PROTEÇÃO ÀS MULHERES
Virginia Mendes condena suposto assédio envolvendo militar e reforça: “Função pública não é escudo para comportamentos inaceitáveis
Caso envolvendo agente público leva primeira-dama a defender punição e acolhimento à vítima
A primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, manifestou-se neste domingo (25) sobre o suposto caso de assédio envolvendo um oficial da Polícia Militar, reforçando que não haverá qualquer tipo de relativização diante de denúncias dessa natureza. Segundo ela, a função pública exige postura exemplar, especialmente de quem tem o dever institucional de proteger a população.
A declaração ocorre após a Justiça de Mato Grosso conceder liberdade provisória ao tenente-coronel Welington Rodrigues Mendonça, preso em flagrante após um suposto episódio de importunação sexual contra uma servidora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em Cuiabá. O caso foi registrado na madrugada de sábado (24), em um posto de combustíveis localizado na Praça Oito de Abril.
Para Virginia Mendes, o episódio exige firmeza das instituições e respeito às vítimas.
“Quando quem deveria proteger age de forma oposta, a sociedade inteira é ferida. Não vamos normalizar nem perdoar situações como essa. Mulher nenhuma pode se sentir desamparada”, afirmou.
A primeira-dama também afirmou que a responsabilização e o amparo à vítima são indispensáveis diante de situações como essa.
“É fundamental garantir apoio à vítima e assegurar que todos respondam por seus atos, independentemente do cargo que ocupam. A função pública não é escudo para comportamentos inaceitáveis”, completou.
O presidente do Poder Legislativo, Max Russi, também emitiu nota de repúdio ao suposto caso, afirmando que prestará suporte à vítima e que situações dessa natureza são inaceitáveis e não podem ser toleradas.
Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso informou a exoneração do oficial do cargo de comandante do 22º Batalhão, em Peixoto de Azevedo, e comunicou a abertura de procedimento administrativo para apurar a conduta. A corporação destacou que não coaduna com crimes praticados por seus integrantes.
Situações como essa não podem ser admitidas. O Governo de Mato Grosso reafirma seu compromisso com o respeito às mulheres e defende que casos dessa natureza sejam apurados com rigor, responsabilidade e justiça.
MULHER
O primeiro tapa quase nunca é o começo da violência Por: Virginia Mendes
Quando um caso de violência contra a mulher ganha as manchetes, muita gente imagina que tudo começou com um tapa. Mas, na maioria das vezes, não é assim. A agressão física costuma ser o último estágio de uma violência que começou muito antes, de forma silenciosa, disfarçada de cuidado, amor ou ciúme.
Primeiro vêm os comentários sobre a roupa. Depois, as críticas às amizades, à família, ao trabalho e às redes sociais. Aos poucos, o controle sobre horários, decisões e escolhas se torna parte da rotina. O ciúme deixa de ser sentimento e passa a ser posse. É aí que mora o perigo.
A violência psicológica não deixa, necessariamente, marcas no corpo, mas pode destruir a autoestima, a liberdade e a saúde emocional da mulher. Humilhações, ameaças, chantagens, manipulação e isolamento fazem com que muitas vítimas percam a confiança em si mesmas e acreditem que não conseguirão sair daquela situação.
Por isso, é preciso reconhecer os sinais antes que a violência evolua para agressões físicas e, em casos extremos, para o feminicídio.
Todo relacionamento tem conflitos e divergências. O que não pode ser normalizado é o desrespeito. Se uma mulher muda a maneira de se vestir, deixa de conviver com a família ou passa a medir cada palavra por medo da reação do companheiro, ela não está vivendo uma relação saudável. Isso não é amor.
E há uma verdade que precisa ser repetida: a culpa nunca é da vítima. Nenhuma roupa, escolha ou comportamento justifica uma agressão. A única pessoa responsável pela violência é quem decide praticá-la.
Ao longo da minha caminhada, ouvindo mulheres e acompanhando histórias de superação, muitas vezes escutei a mesma frase: “Eu não percebi quando tudo começou”. É justamente por isso que a informação é tão importante. Precisamos falar sobre os primeiros sinais para que as mulheres possam reconhecê-los e buscar ajuda antes que seja tarde.
Também precisamos fortalecer a rede de apoio. Familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho devem estar atentos. Muitas mulheres permanecem em silêncio por medo, vergonha, dependência financeira ou pela esperança de que o agressor mude. Acolher, orientar e incentivar a denúncia pode salvar vidas.
Defendo que o Brasil avance na prevenção, na proteção das vítimas e na punição dos agressores. É preciso investir em educação e acolhimento, mas também discutir o endurecimento das leis. Defendo a reforma da Constituição para permitir a prisão perpétua para feminicidas e autores de crimes hediondos. Crimes tão graves exigem respostas à altura de sua brutalidade.
Mas nenhuma punição será suficiente se continuarmos chegando tarde. Precisamos agir diante dos primeiros sinais, antes que o controle vire agressão e que a agressão termine em tragédia.
Se você vive uma relação marcada pelo medo, pelo controle, pelas ameaças ou pelas humilhações, pedir ajuda não é fraqueza. É coragem. Você não está sozinha.
Denuncie. O silêncio protege o agressor, nunca a vítima. O Ligue 180 oferece orientação e encaminhamento para a rede de proteção. Em situações de risco imediato, acione a Polícia Militar pelo 190.
A violência doméstica não começa com o primeiro tapa. Muitas vezes, começa com palavras, controle em diversas situação, entre elas a patrimonial e violência psicológica. Reconhecer os primeiros sinais pode salvar uma vida.
Virginia Mendes é economista, ex-primeira-dama de Cuiabá, ex-primeira-dama de MT idealizadora do programa SER Família.
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