POLÍTICA NACIONAL

Lançado no Congresso, ‘Amazônia Que Eu Quero’ debaterá democracia na era digital

Senadores e deputados participaram, nesta quarta-feira (4), do lançamento da edição de 2026 do projeto Amazônia Que Eu Quero (AMQQ), promovido pela Fundação Rede Amazônica. O tema deste ano é “Democracia na Era Digital: O uso das novas tecnologias no processo eleitoral”. Os parlamentares destacaram que o assunto é pertinente para fortalecer a democracia, o diálogo e a justiça social, além de combater a desinformação e notícias falsas, especialmente em ano eleitoral.

Criado em 2019, o projeto tem o objetivo de integrar os estados da Região Norte para promover uma sequência de ações que reúnem especialistas e a comunidade local ao longo do ano, com foco no desenvolvimento de propostas que destaquem a visão do amazônida e de quem mora e atua na região, conforme destacaram na solenidade de abertura a diretora presidente da Fundação Amazônica, Claudia Daou Paixão e Silva, e o CEO do grupo, Phelippe Daou Júnior.

Em seu discurso durante o lançamento, o senador Dr. Hiran (PP-RR), parlamentar de Roraima, estado que integra a Amazônia brasileira, destacou que o projeto é um espaço de reflexão sobre democracia, informação e desenvolvimento regional em um tempo de transformações profundas.

— Vivemos em uma era em que a informação deixou de ser escassa, e é absolutamente abundante. O problema é que, junto com a informação, cresce também algo muito grave:  a desinformação. O Brasil é hoje um dos países mais impactados pela circulação de fake news, por conteúdos manipulados e por narrativas distorcidas, que muitas vezes, influenciam decisões coletivas — disse.

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Ele ressaltou ainda que, no Norte, essa realidade é ainda mais desafiadora, já que, em muitos municípios mais distantes, os aplicativos de mensagens e as redes sociais tornaram-se a principal fonte de informação política, criando um ambiente vulnerável para manipulação, de acordo com o senador. Dr. Hiran disse ainda que é preciso discutir com profundidade o papel da inteligência artificial, o funcionamento dos algoritmos e o impacto das plataformas digitais no processo eleitoral e na formação de opinião pública.

Já o senador Plínio Valério  (PSDB-AM) fez um apelo por Justiça na região, e que a Amazônia seja olhada com carinho, não sendo usada, segundo ele, só para arregimentação, idealismos ou mesmo interesses financeiros dos países desenvolvidos.

— Nós não queremos uma Amazônia como eles olham lá fora, que só veem o verde. A Amazônia que eles enxergam é o verde, não enxergam o ser humano. A Amazônia que eles enxergam é a que eles querem que fique preservada para salvar o planeta. E a Amazônia não vai salvar o planeta sem salvar a sua população —  afirmou.

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A palestra magna do evento foi realizada por Marcelo Bechara, diretor de Relações Institucionais em Mídias e Regulação do Grupo Globo e membro do Conselho Superior da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Ele destacou em sua fala como se conectam democracia, tecnologia e Amazônia, e se a democracia é de fato eletrônica e permite acesso e participação efetiva de todos.

Publicação de relatório

Os parlamentares presentes na cerimônia receberam o último Caderno de Soluções, que debateu o crescimento sustentável e consciência fiscal, documento estruturado a partir dos encontros anuais promovidos pela AMQQ. O material funciona como instrumento técnico de contribuição nos estados amazônicos e aos Poderes Legislativo e Executivo, subsidiando debates, projetos de lei e iniciativas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à inovação institucional e ao fortalecimento da democracia na era digital.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Debatedores criticam “pejotização” e alertam para perda de direitos e queda na arrecadação

Debatedores criticaram nesta terça-feira (28), em audiência pública na Câmara dos Deputados, os efeitos da “pejotização” no mercado de trabalho. O termo se refere à contratação de trabalhadores como empresas – pessoas jurídicas (PJ) – para atividades que antes exigiam carteira assinada. As críticas apontam para a perda de direitos trabalhistas e prejuízo nas contas da Previdência Social.

