TRAMONTINA BOLSONARISTA
Facada de Medeiros nas costas de Wellington repercute na mídia local
Articulação envolvendo lideranças do PL nacional, Pivetta e Mauro Mendes expõe racha interno e tentativa de isolamento político do senador em Mato Grosso
A movimentação nos bastidores da política mato-grossense ganhou novos contornos após a repercussão, na mídia local, da articulação liderada pelo deputado federal José Medeiros (PL) junto à cúpula nacional do partido.
O movimento, interpretado por aliados como uma “facada pelas costas”, teria como objetivo enfraquecer o senador Wellington Fagundes (PL) e retirá-lo da disputa eleitoral deste ano.
De acordo com informações divulgadas, Medeiros teria atuado diretamente para viabilizar uma reunião entre o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil).
O encontro, realizado de forma reservada, teria como pano de fundo a construção de uma aliança política que excluísse Fagundes do protagonismo eleitoral em Mato Grosso.
A reação do senador foi imediata. Sem citar diretamente Medeiros em tom mais duro, Fagundes criticou a tentativa de interferência externa nas decisões do partido no Estado e rechaçou qualquer tentativa de subordinação do PL ao Palácio Paiaguás. “O PL não é puxadinho de governo.
O partido tem história, tem base e decisões que precisam ser tomadas internamente, com diálogo e responsabilidade”, afirmou.
Nos bastidores, no entanto, o clima é de irritação.
Fagundes avalia que há uma tentativa clara de construção de um cenário onde sua candidatura seja inviabilizada antes mesmo do início formal da disputa. O senador também rebateu o argumento de que a articulação seria estratégica para fortalecer o partido nacionalmente, defendendo uma disputa aberta e democrática.
Outro ponto que elevou a tensão foi a justificativa atribuída ao grupo articulador: a prioridade em eleger senadores, e não governadores. Nesse contexto, Medeiros surgiria como peça central de um eventual acordo, com apoio do grupo governista para uma vaga no Senado, enquanto Fagundes ficaria fora do tabuleiro principal neste momento.
Em contrapartida, haveria uma promessa de apoio futuro à reeleição de Fagundes em 2030 proposta que, nos bastidores, é vista com desconfiança por aliados do senador.
Apesar do desgaste, Fagundes adotou cautela pública. Disse respeitar Mauro Mendes e afirmou que pretende dialogar diretamente com Valdemar Costa Neto antes de qualquer posicionamento mais incisivo.
Ainda assim, o episódio escancarou um racha interno no PL de Mato Grosso, evidenciando que a disputa eleitoral de 2026 já começou e com direito a golpes políticos dignos de uma “Tramontina” bem afiada.
POLÍTICA MT
Fagundes reage a articulação de bastidores e afirma independência do PL em Mato Grosso
Senador critica tentativa de isolamento após reunião entre Pivetta, Mauro Mendes e Valdemar Costa Neto e defende decisão interna do partido sobre disputa eleitoral
O senador Wellington Fagundes (PL) reagiu à movimentação política articulada pelo grupo do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e do ex-governador Mauro Mendes (União), que teria como objetivo retirá-lo da disputa eleitoral deste ano. A articulação veio à tona após reunião reservada com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Após o vazamento do encontro, Fagundes afirmou que há uma tentativa de tratar o PL de Mato Grosso como subordinado ao Palácio Paiaguás, hipótese que rechaçou de forma enfática.
“O PL não é puxadinho de governo. O partido tem lado, tem história, tem liderança nacional e base em Mato Grosso. A decisão será tomada dentro do partido, com respeito, diálogo e responsabilidade”, declarou ao jornal A Gazeta.
Segundo o senador, a movimentação do grupo governista seria motivada pelo desempenho eleitoral de seu nome, que, de acordo com ele, figura entre os mais competitivos nas pesquisas de intenção de voto.
Fagundes também defendeu uma disputa aberta e criticou tentativas de definição antecipada de candidaturas. “O que eu defendo é muito simples: disputa aberta, legítima e democrática. Mato Grosso é grande demais para ter candidatura escolhida em gabinete”, afirmou.
Apesar das críticas ao movimento político, o senador evitou direcionar ataques ao ex-governador Mauro Mendes e destacou que as decisões do PL serão tomadas internamente, com participação das bases e diálogo com lideranças nacionais, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu não faço política na pressão. Faço política no diálogo, na construção e no respeito. Candidatura não se impõe de fora para dentro. Ela nasce da confiança e da vontade da base”, acrescentou.
Fagundes também comentou a atuação do deputado federal José Medeiros, que teria intermediado o encontro entre Costa Neto, Mauro Mendes e Pivetta. Embora tenha evitado críticas diretas, demonstrou desconforto com a condução das articulações.
A reunião teve como pano de fundo a tentativa de construção de uma aliança para a disputa ao governo do Estado. Em contrapartida, o grupo governista trabalharia para eleger Medeiros ao Senado, com eventual apoio futuro a Fagundes em 2030.
Nos bastidores, a estratégia vem sendo discutida desde 2024, em meio à resistência de parte do PL ao nome de Fagundes como candidato ao governo.
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