LEGADO DE NAZARENO
Buscávamos alguém de fé e encontramos em Virginia Mendes”, diz padre ao convidá-la para ser madrinha da beatificação
_Primeira-dama visitou Jauru nesta terça (03), acompanhada do padre Diogo de Arruda, e conheceu a história do missionário Nazareno
A primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, visitou o município de Jauru na tarde desta terça-feira (03.03), acompanhada pelo padre Diogo de Arruda. Durante a visita, ela se reuniu com o padre Thiago Bruno para conhecer mais sobre a história, a vida e o legado do Venerável Nazareno Lanciotti, além de visitar o local onde o missionário viveu e serviu à comunidade por décadas.

Durante a agenda, Virginia Mendes também encontrou lideranças da comunidade local, entre elas a vice-prefeita Enércia Monteiro e a primeira-dama e secretária municipal de Ação Social de Jauru, Daiane Mendes.

O padre Thiago Bruno destacou que a primeira-dama foi convidada para ser madrinha da beatificação do Venerável Padre Nazareno Lanciotti, considerada um marco histórico para Mato Grosso.

“A Diocese de São Luiz de Cáceres, juntamente com o nosso bispo Dom Jaci e a população de Jauru, buscava alguém que fosse católica, temente a Deus e que também demonstrasse devoção ao Padre Nazareno Lanciotti. Por isso, entendemos que Virginia Mendes representa esse perfil de fé e testemunho”, afirmou.
Segundo o sacerdote, a escolha foi recebida com alegria pela comunidade católica da região.

“Para nós é uma grande alegria. Só de ver nos olhos dela o desejo de Deus e a alegria de estar aqui em Jauru já nos emociona. Jauru é conhecida como Cidade de Deus e de Nossa Senhora, e agora também será lembrada como a cidade do futuro beato Padre Nazareno Lanciotti”, destacou.
Virginia agradeceu o convite e afirmou que considera uma honra participar de um momento histórico para Mato Grosso.
“Recebo esse convite com muita gratidão e humildade. Ser madrinha da beatificação do Padre Nazareno Lanciotti é uma grande bênção. Por coincidência, viemos a Jauru no dia 3 de março, data de nascimento do padre Nazareno. Para mim, isso é coisa de Deus. Ele dedicou sua vida aos mais pobres e deixou um legado de fé, coragem e amor ao próximo que continua inspirando tantas pessoas”, declarou.
A primeira-dama também descreveu a visita como um momento de forte emoção e espiritualidade.
“Senti uma paz muito especial ao visitar a igreja e conhecer mais de perto essa história de fé e entrega”, completou.
A Celebração Litúrgica de Beatificação do Venerável Padre Nazareno Lanciotti foi aprovada pelo Santo Padre, Papa Leão XIV, e está marcada para o dia 13 de junho de 2026, data que deverá reunir fiéis de diversas regiões para um momento histórico para a Igreja Católica em Mato Grosso.
*Missão e legado*
O Padre Nazareno Lanciotti nasceu em Subíaco, Roma, no dia 3 de março de 1940, filho de Giacomo e Antonieta Lanciotti. Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1966 e iniciou seu ministério entre jovens em Roma.
Movido pelo espírito missionário, veio para o Brasil e dedicou cerca de 30 anos de trabalho pastoral em Jauru, no oeste de Mato Grosso. Durante esse período, construiu igrejas, escolas, um hospital e um asilo para idosos abandonados, além de atuar firmemente na defesa dos mais vulneráveis.
Reconhecido pela luta contra problemas sociais como drogas, alcoolismo, prostituição e outras injustiças, o sacerdote sofreu um atentado no dia 11 de fevereiro de 2001 e faleceu no dia 22 de fevereiro do mesmo ano, no Brasil.
Padre Nazareno ofereceu sua vida à Igreja, à comunidade e ao Movimento Sacerdotal Mariano, deixando um testemunho de fé e dedicação aos pobres que marcou profundamente a história de Jauru e da região oeste de Mato Grosso.
MULHER
O primeiro tapa quase nunca é o começo da violência Por: Virginia Mendes
Quando um caso de violência contra a mulher ganha as manchetes, muita gente imagina que tudo começou com um tapa. Mas, na maioria das vezes, não é assim. A agressão física costuma ser o último estágio de uma violência que começou muito antes, de forma silenciosa, disfarçada de cuidado, amor ou ciúme.
Primeiro vêm os comentários sobre a roupa. Depois, as críticas às amizades, à família, ao trabalho e às redes sociais. Aos poucos, o controle sobre horários, decisões e escolhas se torna parte da rotina. O ciúme deixa de ser sentimento e passa a ser posse. É aí que mora o perigo.
A violência psicológica não deixa, necessariamente, marcas no corpo, mas pode destruir a autoestima, a liberdade e a saúde emocional da mulher. Humilhações, ameaças, chantagens, manipulação e isolamento fazem com que muitas vítimas percam a confiança em si mesmas e acreditem que não conseguirão sair daquela situação.
Por isso, é preciso reconhecer os sinais antes que a violência evolua para agressões físicas e, em casos extremos, para o feminicídio.
Todo relacionamento tem conflitos e divergências. O que não pode ser normalizado é o desrespeito. Se uma mulher muda a maneira de se vestir, deixa de conviver com a família ou passa a medir cada palavra por medo da reação do companheiro, ela não está vivendo uma relação saudável. Isso não é amor.
E há uma verdade que precisa ser repetida: a culpa nunca é da vítima. Nenhuma roupa, escolha ou comportamento justifica uma agressão. A única pessoa responsável pela violência é quem decide praticá-la.
Ao longo da minha caminhada, ouvindo mulheres e acompanhando histórias de superação, muitas vezes escutei a mesma frase: “Eu não percebi quando tudo começou”. É justamente por isso que a informação é tão importante. Precisamos falar sobre os primeiros sinais para que as mulheres possam reconhecê-los e buscar ajuda antes que seja tarde.
Também precisamos fortalecer a rede de apoio. Familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho devem estar atentos. Muitas mulheres permanecem em silêncio por medo, vergonha, dependência financeira ou pela esperança de que o agressor mude. Acolher, orientar e incentivar a denúncia pode salvar vidas.
Defendo que o Brasil avance na prevenção, na proteção das vítimas e na punição dos agressores. É preciso investir em educação e acolhimento, mas também discutir o endurecimento das leis. Defendo a reforma da Constituição para permitir a prisão perpétua para feminicidas e autores de crimes hediondos. Crimes tão graves exigem respostas à altura de sua brutalidade.
Mas nenhuma punição será suficiente se continuarmos chegando tarde. Precisamos agir diante dos primeiros sinais, antes que o controle vire agressão e que a agressão termine em tragédia.
Se você vive uma relação marcada pelo medo, pelo controle, pelas ameaças ou pelas humilhações, pedir ajuda não é fraqueza. É coragem. Você não está sozinha.
Denuncie. O silêncio protege o agressor, nunca a vítima. O Ligue 180 oferece orientação e encaminhamento para a rede de proteção. Em situações de risco imediato, acione a Polícia Militar pelo 190.
A violência doméstica não começa com o primeiro tapa. Muitas vezes, começa com palavras, controle em diversas situação, entre elas a patrimonial e violência psicológica. Reconhecer os primeiros sinais pode salvar uma vida.
Virginia Mendes é economista, ex-primeira-dama de Cuiabá, ex-primeira-dama de MT idealizadora do programa SER Família.
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