firme diante do STF
Em Cuiabá, senadora afirmou que disputa eleitoral colocará em lados opostos projetos para o país e declarou apoio a Margareth Buzetti e Mauro Mendes
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou, nesta quarta-feira (9), em Cuiabá, que a eleição de 2026 deverá assumir caráter de “plebiscito”, com os eleitores diante da escolha entre projetos que, segundo ela, representam caminhos opostos para o país.
A declaração ocorreu durante ato político em apoio à candidatura da senadora Margareth Buzetti (PP) ao Senado. No discurso, Damares elevou o tom ao tratar do cenário nacional e afirmou que os brasileiros terão de escolher entre “o bem e o mal” e entre “miséria e prosperidade”.
“A nação brasileira está doente. E em 2026 não será uma eleição, será um plebiscito. E nós vamos ter que escolher entre o bem e o mal. Em 2026 nós vamos ter que escolher entre miséria e prosperidade”, declarou.
Críticas ao STF
Durante o evento, Damares também fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu uma atuação mais firme do Senado na fiscalização dos ministros da Corte.
A senadora afirmou que o país atravessa um período de insegurança jurídica e perda de credibilidade das instituições. Segundo ela, eventuais pedidos de impeachment contra ministros do STF deveriam avançar quando os senadores identificarem a existência de irregularidades.
“Não só um, vai passar quantos impeachment forem necessários. Quem cometer erro vai ter que pagar com seu erro, não tem intocáveis no país”, afirmou.
Damares também defendeu a construção de um Senado que, em sua avaliação, tenha maior disposição para enfrentar questões envolvendo o Supremo.
Apoio a Buzetti e Mauro Mendes
No ato realizado em Cuiabá, Damares declarou apoio à candidatura de Margareth Buzetti e também ao ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes (União Brasil), apontando os dois como nomes importantes para fortalecer a atuação do grupo político no Senado.
Ao falar sobre a atual conjuntura nacional, a senadora voltou a criticar decisões e a atuação do STF e afirmou que três mulheres — ela, a senadora Tereza Cristina e Margareth Buzetti — teriam papel relevante na formação de um Senado mais atuante, citando também o apoio de Mauro Mendes.
Disputa de 2026
A avaliação de Damares ocorre em meio ao início das articulações para as eleições de 2026. A senadora classificou a próxima disputa como uma escolha entre projetos distintos e afirmou que o resultado das urnas terá impacto sobre os rumos políticos do país.
O discurso também reforçou a estratégia de setores da oposição de transformar a eleição presidencial e as disputas para o Congresso em uma espécie de avaliação do atual cenário institucional brasileiro.
Pela Constituição, cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF nos crimes de responsabilidade, dentro das regras previstas para o processo de impeachment.
POLÍTICA MT
Mauro prevê colapso na receita com reforma tributária e vai propor novo modelo até 2033
Candidato ao Senado afirma que mudanças podem reduzir receitas públicas e a competitividade de Mato Grosso e defende correções para evitar impactos sobre estados produtores
O candidato ao Senado Mauro Mendes afirmou que a reforma tributária poderá provocar uma forte redução da receita pública a partir de 2033 e defendeu que o novo modelo seja acompanhado e ajustado pelo Congresso Nacional para evitar prejuízos aos estados produtores, como Mato Grosso. A declaração foi feita durante o Diálogos com os Candidatos ao Senado, realizado nesta quarta-feira (09.08), promovido pela Aliança do Setor Produtivo, composto pela FIEMT, Fecomércio e Famato.

Mauro classificou como preocupante o impacto que a mudança poderá produzir sobre as contas públicas, principalmente pela alteração na forma de arrecadação e pela perda de instrumentos utilizados pelos estados para atrair investimentos e compensar dificuldades estruturais, como a distância dos grandes mercados consumidores.
“Eu temo em dizer, sem muito medo de errar, que isso vai dar um grande e terrível processo de diminuição da receita pública. Seguramente vai acontecer lá em 2033”, afirmou Mauro, ao alertar para os efeitos da transição para o novo sistema tributário.

Na avaliação do candidato ao Senado, Mato Grosso está entre os estados que precisam acompanhar de perto a transição porque possui uma economia fortemente baseada na produção e exportação de commodities. Ele argumenta que a mudança pode beneficiar determinados setores e regiões, enquanto estados produtores podem perder competitividade com o fim de mecanismos que hoje ajudam a compensar custos de produção e logística.
“Acredito que, até hoje, a grande maioria das pessoas não sabe exatamente o que foi aprovado e qual será o impacto da reforma tributária. Ela é extremamente favorável aos exportadores, porque foi construída com o objetivo de facilitar, melhorar e reduzir a carga tributária de quem exporta. Quem exporta no país terá ganhos gigantescos com a redução dos custos tributários. O problema é que quem não exporta poderá enfrentar grandes dificuldades”.
O candidato também criticou a profundidade do debate político sobre a reforma. Segundo ele, decisões com impacto de longo prazo exigem uma análise mais detalhada dos efeitos sobre a arrecadação, a atividade econômica e a capacidade de investimento dos estados.
“Os políticos brasileiros, de maneira geral, não mergulham com profundidade nos temas. Nos últimos anos, a política no Brasil ficou muito rasa: o político faz um discurso, busca visibilidade, se elege e muitas vezes não entrega aquilo que prometeu. No caso da reforma tributária, eu temo, sem muito medo de errar, que teremos um grande e terrível processo de diminuição da receita pública. Se os exportadores não vão pagar, quem vai arcar com os custos de uma máquina pública que aumenta dia após dia? Nós vamos ter um grande colapso. Se ele não acontecer até 2032, seguramente vai acontecer em 2033”.
Mauro defendeu que sua experiência à frente do Governo de Mato Grosso poderá ser utilizada no Senado justamente para atuar em discussões que tenham impacto direto sobre a economia estadual. Para ele, o próximo passo deve ser acompanhar a regulamentação e a implementação da reforma e trabalhar para que eventuais distorções sejam corrigidas antes que produzam efeitos mais severos sobre as contas públicas e a competitividade de Mato Grosso.
“É por isso que eu me candidato ao Senado, porque acredito que com essa experiência acumulada eu posso entregar muito resultado como senador por Mato Grosso”, afirmou.
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