A audiência girou em torno da decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que, desde abril de 2025, determinou a suspensão de todos os processos que discutem a legalidade de decisões da Justiça do Trabalho que reconhecem o vínculo de emprego pela Consolidação das Leis do Trabalho  (CLT) em casos de “pejotização”. A decisão sobre o Tema 1.389 terá repercussão geral, servindo de regra para todos os casos semelhantes no país.

A reunião conjunta sobre o tema nas comissões de Finanças e Tributação; e de Trabalho foi proposta pelos deputados Rogério Correia (PT-MG) e Bohn Gass (PT-RS). “Eu preciso destacar que o ‘pejotizado’ não tem 13º, férias, adicionais, aviso prévio nem Fundo de Garantia”, disse Bohn Gass.

O deputado disse ainda que o adoecimento de “pejotizados” aumenta os gastos do país com saúde e assistência social, já que as empresas privadas deixam de arcar com parte desses custos. Bohn Gass ressaltou, por fim, que esses trabalhadores, atuando como empresas, deixariam de ter qualquer ganho com o fim da escala 6X1 (seis de trabalho por um de descanso).

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Rogério Correia reforçou que o modelo retira direitos básicos e aumenta a exploração do trabalhador. “É a nítida exploração de alguém que não tem nenhum direito e trabalha na função de MEI [Microempreendedor Individual] ou de pessoa jurídica”, disse. Ele anunciou ainda que reunirá os argumentos da reunião para buscar uma audiência com o ministro Gilmar Mendes.

Renato Araújo / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Impactos da pejotização, no contexto de julgamento do STF. Ministério Público do Trabalho - MPT, Rodrigo Barbosa de Castilho.
Para Castilho, a “pejotização” é uma estratégia ilegal

Sem direitos
Rodrigo Barbosa de Castilho, da Coordenadoria de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT), descreveu a pejotização como uma estratégia ilegal que substitui o emprego formal por contratos de serviços para cortar custos e eliminar direitos trabalhistas. “A pejotização é a transformação de um trabalhador com direitos em uma pessoa jurídica sem direitos”, disse.

Segundo Castilho, entre 2022 e 2024, o Brasil deixou de arrecadar cerca de R$ 100 bilhões por conta desse modelo de contratação. “Isso só foi possível porque 4,8 milhões de empregados CLT se transformaram em PJ, sendo 3,8 milhões em MEI”, disse Castilho.

Contas públicas
Além do aspecto social, especialistas apontaram riscos ao orçamento federal. O auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Rafael Lima explicou que a “pejotização” causa desequilíbrio tributário. Segundo ele, um trabalhador com carteira assinada paga até 44,1% de impostos, enquanto quem atua como empresa paga entre 10% e 17%.

O Ministério da Fazenda reforçou que a queda na arrecadação prejudica serviços essenciais. Segundo o subsecretário Rodrigo Toneto, 53% dos MEIs atuais têm perfil para estar no regime da CLT. “Inevitavelmente isso vai gerar estradas piores, piores incentivos para a agricultura, piores serviços sociais”, disse.

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Conflito jurídico
O debate também abordou a disputa de competências no Judiciário. Enquanto a Justiça do Trabalho costuma reconhecer o vínculo de emprego, considerando que o contrato de empresa serve apenas para camuflar a relação de subordinação no trabalho, o Supremo tem derrubado essas decisões, validando os contratos de prestação de serviço em nome da liberdade de contratar.

Secretário de assuntos jurídicos da CUT, Valeir Ertle criticou a atuação do Supremo. Para ele, o STF presta um “desserviço” ao aceitar julgar diretamente decisões de primeira instância. Ertle destacou que a substituição de contratos com vínculo por modelos de empresa, quando há subordinação e habitualidade, prejudica a proteção social dos trabalhadores.

Marco Aurélio Treviso defendeu que a Justiça do Trabalho analise todas as relações de trabalho humano, destacando que a Justiça Comum deve atuar apenas de forma residual.

“Quem deve analisar se nós estamos diante ou não de uma fraude é o ramo do poder judiciário criado pelo legislador constitucional para a apreciação dessa matéria”, disse Treviso, que representou a Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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