OPINIÃO
O primeiro tapa quase nunca é o começo da violência Por: Virginia Mendes
Quando um caso de violência contra a mulher ganha as manchetes, muita gente imagina que tudo começou com um tapa. Mas, na maioria das vezes, não é assim. A agressão física costuma ser o último estágio de uma violência que começou muito antes, de forma silenciosa, disfarçada de cuidado, amor ou ciúme.
Primeiro vêm os comentários sobre a roupa. Depois, as críticas às amizades, à família, ao trabalho e às redes sociais. Aos poucos, o controle sobre horários, decisões e escolhas se torna parte da rotina. O ciúme deixa de ser sentimento e passa a ser posse. É aí que mora o perigo.
A violência psicológica não deixa, necessariamente, marcas no corpo, mas pode destruir a autoestima, a liberdade e a saúde emocional da mulher. Humilhações, ameaças, chantagens, manipulação e isolamento fazem com que muitas vítimas percam a confiança em si mesmas e acreditem que não conseguirão sair daquela situação.
Por isso, é preciso reconhecer os sinais antes que a violência evolua para agressões físicas e, em casos extremos, para o feminicídio.
Todo relacionamento tem conflitos e divergências. O que não pode ser normalizado é o desrespeito. Se uma mulher muda a maneira de se vestir, deixa de conviver com a família ou passa a medir cada palavra por medo da reação do companheiro, ela não está vivendo uma relação saudável. Isso não é amor.
E há uma verdade que precisa ser repetida: a culpa nunca é da vítima. Nenhuma roupa, escolha ou comportamento justifica uma agressão. A única pessoa responsável pela violência é quem decide praticá-la.
Ao longo da minha caminhada, ouvindo mulheres e acompanhando histórias de superação, muitas vezes escutei a mesma frase: “Eu não percebi quando tudo começou”. É justamente por isso que a informação é tão importante. Precisamos falar sobre os primeiros sinais para que as mulheres possam reconhecê-los e buscar ajuda antes que seja tarde.
Também precisamos fortalecer a rede de apoio. Familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho devem estar atentos. Muitas mulheres permanecem em silêncio por medo, vergonha, dependência financeira ou pela esperança de que o agressor mude. Acolher, orientar e incentivar a denúncia pode salvar vidas.
Defendo que o Brasil avance na prevenção, na proteção das vítimas e na punição dos agressores. É preciso investir em educação e acolhimento, mas também discutir o endurecimento das leis. Defendo a reforma da Constituição para permitir a prisão perpétua para feminicidas e autores de crimes hediondos. Crimes tão graves exigem respostas à altura de sua brutalidade.
Mas nenhuma punição será suficiente se continuarmos chegando tarde. Precisamos agir diante dos primeiros sinais, antes que o controle vire agressão e que a agressão termine em tragédia.
Se você vive uma relação marcada pelo medo, pelo controle, pelas ameaças ou pelas humilhações, pedir ajuda não é fraqueza. É coragem. Você não está sozinha.
Denuncie. O silêncio protege o agressor, nunca a vítima. O Ligue 180 oferece orientação e encaminhamento para a rede de proteção. Em situações de risco imediato, acione a Polícia Militar pelo 190.
A violência doméstica não começa com o primeiro tapa. Muitas vezes, começa com palavras, controle em diversas situação, entre elas a patrimonial e violência psicológica. Reconhecer os primeiros sinais pode salvar uma vida.
Virginia Mendes é economista, ex-primeira-dama de Cuiabá, ex-primeira-dama de MT idealizadora do programa SER Família.
MULHER
Virginia Mendes comemora sanção de lei que amplia proteção a mulheres vítimas de violência
Lei cria alerta imediato para proteger mulheres em situação de risco.
A ex-primeira-dama de Mato Grosso e idealizadora do programa SER Família Mulher, Virginia Mendes, comemorou nesta quinta-feira (18), a sanção da Lei nº 13.364/2026, que cria um sistema de alerta para mulheres com medida protetiva de urgência quando o agressor monitorado por tornozeleira eletrônica ultrapassar o limite de distância determinado pela Justiça.
A nova legislação, de autoria do deputado estadual Paulo Araújo, prevê o envio de avisos por SMS ou aplicativo para a vítima e, simultaneamente, para as forças de segurança, permitindo uma resposta mais rápida diante de situações de risco e fortalecendo a rede de proteção às mulheres.
Em publicação nas redes sociais, Virginia Mendes ressaltou a importância da tecnologia como ferramenta de prevenção e proteção à vida.
“Esta semana termina com uma vitória que salva vidas. A tecnologia agora está do lado de quem precisa de proteção. A lei cria um sistema de alerta para avisar mulheres com medida protetiva quando o agressor ultrapassa o limite de um quilômetro de distância estabelecido pela Justiça. O alerta também chega às autoridades de segurança. É a tecnologia a serviço da proteção da vida”, afirmou.
Segundo Virginia Mendes, a iniciativa representa um avanço importante no enfrentamento à violência doméstica ao permitir que a vítima tenha mais tempo para agir diante de uma situação de risco.
“É uma ferramenta moderna que amplia a rede de cuidado e devolve à vítima o direito de agir antes que o pior aconteça. Dá mais tempo para a mulher se proteger ou sair do local. Porque medida protetiva precisa ser mais do que um papel. Ela só cumpre realmente seu papel quando a mulher se sente segura”, destacou.
Para L.C.S., que possui medida protetiva há sete meses, a nova ferramenta representa mais tranquilidade para mulheres que convivem diariamente com o receio de uma nova aproximação do agressor.
“Quem vive a violência doméstica sabe que cada minuto faz diferença. Receber um alerta antes da aproximação do agressor pode dar tempo para buscar ajuda e evitar uma nova agressão. É uma medida que traz mais segurança para nós”, relatou.
Virginia também parabenizou o deputado Paulo Araújo pela proposta e pela sensibilidade em compreender a urgência de medidas que garantam mais segurança às mulheres.
“Parabéns ao meu amigo deputado Paulo Araújo pela sensibilidade de entender a urgência desse avanço e pela coragem de propor uma lei que salvará muitas vidas. Mato Grosso tem orgulho de ter parlamentares comprometidos com a proteção da vida e da dignidade das mulheres”, declarou.
Reconhecida por sua atuação na defesa das mulheres e idealizadora do programa SER Família Mulher, Virginia Mendes reafirmou seu compromisso com o fortalecimento de políticas públicas voltadas à proteção feminina e ao combate à violência.
“Seguirei firme ao lado de cada mulher, lutando para que a violência doméstica não encontre espaço em Mato Grosso e no Brasil”, concluiu.
Confira a publicação no link do instagram clique aqui https://www.instagram.com/reel/DZvdZDovgad/?igsh=bjVxa25iZHZ4bHZh
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