DEBANDADA DO PL

Depois de declaração de apoio de prefeito, Pivetta fecha asfalto em 100% de Rondonópolis e Cláudio diz: “Não é conversa fiada, é entregar de verdade” – veja o video

Prefeito do PL reforça apoio ao governador, destaca obras iniciadas na gestão Mauro Mendes e aumenta o desgaste político de Wellington Fagundes dentro da própria legenda e em seu principal reduto eleitoral

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O governador Otaviano Pivetta anunciou apoio do Governo de Mato Grosso para avançar na pavimentação das ruas de Rondonópolis que ainda não possuem asfalto. A declaração ocorreu durante agenda no município ao lado do prefeito Cláudio Ferreira (PL), que voltou a manifestar apoio político ao governador.

Além do caráter administrativo, a visita ganhou forte componente eleitoral. Cláudio pertence ao mesmo partido de Wellington Fagundes, mas decidiu apoiar Pivetta na disputa pelo Governo de Mato Grosso, movimento que evidencia as divergências internas no PL e ganha peso especial por ocorrer em Rondonópolis, principal reduto político do senador.

Durante a agenda, Pivetta afirmou que o Governo do Estado pretende trabalhar em parceria com a prefeitura para chegar à pavimentação de 100% das ruas da cidade.

“Chegamos aqui para ficar. Vamos junto com o prefeito pavimentar 100% das ruas aqui do bairro e o prefeito vai apresentar o inventário de onde falta asfalto na cidade. Cláudio, vamos ajudar você a pavimentar 100% da cidade de Rondonópolis”, afirmou Pivetta.

“NÃO É CONVERSA FIADA”

O tom político aumentou quando Cláudio Ferreira destacou a parceria construída inicialmente com o ex-governador Mauro Mendes e mantida por Pivetta. O prefeito deixou claro que sua decisão de apoiar o atual governador está vinculada, segundo ele, às entregas realizadas no município.

“Essa parceria começou lá atrás com o governador Mauro Mendes e agora com o nosso governador Otaviano Pivetta, que nós recebemos com muita alegria e que nós também apoiamos, porque nós apoiamos quem tem compromisso com Rondonópolis. Não é de conversa fiada, é aquele que vem entregar de verdade. É assim que nós tocamos as coisas, com seriedade”, declarou Cláudio.

A declaração ocorre em um momento delicado para a candidatura de Wellington. O senador enfrenta resistência de integrantes do próprio PL, enquanto Pivetta busca ampliar sua base justamente entre lideranças que, pela lógica partidária, estariam no palanque do adversário.

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No caso de Cláudio, o simbolismo é ainda maior. O prefeito governa Rondonópolis, cidade historicamente ligada à trajetória política de Wellington, mas optou por permanecer no palanque de Pivetta.

OBRAS EM VEZ DE PROMESSAS

A agenda começou pelo Anel Viário, onde Pivetta vistoriou as obras de restauração e duplicação do trecho que liga a MT-270 à BR-163. A intervenção contempla aproximadamente 17 quilômetros e, segundo o governo, tem impacto direto na segurança, mobilidade e logística do município.

“São 17 quilômetros de duplicação, um Anel Viário importantíssimo para a segurança, para o bem-estar e para o desenvolvimento de Rondonópolis”, afirmou Pivetta.

Cláudio Ferreira ressaltou o histórico de acidentes no trecho e voltou a estabelecer uma diferença entre promessa e execução.

“Nós perdemos muitas vidas aqui, muitos trabalhadores, muitas trabalhadoras. As cargas também passam por aqui. Não é uma promessa, não é uma obra que vai ser feita, é uma obra que está sendo feita pelo Governo do Estado”, declarou.

Os dois trechos de restauração e duplicação do Anel Viário contam com investimentos informados de R$ 37,2 milhões e R$ 37 milhões.

100% DE ASFALTO NO SAGRADA FAMÍLIA

No bairro Sagrada Família, Pivetta acompanhou as obras de pavimentação e drenagem de todas as ruas. O investimento informado é de R$ 64,3 milhões.

Cláudio destacou que a intervenção inclui drenagem e pavimentação em CBUQ.

“Aqui também tem participação do Governo do Estado, asfaltamento de 100% do bairro Sagrada Família e não é só asfalto, é drenagem também. O asfalto aqui é CBUQ, de primeira qualidade. Pivetta, muitíssimo agradecido pela parceria firmada, por estar presente aqui, está melhorando a vida das pessoas”, disse.

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PACOTE DE INVESTIMENTOS

A parceria entre Governo do Estado e município inclui uma série de investimentos concluídos, em andamento, em licitação ou previstos para começar.

Entre as obras em licitação está o viaduto da Avenida dos Estudantes, com investimento previsto de R$ 76,5 milhões, além da pavimentação de 25 quilômetros da Estrada da Viola (MT-458), com R$ 54,1 milhões.

Também integram o pacote obras já concluídas, como o asfaltamento do Distrito Vettorasso, com R$ 65,3 milhões; intervenções no Distrito Industrial, com R$ 68,5 milhões; acesso à Comunidade Miau, com R$ 49,6 milhões; 27,8 quilômetros da MT-383, entre Três Pontes e Naboreiro, com R$ 46,5 milhões; e 42,3 quilômetros da MT-471, no Assentamento Carimã, com R$ 43,3 milhões.

O acesso à ponte da Avenida W11 sobre o Rio Vermelho recebeu investimento informado de R$ 18,8 milhões.

A primeira-dama de Rondonópolis também participou da agenda e declarou apoio a Pivetta para o Governo, Mauro Mendes para o Senado e Gisela Simona como vice.

DEBANDADA NO PL

A agenda deixa um componente político difícil de ignorar. Enquanto Wellington Fagundes tenta unificar o PL em torno de sua candidatura, Pivetta recebe apoio público de integrantes da própria legenda adversária.

Cláudio não apenas declarou voto, como utilizou as entregas do Governo do Estado para justificar sua posição e afirmou que apoia “quem tem compromisso com Rondonópolis”.

O movimento amplia o racha dentro do PL e coloca Pivetta avançando politicamente justamente sobre Rondonópolis, território eleitoral de Wellington. Em plena disputa pelo Governo, a batalha deixa de ser apenas por votos e passa também pela capacidade de cada candidato de manter aliados dentro do próprio campo político.

Veja o video

Propaganda

POLÍTICA MT

Medeiros fala em “melancia” e expõe apelido de Wellington Fagundes, aliado do próprio PL

Propaganda eleitoral de José Medeiros usa a expressão para atacar políticos que se apresentam como representantes da direita, mas acaba provocando “fogo amigo” ao remeter a apelido usado por adversários contra Wellington Fagundes, candidato ao Governo pela mesma coligação

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Uma inserção eleitoral do candidato ao Senado José Medeiros (PL) abriu espaço para um novo episódio de “fogo amigo” na campanha em Mato Grosso. Ao utilizar uma melancia para atacar políticos que, segundo ele, tentam se apresentar como representantes da direita apesar de antigas aproximações com a esquerda, Medeiros acabou trazendo à tona uma expressão que já foi utilizada por adversários para atacar Wellington Fagundes (PL).

A situação chama atenção porque Medeiros e Wellington pertencem ao mesmo partido e integram a mesma aliança eleitoral. Enquanto Medeiros disputa uma das vagas ao Senado, Wellington concorre ao Governo de Mato Grosso.

Na propaganda, Medeiros aparece segurando e cortando uma melancia enquanto dispara contra políticos que, em sua avaliação, adotariam um discurso conservador apenas durante o período eleitoral.

“Mato Grosso é o maior produtor de soja do mundo. Mas quando começa a eleição, o que mais brota por aqui é melancia”, afirma Medeiros.

A expressão tem significado conhecido no vocabulário político. “Melancia” é usada de maneira pejorativa para definir alguém que seria “verde por fora e vermelho por dentro”, numa referência a políticos que publicamente se posicionariam à direita, mas seriam associados à esquerda por seus críticos.

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É justamente aí que a propaganda cria uma saia-justa para a chapa.

Wellington Fagundes já foi chamado de “melancia” por adversários e integrantes mais à direita do espectro político, que utilizam sua trajetória e suas relações com diferentes governos federais para questionar sua identificação atual com o campo conservador.

Ao longo de sua extensa carreira política, Wellington manteve diálogo e relações institucionais com governos de diferentes orientações políticas, passando pelas administrações de Dilma Rousseff (PT), Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).

Com isso, mesmo sem citar Wellington nominalmente na propaganda, a escolha da “melancia” por Medeiros abre margem para que a crítica seja relacionada ao próprio candidato ao Governo do PL.

Na sequência da peça eleitoral, Medeiros aumenta o tom contra os alvos de sua crítica. O candidato afirma que esses políticos pretendem chegar ao Congresso Nacional para “defender a esquerda, passar pano para Alexandre de Moraes, defender o aborto e defender a bandidagem”.

Medeiros encerra a propaganda retomando a metáfora.

“Mato Grosso já foi enganado antes, mas agora a gente aprendeu. Melancia é bom pra se comer, mas na hora de votar, não dá certo”, ironiza.

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FOGO AMIGO

A declaração ganha peso político justamente por partir de um candidato do próprio PL. Medeiros busca consolidar sua imagem junto ao eleitorado bolsonarista enquanto Wellington também tenta ocupar o espaço da direita na disputa pelo Palácio Paiaguás.

O episódio ocorre ainda em meio à corrida pelas duas vagas ao Senado. Medeiros tenta ampliar sua presença eleitoral em uma disputa que reúne nomes competitivos e na qual o voto identificado com a direita tornou-se um dos principais campos de batalha.

A estratégia de Medeiros, portanto, acabou produzindo um efeito colateral dentro da própria coligação. Ao atacar os chamados “melancias”, o candidato ao Senado trouxe novamente para o debate justamente um apelido utilizado contra Wellington Fagundes.

Mesmo sem uma citação nominal ao candidato ao Governo, a propaganda expõe uma contradição política dentro do PL e alimenta a leitura de “fogo amigo” entre dois candidatos que deveriam caminhar no mesmo palanque.

No fim, a “melancia” escolhida por Medeiros para atingir adversários acabou respingando dentro de casa e colocando Wellington Fagundes, seu aliado de partido e coligação, no centro da provocação.


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